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Dia do Jornalista - 07/04 April 7, 2008

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Ezequiel Vieira

Sociedade sem jornalismo por um dia March 7, 2008

Posted by Ezequiel Vieira in : comunicação, economia, jornalismo, ufes , 2 comments

Alguém hoje teve a mesma curiosidade que eu tive lá por 2005: Como seria a sociedade sem jornalismo? Pra ser mais exato a pesquisa foi por “como seria a sociedade em o jornalista”.

Segue o resultado do que dois pesquisadores de comunicação me retornaram por email

Eduardo Meditsch, doutor em comunicação pela Universidade Nova de Lisboa 

Creio que se só os jornais impressos parassem, não haveria um grande transtorno, pois a sociedade está encontrando outros meios de se informar. As tiragens dos impressos tem caído cinco por cento ao ano, e nem por isso a sociedade se abala isso porque têm o rádio, a Tv e a internet. No recente crack da Argentina, os jornais quase pararam de vender, mas a audiência do rádio explodiu. O problema é se tivéssemos uma greve dos jornalistas de todos os meios, ou seja, se a sociedade passasse alguns dias sem o jornalismo. Provavelmente viveríamos uma sensação de grande insegurança, a boataria seria incontrolável, e as instituições ficariam ameaçadas. Mas se a greve se prolongasse surgiriam novas formas de informação, quer a partir de empreendedores oportunistas, quer através dos movimentos sociais e das próprias instituições (as habituais fontes jornalísticas), que desenvolveriam formas de se comunicar diretamente com a população. E aí, o jornalismo é que teria que provar a sua necessidade e reencontrar o seu espaço, provavelmente exercendo o seu papel com mais qualidade do que tem feito hoje.

Leticia da Costa, doutoranda, na época, em comunicação pela Universidade Metodista de São Paulo

Trata-se de um assunto um tanto complexo, mas vamos lá: como já sentenciou o prof. José Marques de Melo, a comunicação é a base da vida em sociedade. Na atualidade, essa afirmação tem ainda mais sentido: a “informação” é a principal “moeda” de todos os sistemas sociais. Imagina, por exemplo, que a Embraer feche um contrado de x milhões de dólares e isso não é comunicado ao mercado? O que aconteceria com as bolsas, que são movimentadas por informações e especulações? Um caos total! Decisões políticas importantes, que igualmente não fossem comunicadas? Isso eclodiria uma reação em cadeia, causando sérios prejuízos em âmbito internacional (já que estamos ligados à imensa corrente da chamada globalização).Não. Não podemos viver sem informação, sem o trabalho do jornalismo diário… hoje. Digo mais, sem o jornalismo online, em tempo real. A sociedade caminha juntamente com os avanços na área da comunicação e os sistemas de comunicação se desenvolvem de acordo com as demandas da sociedade. Ambas fazem parte de uma mesma engrenagem: se uma parar, a outra fatalmente deixa de existir.

E o que vc acha?

Ezequiel Vieira

Tendências e cenários do jornalismo na internet December 14, 2007

Posted by Ezequiel Vieira in : "Jornalismo Cidadão", eventos/debates, internet, jornalismo , 2 comments

Termina hoje na UFBa um mini-curso em jornalismo na internet como parte do I Colóquio Internacional Brasil-Espanha sobre Cibermeios [acesso]. O Yuri Almeida, que fez a cobertura do mini-curso, conta que foram “cinco dias de palestras sobre narrativas, jornalismo digital, blogs, ensino de jornalismo, entre outros.”

Com uma boa opção de posts, vídeos e podcasts, até agora Yuri dividiu sua cobertura em quatro partes, conforme os dias em que as palestras aconteceram:

Parte I - Redacción para periódicos digitales. “O texto longo não morreu, o que mudou (com a internet) foi a forma de apresentá-lo”. Dr. Javier Díaz Noci, da Universidade del País Vasco.

Parte II - Blogs, esfera pública y periodismo ciudadano. Prof. Dr. Guillermo López (Universidad de Valencia). Neste caso, duas características apontadas na postagem como sendo da sociedade em rede me chamaram atenção:

  • Os meios de comunicação são formatados em rede, o que possibilita a descentralização do debate.
  • O fluxo comunicacional torna-se multidirecional e em vários níveis.

Como passei boa parte desse período vendo Habermas em Filosofia e Ética [resumo de seminário apresentado], logo lembrei do pensamento habermasiano. Para ele o que deve existir é a intersubjetividade onde o conhecimento é alcançado pela racionalidade centrada na comunicação. Mesmo tendo desenvolvido seu pensamento bem antes da internet, me parece que, como nunca antes, o pensamento de Habermas foi tão atual.

Parte III - Enseñanza del Ciberperiodismo en la Universidad española. Prof. Dr. Koldo Meso (Universidad del País Vasco).

Meso apontou que o jornalista digital deve ter as seguintes características

  • Conhecimento das novas ferramentas de informação e comunicação;
  • Aquisição de conteúdos teóricos e práticos que orientem a execução do ciberjornalismo;
  • Redação de mensagens para diferentes “formatos”, com linguagem próprias a cada um destes;
  • Compreender o grau de noticiabilidade para web;
  • Possuir uma enorme capacidade para aprender, reciclagem contínua, multifuncionalidade e tecnologicamente ativo.

Parte IV - El impacto de Internet en las rutinas periodísticas. Prof. Dr. Pere Masip (Universidad Ramón Llull).

Yuri traz que Masip contextualizou a relação dos jornalistas com a internet. O professor também teria lembrado do início das primeiras homes e sua lógica de simples transposição de conteúdos bem como das falhas organizacionais empresariais na implantação da internet nas redações. Masip destaca que essa migração digital foi feita de forma improvisada, fragmentada e sem política de conectividade (poucos computadores com acesso à internet) e a web não era vista como possibilidade de negócio e ferramenta de trabalho.

  • Acesse mais no blog do Yuri, Herdeiro Caos. Fico devendo as anotações do Fórum de Comunicação que aconteceu aqui na Ufes. Agora que o semestre acabou, vou tentar agilizar isso.

Fórum de comunicação na Ufes com cobertura wiki November 27, 2007

Posted by Ezequiel Vieira in : "Jornalismo Cidadão", cibercultura, comunicação, eventos/debates, internet, jornalismo , add a comment

A edição do Foco desse ano vem com uma novidade: no lugar de ser criado mais um blog para relatar o que rolou pelas palestras, essa 5ª edição terá uma cobertura wiki.

A surpresa veio quando foi colocada em votação a eliminação do verbete da wikipedia “Página de propaganda de um forum de uma universidade. Não diz de maneira sobre o que o fórum trata. Uso da wiki para propaganda“. O resultado da votação sai no dia três de dezembro. Por lá, o organizador do evento, Fábio Malini, apela para o óbvio:

Não sei quem deliberou que se trata de propaganda de evento. Ao contrário, é um projeto de registro de memória de acontecimento anual da universidade pública no Espírito Santo/Brasil. Um fato com notícias e informações, tal como existe aqui: cobertura do acidente da TAm em São Paulo, Copa do Mundo etc. Estão envolvidos na produção desse verbete mais de 20 colaboradores, que são estudantes de jornalismo, que, em vez de estarem a trabalhar numa mídia proprietária, estão construindo esse ambiente cooperativo.

Por ora, sigo com minhas anotações. Assim que arrumar um tempinho, publico por aqui as minhas impressões do que acompanhei.

“Perco o amigo mas não perco a notícia. Vivo disso porra!” November 23, 2007

Posted by Ezequiel Vieira in : eventos/debates, jornalismo , 1 comment so far

Uma Arcelor, uma CVRD, uma Petrobrás da vida sempre investem na formação e capacitação de seus funcionários. A grande pergunta com que Ancelmo Gois começou sua fala na palestra de ontem pela manhã foi: “Por que os jornais não investem na formação de seus quadros?”

Foi bem enfatizado a necessidade da leitura [Ancelmo, por exemplo, adora poesia. Prefiro prosa] de ouvir uma boa música, ver filmes. Em síntese, ter vida social para além do apura e publica.

Se é verdade que a única coisa que jornalista ler é o jornal da concorrência - mas só pra ver se não foi furado - também é fato que ainda são poucos os jornais que promovem cursos de residência por aí. “Uma tragédia”, enfim, como resumiu e dramatizou Ancelmo.

Em um bate-papo bem descontraído e quase confessional, ele reforçou o velho radar do que seria notícia e que acredito que deva ser a primeira coisa ouvida por qualquer o calouro de jornalismo: “Não existe nada de mais em um cachorro morder o homem. Mas se o homem morder o cachorro, isso sim é notícia.” Esse teria sido sempre o príncipio-guia que procuraria adotar nas notícias que publica. “Perco o amigo mas não perco a notícia. Vivo disso porra!”

Acaba ou não acaba - a cantilena sobre o jornalismo impresso

Mais por paixão do que por uma avaliação, digamos, racional, Gois aposta que o papel, e por extensão o jornalismo impresso, tem uma longa vida pela frente. “Pelo menos não quero que acabe.” Ele lembra que, a rigor, a morte do impresso está anunciada desde os anos 1920, época da invenção do rádio. Mas ele avalia que “quem ficar fora desse mundo [internet] é bobo. Deveria ser assim: o que aparecer pela frente eu traço. Seja jornal de TV, rádio, internet […].”

Gois ainda ver que se atribui muito mais legitimidade ao jornalismo impresso do que ao online. “Ainda não podemos apontar nenhum nome importante do jornalismo digital. Mas tudo indica que isso vai mudar: até uns 20 anos atrás, por exemplo, ninguém dava legitimidade pro jornalismo feito na TV.”

Com um reconhecido saudosismo ele comenta que agora ninguém teria mais tempo pra ler um livro, uma poesia.

Vejo o corre-corre de meus filhos e fico impressionado com aquilo.” A internet seria sim uma grande oportunidade, “mas também é impressionante o quanto ela deixa à mostra o que há de pior na alma humana. No fundo, acredito que seja um grande banheiro de rodoviária do interior do Brasil: cheio de palavrões, baixaria […]

Um ponto de vista interessante sobre essa, digamos, avalanche de expressividade, pode ser lido na postagem do Henrique Antoun “A garotada pertuba a mídia no orkut”.

Saiu a matéria do JB sobre a garotada que usa o orkut. A Juliana da Rocha me ligou e pediu pra que eu respondesse umas perguntas q me mandou por e-mail. Usou um pouquinho na matéria. Vou publicar tudo aqui. É o mínimo q eu posso fazer pela garotada que começa a enfrentar a caretice familiar alavancada pelo cinismo da mídia de massa nestas plagas.

Ainda do Henrique, uma outra avalição pode ser acompanhada no post “O gato saiu do saco”. Esse texto é sobre a fala dele na edição que aconteceu em Vitória do seminário “A Constituição do Comum“. 

Centralidade da informação

Afagando o ego de calouros e focas - mas não deixando de fazer uma constatação - Ancelmo comenta que nunca como agora a sociedade foi tão estruturada pela comunicação. Isso apontaria uma grande oportunidade para quem vive, ó eu aqui, de apurar e transmitar informações. “As pessoas precisam de se alimentar mas também precisam de informação. Sem ela, ninguém sai do lugar. E nós somos catadores de informação. Fomos ‘eleitos’ para isso. Vcs estão na ponta de todo esse processo. É por isso que gosto muito dessa profissão, é a melhor do mundo, e acredito que nunca vai acabar.”

Causos

A tal da objetividade, lembra Ancelmo, não existe e também “não vejo nenhum problema nisso. O que  não pode é vc ser desonesto com os fatos.” Tipo: dizer que meia dúzia de pessoas numa passeata era uma multidão.

A partir disso ele comentou que não gosta do Galvão Bueno - ele e mais essa multidão aqui -  e aproveitou a deixa pesquisar nas ruas para quem as pessoas repetiriam a tal frase do rei espanhol “Por que nao te calas?“.

Os mais cotados teriam sido Pelé, Caetano Veloso, outros tantos e Galvão. Ancelmo teria dado um jeitinho para o nome do dito cujo também fosse publicado na lista dos desafetos do povão. “Ele é um chato. Se Deus fosse conversar com Galvão, o Criador iria sair com crise de auto-estima.”

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