Febre amarela e comunicação em tempos de crise January 17, 2008
Posted by Ezequiel Vieira in : comunicação, sociedade midiatizada , add a commentOu a sociedade mobilizada pela mídia
O Ministério da Saúde já teve que administrar uma situação de crise antes de agora se vê às voltas com a febre amarela. Na verdade o que ele fez foi o “Plano Brasileiro de Preparação para uma Pandemia de Gripe” - para a eventualidade da gripe aviária lá pelas bandas da Ásia em 2003 atingir o Brasil. Eis a versão completa e aqui a versão focada num plano de comunicação voltado para administração de crise.
Seguem algumas ações que me chamaram atenção na versão resumida - não deve ser muito diferente do que vem acontecendo agora com a febre amarela.
- Identifique o problema e reúna o máximo de informações sobre ele;
- Forme uma equipe de comunicação integralmente dedicada à administração da crise;
- Defina com clareza os públicos-alvos da comunicação. No caso do plano de crise da gripe aviária, foram identificados quatro grandes públicos a serem alcançados
- Governo
- Imprensa/Formadores de opinião
- Técnicos da área de saúde
- Sociedade em geral
Para cada público foram formulados objetivos a serem atingidos e estratégias de ação para tal. A grande preocupação que percebi foi a constante busca para que se tivesse coerência, foco, unicidade e agilidade no fluxo de informação e na comunicação institucional.
Governo, Imprensa/Formadores de opinião, técnicos da área de saúde e mais outros subgrupos foram definidos como públicos-alvos mas a grande preocupação era atingir a sociedade como um todo. Para ser mais exato os outros eram, digamos, públicos-meios e não, a rigor, o alvo da comunicação. E o grande público-meio foi o que o plano caracterizou como “Imprensa/Formadores de opinião“.
Tanto é verdade que entre as expressões mais repetidas ao longo do texto estão: Pautar a imprensa; Pautar a imprensa nacional; Divulgar junto à mídia; Manter diariamente informados; Gerar informações que tranqüilizem.
É óbvio ululante que para cada situação exige-se uma ação específica para atingir determinado público-alvo. Não é toda ação que precisa necessariamente passar pela e pautar a tal da grande mídia. A grande questão é: qual é meu problema, a quem eu quero alcançar e que tipo de mídia eu preciso usar, ou conquistar, para que a minha comunicação tenha sucesso?
Selecionei esse trecho do capítulo A cultura da virtualidade real (A sociedade em rede) onde Castells, focado na televisão, faz a seguinte análise em 2000 - agora ampliaria isso para outros tipos de mídia:
Embora os feitos da televisão sobre as opçoes polícas sejam bastante diversos, a política e os políticos ausentes da televisão nas sociedades desenvolvidas simplesmente não tem chance de obter apoio popular, visto que as mentes as pessoas são informadas fundamentalmenten pelos meios de comunicãção, sendo a televisão o principal deles. O impacto social da televisão funciona no modo binário: estar ou não estar. Desde que uam mensagem esteja na televisão, ela poderá ser modificada, transformada ou mesmo subvertida. Mas em uma sociedade organizada em torno da grande mídia, a existência de mensagens fora da mídia fica restrita a redes interpessoais, portanto desaparece do inconsciente coletivo. - grifo meu.
Não é à toa que ontem tive um acesso da Na-mí-bia (!) que digitou as seguintes palavras na busca “curso de mestrado em comunicação estratégica”.
CVRD sobe a montanha e vira VALE December 3, 2007
Posted by Ezequiel Vieira in : Globalidade, comunicação, cvrd, marcas, sociedade midiatizada , 8 commentsNesse final de semana voltei a soprar poeira de algumas coisas que aprendi lá pelo 1º período. Foi muito martelado na disciplina de Comunicação Visual que a logomarca, o nome de alguma coisa, precisa ser claro, simples e de fácil memorização.
Mas ainda assim eu esperava mais da nova logomarca da CVRD. Afinal foram mais de 80 páginas só de briefing com aquilo que a Vale desejava. Minha irmã me lembrou o que eu deveria saber sem muitos questionamentos: é difícil ser simples e comunicar bem ao mesmo tempo. E é isso que a logomarca da Vale faz.

Com essa mudança a CVRD tenta tirar os últimos resquícios de um passado estatal não muito distante. Em 2007 são exatos 65 anos de fundação e 10 anos de privatizada. Os trilhos foram aposentados e o anúncio da alteração diz que “A mudança vem celebrar o processo de transformação da Vale numa empresa de atuação global” e mais alguns blás, blás. Roger Agnelli, presidente da empresa, também buscou destacar essa pretensão de globalidade:
Em qualquer lugar do mundo, a pronuncia Vale é fácil. Vale significa valor. É um nome curto e de fácil fixação. O logo, eu vejo um coração, porque adoro essas coisas de emoção. Pode ser um simbolo de infinito. Ao mesmo tempo, é um símbolo de vale e de uma mineração a céu aberto já em seu plano final. Se colocar de cabeça para baixo, parece o triângulo de Minas Gerais.
A idéia, portanto, é deixar de lado o nome que restrinja a empresa “Companhia Vale do Rio Doce”, “Rio Doce”, “CVRD”. Temos apenas VALE e mais aquilo que vc quiser ver…
Fiquei imaginando o processo dos caras até chegar a esse nome, digamos, tão óbvio. Fui ao dicionário. Vale:
- Depressão do terreno entre dois espigões adjacentes
- Várzea ou planície à beira do rio.
É claro que o primeiro sentido é o que foi priorizado. A nova logomarca é composta de duas montanhas que juntas formam o V do “novo nome” da empresa. O interessante é que, pela minha viagem, a CVRD subiu a montanha, já que que o segundo sentido que o dicionário me traz foi trocado pelo primeiro. Bendito seja quem visualizou que duas montanhas formam a letra V.
Os trilhos foram apagados, várzea ou planície à beira do rio, e subiu-se às montanhas, depressão do terreno entre dois espigões adjacentes. Essas montanhas eu interpreto da seguinte forma: uma representa o Brasil e a outra o mundo. A Vale já é a maior empresa nacional e tem a pretensão de também estar entre as maiores do mundo. Ou seja: no alto da montanha. A antiga logomarca com seus trilhos já não dizia muita coisa mesmo.
Mas pelo que vejo no site da empresa, a minha interpretação nem chega perto da oficial - ainda prefiro a minha….
Vendo e revendo, percebo, ao mesmo tempo, uma mensagem de solidez e leveza, além da clara valorização nacional; as cores das montanhas são as mesmas da bandeira nacional: verde e amarelo.
O preço da mudança. A Vale vai investir US$ 50 milhões nos próximos quatro anos para alterar todos os logotipos e nomes da empresa ao redor do mundo.
Para divulgar a nova marca no Brasil, desde quinta-feira a agência África começou uma série de teasers na TV e nos principais jornais convidando para ‘um batismo’. Ontem entrou no ar o filme “Surgimento”, que revelou o nome do batizado com o jingle criado pelo próprio Nizan Guanaes com o refrão “Todo brasileiro gosta de dar um apelido”, em referência ao nome Vale. A campanha terá seqüência na mídia impressa e também no exterior.
O site. Agora o endereço da empresa, foco principal de meu tcc, também ganha, ainda mais, ares de globalidade. A terminação .br também foi aposentada. Pode digitar www.cvrd.com.br ou www.vale.com.br, as antigas urls da empresa, que só vai dar página de erro. O novo endereço é vale.com (site), tal como os sites, digamos, sem fronteiras.
Vislumbro pela frente um bom trabalho pro meu tcc.
Acesse no site da Vale a transcrição da coletiva de imprensa (29/11/07) para anunciar a nova marca.
Com: Brainstorm#9
- Acesse mais informação sobre a repercussão da criação da logomarca e picuínhas sobre semelhanças com a de outras de empresas
05/12/07 - Empresa de calçados Vitelli ameaça processar a Vale por ter logomarca semelhante, mas não pode.
05/12/07 - Vale copiar?
Claro! Também vale muito a pena, sem trocadilhos, conferir os mais de 90 comentários do blog Brainstorm#9 sobre essa mudança da, agora sim, VALE.
Lista das 10 maiores empresas e de marca mais valiosa November 14, 2007
Posted by Ezequiel Vieira in : cvrd, economia, empresas, marcas, sociedade midiatizada, tcc , 2 commentsO projeto de meu tcc até que tá bem encaminhado. Nesta segunda apresentei ao meu orientador para eventuais alterações e ele só me disse “Siga em frente. Não vejo grandes ajustes. Acho, apenas, que precisas falar também da nova economia no capítulo 1 ou mesmo um capítulo só para isso.” - o resumo do projeto pode ser acessado na página do blog meu projeto de tcc.
Por minha conta em risco …. ando relendo o projeto e achei que analisar só o site da CVRD não seria o bastante. Não, eu não vou fazer em apenas um projeto um estudo de caso com outras empresas parecido com a análise que pretendo fazer sobre a Vale. Mas acredito que também seja interessante ter o site de outras empresas como forma de controle: faço uma análise do site da CVRD e tento acompanhar, em linhas gerais, como as constatações feitas também podem valer para outras corporações.
O difícil mesmo foi selecionar, com o máximo rigor possível, quais seriam essas outras empresas. Comecei com uma boa referência: a lista das 1000 maiores empresas do Brasil segundo ranking montado este ano pelo jornal de bacana Valor Econômico.
Cruzei os nomes do 50 primeiros nesta lista do Valor com os 50 primeiros na lista das marcas mais valiosas do Brasil segundo lista publicada pela revista Época - minha meta era selecionar as 10 primeiras empresas cujos nomes estivessem nas duas listas.
Da lista do Valor Econômico, entre as 50 primeiras empresas, metade também aparece entre as 50 marcas mais valiosas, de um total de 130 empresas ranqueadas. Do resultado dessa combinação cheguei aos seguintes nomes entre os 10 primeiros dessa nova lista:
- Petrobras
- Volkswagen
- General Motors
- Fiat
- Pão-de-açúcar
- Carrefour
- Telefônica
- Wal-Mart
- Casas Bahia
- Correios
Depois desse mini-maratona, esse vai ser meu grupo de controle para avaliar o grau de interface dessas empresas com as características da chamada economia da informacional [A Era da Informação], principalmente, no que diz respeito ao fator midiatização.
Mais do que qualquer outra empresa que encontrei, a página da Vale, caso principal de meu estudo, tem uma forte carga de interação e linguagem midiática:
- O centro do site relaciona releases e notícias publicadas em jornais de estados onde a empresa atua;
- Com várias opções de formatos e temáticas, existe um espaço para se assinar por email a newsletter da empresa;
- Jornalistas de redação podem fazer um outro tipo cadastro para recebimento de informações segundo a área de interesse - a ficha de cadastro busca relacionar a hierarquia que existe dentro de uma redação padrão - do estagiário ao editor-chefe.
- A página Sala de Imprensa só perde em número de seções para a de Investidores 12 a 13;
- Existe um mapa na lateral esquerda do site onde são pontuados os lugares mundo afora em que a empresa está.
Agências de notícias numa sociedade em rede November 7, 2007
Posted by Ezequiel Vieira in : Mídia, indicações, redes, sociedade midiatizada , add a commentPelo comentário que Marcos Palacios fez a tese segue bem de perto o estudo de caso que tô fazendo sobre o site da Cvrd. Uma trajetória em redes: modelos e características operacionais das agências de notícias: modelos e características operacionais das agências de notícias, das origens às redes digitais: com estudo de caso de três agências de notícias, de autoria de José Afonso da Silva Júnior (UFPE).
Ainda não cheguei a ler mas Palácios, orientador do trabalho, explica que o doutorado organiza-se em três níveis de estudo. O primeiro tentaria estabelecer uma recuperação de elementos históricos da estruturação das agências para identificar e delimitar características operacionais e de fluxo de informações.
O segundo nível apresenta três estudo de caso de agências de notícias : a Agência Brasil, a Agência Estado e a Reuters, de modo que , através dos estudos de caso de cada uma, fosse possível aplicar as reflexões teóricas sobre as características elencadas. “Como o desenvolvimento e difusão das tecnologias digitais e de redes é um fenômeno de ampla presença na atualidade, as agências de notícias não se excluem desses condicionamentos”, aponta Palácios.
O terceiro nível de estudo procura estabelecer o debate de como as características de operação e de fluxo de informação são configuradas segundo a lógica da sociedade em rede.
TV e a mudança de vida como criação de valor July 27, 2007
Posted by Ezequiel Vieira in : Resumos, publicidade, sociedade midiatizada, televisão , 2 comments- Continuação do resumo - Sociedade em rede e novas formas de criação de valor
[Migrações midiáticas e criação de valor - Lorenzo Vilches]. Para Vilches, a primazia da criação de valor sobre a qualidade do serviço prestado é cada vez mais evidente no caso da televisão. Ele menciona a febre de reality shows como sintomático.
Big Brother, Casa dos Artistas, Fama, Ídolos, o Aprendiz; com boa audiência para quem os promove, indicaria o entendimento pelos diretores de televisão, aponta o autor espanhol, de que a geração de expectativas é garantia de dividendos.
Mas a situação também revelaria estratégias de adaptação diante da fuga das audiências que a chamada migração digital provoca. Como se repensar quando as novas tecnologias impõem reconfigurações no modo de se fazer publicidade - a principal forma financiamento das TVs?
A disputa pela conquista da atenção do consumidor se acirra não somente porque a publicidade deve competir com e evitar o zapping entre os canais. Ela, na televisão, também “deve ir contra” os meios interativos. (more…)



