Resultados de pesquisas na web e política do controle. O caso Abu Ghraib February 29, 2008
Posted by Ezequiel Vieira in : Governabilidade, internet, política , 1 comment so farEm abril de 2004 se disseminaram na internet e depois na imprensa e na televisão de todo o mundo as sádicas fotos de Abu Ghraib.”
O ALT1040 publica que novas fotos teriam aparecido e agora fazem parte de uma apresentação chamada “Cómo buenas personas se pueden hacer malignas, de Stanford a Abu Ghraib” .
O autor espanhol Lorenzo Vilches toma esse exemplo, quando aconteceu em 2004, para questionar os critérios de categorização do que é elencado como resultado das buscas que fazemos na internet - a busca que ele fez por essas imagens realizada em dois momentos diferentes teria suprimido exatamente as imagens mais impactantes.
Lorenzo argumenta que por “trás da lista de resultados de cruzamentos combinatórios por efeito de algoritmos” existe uma inegável intencionalidade política e comercial. Um outro exemplo que exemplifica esse caso vem do motim francês que aconteceu no final de 2005.
Dentre as postagens que Fábio Malini trouxe em seu blog, ele conta que
o governo francês utilizou estratégia de controle da web para obter apoio às medidas do Ministro do Interior, Nicolas Sarkozy (que chamou os suburbanos de “escória”).
A estratégia foi simples. Um partido da base do governo pagou ao “Google Adword” pelos resultados de busca de determinadas palavras ou termos, redirecionando-os para páginas de apoio à política de Sarkozy. Ou seja, se eu entrasse no google e digitasse a palavra banlieue (subúrbio), as páginas encontradas seriam aquelas onde apareceriam Sarkozy.
Esta lógica e as práticas a ela associadas, frisa Vilches, “(compra de palavras-chaves, de imagens-chaves, garantias de posicionamento na lista de resulatdos - os dez primeitos etc)”, vão influenciar “tanto quanto os sistemas de patrocínio com o qual se torna mais difícil acessar aquelas imagens que nem são pagas, nem são patrocionadas. Um mau assunto para os artistas visuais que se acham fora dos circuitos midiáticos.”
Mais detalhes do que Lorenzo comenta estão publicados no livro Sociedade Midiatizada.
Ezequiel Vieira
Pesquisas e a pintura da realidade ao sabor do que se crê February 21, 2008
Posted by Ezequiel Vieira in : comunicação, economia, empresas, inclusão digital, internet, política, redes, tcc, tecnologia, ufes , add a commentTecnologia sozinha não faz política!
Vai saber se alguém chegou a mudar a proposta de tcc com medo de que alguém roubasse a idéia. Mas teve quem se sentiria mais a vontade se a conversa de orientação com a professora fosse bem ao pé de ouvido. Se possível, com hora individual marcada. O que tinha de mais interessante na massante aula de Métodos e Técnicas de Pesquisa em Comunicação, vulgo pré-tcc, era todo o cuidado quando era apresentado o que se pretendia estudar.
No primeiro dia de aula ao ritual de cada um dizer seus os nomes se somou a apresentação da idéia de projeto que eventualmente alguém já tivesse: todos tinham nome… mas qualquer criança de dois anos saberia contar quantos vinham com um tema já definido. No final do período veio a pergunta:
- Tem mesmo que apresentar, professora?
- Tem sim. Vale nota.
O resultado foi que fiquei sabendo em primeira mão as intenções de pesquisa na Ufes para este 2008/1:
Projeto de criação de uma agência de comunicação; plano de comunicação para um negócio da família; alguma coisa sobre como a imprensa trata da prostituição; o quanto as assessorias de mercado imobiliário pautam o jornalismo; a defesa da tese de que a comunicação interna das empresas ainda é deficiente; a evolução do reposicionamento de imagem de Lula ao longo de suas candidaturas; a evolução do desing de capa da revista Rolling Stone; o jornalismo cultural 2.0 etc etc.
Um levantamento iria mostrar um grande aumento de estudos relacionados à internet, apesar de que neste semestre não parecem ser tantos quantos foram no período passado. O que mais me chamou atenção mesmo é um projeto de uma colega que pretende avaliar se o ambiente digital pode ser suporte de ação para os movimentos sociais - bem na lógica binária do tudo ou nada pelo o que entendi.
Acontece que ela não tem uma tese que pode vir ou não a ser comprovada pela pesquisa. A colega tem um fato sobre o qual ela vai escrever. A tese/fato é cheia de problemas e de convicções que querem virar dado da realidade assim como dois e dois são quatro, o Brasil é pentacampeão mundial e Lula é o atual presidente brasileiro. Existe a crença de que a internet não pode ser usada como meio de mobilização política. A evidência mais gritante seria vista pelo o que as pessoas mais acessariam: sexo, sites de relacionamento, programas de bate-papo, entreterimento a não mais querer etc.
04/05/06 - É possível sim organizar movimentos pela internet. Estive presente em um Congresso no Rio semana passada e pude ouvir uma palestrante falando exatamente sobre isso.
Minha grande pergunta é/foi: Mas foi a internet quem trouxe essa tal massa alienada? A partir de que momento a intensidade do envolvimento político, tal como a projeto de pesquisa parece idealizar, foi satisfatória o bastante a ponto de que um possível retorno a essa tal realidade pudesse resgatar o presente de sua fragilidade a ser robustecida e ilustrada politicamente? Não sei se o autor vai constar na bibliografia da pesquisa mas Manuel Castells é insistente ao afirmar que a internet não reinventa a roda; ela desenvolve e potencializa aquilo que a a sociedade já tem.
01/06/07 - É inegável que “a luta reacendeu com uma força fantástica com o advento da internet”.
A digitalização traz uma matriz distribuída. Um novo paradigma que se caracteriza pela horizontabilidade cooperativa”. Descobrir novas formas de narrativas e de se fazer política se faz necessário. Os modelos anteriores parecem esgotados.
Uma evidência mais metodicamente encontrada sobre a alienação que a técnica promoveria seriam os dados de uma pesquisa feita com líderes comunitários de Vitória. A própria colega buscou saber o quanto de aglutinação em rede esses líderes promovem. A começar que o próprio uso de telefone parece ser luxo - luxo que até minha vó tem, ela que mora no distrito de Timbuí do modesto município de Fundão. Email, computador próprio, acesso à internet parecem ser coisas mais do que restritas ao mundo daselite.
O problema desse tipo de pesquisa é que ela pinta a realidade ao sabor daquilo que já se tem como crença e/ou fato - o que acaba por sumariamente eliminar os dados que possam apontar outra coisa. Na verdade a questão é outra.
Esse tipo de pensamento que tanto costuma dizer que busca inspiração em Milton Santos deve ter feitos sim uma ampla leitura daquilo que ele escreveu. Da mesma forma que ouço gente dizer que é marxista sem nunca ter passado da orelha de O Capital. “Pelo menos tenho ideologia”, dizem. Sim. Ideologia ingênua e incompente do “ouvi dizer”. Também ouvir dizer que era verso bílblico algo como de “mil passarás mas de dois mil não passarás”. Mal e porcamente li a bíblia três vezes e nunca achei tal profecia que errou em pelo menos oito anos…
Milton Santos faz sim uma contundente crítica à globalização, que ele caracteriza como uma tirania da informação e do dinheiro que promovem exclusão e desencadeiam violências sistêmicas. Mas ele tá longe de atribuir à técnica em si a determinação para qualquer tipo, ou para qualquer escala, de ação política.
21/05/07 - A fala de Giuseppe se encerra com uma questão em aberto e ao mesmo tempo retórica. De que forma se pode fazer com que a sociedade seja cidadã, e por fim produtiva, se de forma maciça ela não tem acesso aos meios de produção para fazer circular o seu trabalho na lógica de redes, uma vez que - como tanto frisa Vilches com boa dose de ceticismo - a internet traz uma técnica com grande horizontabilidade e potencial democrático, mas a intenção política é pré-requisito espinhal para que essa virtualidade democrática se materialize (ou se atualize - para se opor ao conceito de virtual).
Para o bem ou para o mal é o mesmo Milton Santos quem escreve que “é o homem quem fabrica a natureza, ou lhe atribui valor e sentido, por meio de suas ações já realizadas, em curso ou meramente realizadas.”
Ou seja, Tec-no-lo-gi-a so-zi-nha não faz po-lí-ti-ca.
A grande questão é a ser problematizada é saber por que, uma vez podendo, esses tais líderes comunitários não usam as novas tecnologias como novo suporte de ação. Nesse contexto a entrevista publicada em setembro passado cai como uma luva - “Temos muitas possibilidades, mas pouca vontade de agir”.
3. Até que ponto as TICs [teconogias de comunicação e informação] vem sendo usadas pelos movimentos sociais como instrumento de mobilização política? Quais os principais avanços e desafios podem ser identificados?
Creio que as TICs sejam potencialmente revolucionárias na capacidade de dispor conteúdos para além da pauta hegemônica, conectar pessoas mundo afora, reforçar comunidades, contradizer “verdades”, articular movimentos etc. Mas acho que vivemos um paradoxo: temos muitas possibilidades de ação, mas pouca vontade de agir. Parece-me que falta projeto de transformação capaz de mobilizar a maioria. Vive-se um desencanto com a política de verdade, aquela, nas palavras de Milton Santos, capaz de pensar as mudanças e criar as condições de torná-las efetivas.
Esse déficit gera a pauta da “política da vida” (Bauman), em que a nossa agenda é sobreviver, cuidar do próprio destino, como se fosse possível estar insulado num oceano de problemas coletivos. De qualquer maneira, toda revolução só se faz por processo e por educação. Ter tecnologias que somam e potencializam esse projeto já é algo a se destacar. Ter movimentos sociais e articulações várias usufruindo dessas tecnologias é um bom sinal. É mostra de que em uma realidade hegemônica renovada em suas estratégias, novos caminhos contra-hegemônicos se estabelecem.
O grande lamento a ser feito, ou melhor, o grande ponto a ser problematizado e superado é essa política míope que ainda carrega no andar o peso e o tilintar do maquinário e o cheiro da oleosidade industrial.
25/05/07 - Uma outra mudança estrutural do modo de se fazer política seria desencadeada a partir dos movimentos zapatistas, de Seatle e fóruns sociais mundiais - ver texto ‘Auto-Organização da Inteligência Coletiva Global - Uma estratégia para o movimento pós-Seattle-Gênova por Franco Berardi (Bifo)”.
Ainda no que Milton Santos escreveu
“Os sistemas técnicos de que se valem os atuais atores hegemônicos estão sendo utilizados para reduzir o escopo da vida humana sobre o planeta. No entanto, jamais houve na história sistemas tão propícios a facilitar a vida e a proporcionar a felicidade dos homens. A materialidade de que o mundo da globalização está recriando permite um uso radicalmente diferente daquele que era a base da industrialização e do imperialismo.
A técnica das máquinas exigia investimentos maciços, seguindo-se a necessidade e a concentração dos capitais e do próprio sistema técnico. Daí a inflexibilidade física e moral das operações, levando a um uso limitado, direcionado, da inteligência e da criatividade. Já o computador, símbolo das técnicas de informação, reclama capitais fixos relativamente pequenos, enquanto seu uso é mais dependente da inteligência. O investimento necessário pode ser fragmentado e torna-se possível sua adaptação aos mais diversos meios” - grifos meus.
09/05/07 - A luta política hoje não se fará entre entre direita e esquerda, mas entre quem vê televisão sem uma resposta e quem adere a Net com uma informação muito mais completa e que todos podem gerir e alimentar - Derrick de Kerckhove.
Ezequiel Vieira
Google X Microsoft e a hipocrisia na disputa pelo Yahoo! February 11, 2008
Posted by Ezequiel Vieira in : economia, empresas, internet , add a commentUpdate - 12/02. Nunca encontrei tantas notícias de fusões e aberturas de capital quanto agora. Isso pode ser porque agora minha atenção está voltada para esse assunto. Mas também essa monopolização de mercados cada qual na sua área de atuação possa indicar a intensificação de uma mudança que passou de um mero flerte à alguma coisa mais intensa e estável - palavra em extinção num cenário sempre caracterizado como volátil. Daqui a duas semanas publico uma postagem sobre esse tema de fusões - no lugar de crescerem o que de fato acontece é que as empresas estão encolhendo.
Mas o que de fato interessa neste post é sobre a compra do Yahoo! pela Microsoft. Por ora, o Yahoo! rejeitou a oferta. Eduardo Largos aponta nesse cenário a briga entre o roto e o esfarrapado - ou, biblicamnete, entre quem tem a trave no olho e ainda assim insiste em encarar o cisco no olho do outro.
Largos comenta que o Yahoo! tá meio como espectador no que na verdade “poco a poco está mutando para convertirse en una extraña batalla entre Google vs. Microsoft con un intercambio de declaraciones oficiales y un “pequeño” Yahoo! que queda en el medio“.
Nesse brincadeira toda de quem não somente péga, mas se casa primeiro, a auto-estima do Yahoo! vai indo muito bem. As ações da empresa voltaram a subir verticalmente mês passado depois de um 2007 recatado e das projeções para um 2008 pouco promissor - as ações da Microsoft estão em queda. Aliás, segundo o Google Trends, a Microsoft tem despertado pouco interesse nas pesquisas feitas pelos internautas: no mês de janeiro a empresa contou com uma estabilidade linear enquanto o Google e o Yahoo ficaram trocando de posições.
- Eis algumas picuínhas cínicas
- O Google acusou a Microsoft de querer formar um monopólio
- A Microsoft teria devolvido dizendo que não é ela quem domina 75 das buscas patrocinadas “el 65% del mercado de búsquedas en Estados Unidos y 85% en Europa.”
- O pouco inocente Yahoo! agora estaria disposto a reconsiderar uma aliança proposta pelo Google meses atrás.
Via ALT1040
Ezequiel Vieira
Tendências e cenários do jornalismo na internet December 14, 2007
Posted by Ezequiel Vieira in : "Jornalismo Cidadão", eventos/debates, internet, jornalismo , 2 commentsTermina hoje na UFBa um mini-curso em jornalismo na internet como parte do I Colóquio Internacional Brasil-Espanha sobre Cibermeios [acesso]. O Yuri Almeida, que fez a cobertura do mini-curso, conta que foram “cinco dias de palestras sobre narrativas, jornalismo digital, blogs, ensino de jornalismo, entre outros.”
Com uma boa opção de posts, vídeos e podcasts, até agora Yuri dividiu sua cobertura em quatro partes, conforme os dias em que as palestras aconteceram:
Parte I - Redacción para periódicos digitales. “O texto longo não morreu, o que mudou (com a internet) foi a forma de apresentá-lo”. Dr. Javier Díaz Noci, da Universidade del País Vasco.
Parte II - Blogs, esfera pública y periodismo ciudadano. Prof. Dr. Guillermo López (Universidad de Valencia). Neste caso, duas características apontadas na postagem como sendo da sociedade em rede me chamaram atenção:
- Os meios de comunicação são formatados em rede, o que possibilita a descentralização do debate.
- O fluxo comunicacional torna-se multidirecional e em vários níveis.
Como passei boa parte desse período vendo Habermas em Filosofia e Ética [resumo de seminário apresentado], logo lembrei do pensamento habermasiano. Para ele o que deve existir é a intersubjetividade onde o conhecimento é alcançado pela racionalidade centrada na comunicação. Mesmo tendo desenvolvido seu pensamento bem antes da internet, me parece que, como nunca antes, o pensamento de Habermas foi tão atual.
Parte III - Enseñanza del Ciberperiodismo en la Universidad española. Prof. Dr. Koldo Meso (Universidad del País Vasco).
Meso apontou que o jornalista digital deve ter as seguintes características
- Conhecimento das novas ferramentas de informação e comunicação;
- Aquisição de conteúdos teóricos e práticos que orientem a execução do ciberjornalismo;
- Redação de mensagens para diferentes “formatos”, com linguagem próprias a cada um destes;
- Compreender o grau de noticiabilidade para web;
- Possuir uma enorme capacidade para aprender, reciclagem contínua, multifuncionalidade e tecnologicamente ativo.
Parte IV - El impacto de Internet en las rutinas periodísticas. Prof. Dr. Pere Masip (Universidad Ramón Llull).
Yuri traz que Masip contextualizou a relação dos jornalistas com a internet. O professor também teria lembrado do início das primeiras homes e sua lógica de simples transposição de conteúdos bem como das falhas organizacionais empresariais na implantação da internet nas redações. Masip destaca que essa migração digital foi feita de forma improvisada, fragmentada e sem política de conectividade (poucos computadores com acesso à internet) e a web não era vista como possibilidade de negócio e ferramenta de trabalho.
- Acesse mais no blog do Yuri, Herdeiro Caos. Fico devendo as anotações do Fórum de Comunicação que aconteceu aqui na Ufes. Agora que o semestre acabou, vou tentar agilizar isso.
Fórum de comunicação na Ufes com cobertura wiki November 27, 2007
Posted by Ezequiel Vieira in : "Jornalismo Cidadão", cibercultura, comunicação, eventos/debates, internet, jornalismo , add a commentA edição do Foco desse ano vem com uma novidade: no lugar de ser criado mais um blog para relatar o que rolou pelas palestras, essa 5ª edição terá uma cobertura wiki.
A surpresa veio quando foi colocada em votação a eliminação do verbete da wikipedia “Página de propaganda de um forum de uma universidade. Não diz de maneira sobre o que o fórum trata. Uso da wiki para propaganda“. O resultado da votação sai no dia três de dezembro. Por lá, o organizador do evento, Fábio Malini, apela para o óbvio:
Não sei quem deliberou que se trata de propaganda de evento. Ao contrário, é um projeto de registro de memória de acontecimento anual da universidade pública no Espírito Santo/Brasil. Um fato com notícias e informações, tal como existe aqui: cobertura do acidente da TAm em São Paulo, Copa do Mundo etc. Estão envolvidos na produção desse verbete mais de 20 colaboradores, que são estudantes de jornalismo, que, em vez de estarem a trabalhar numa mídia proprietária, estão construindo esse ambiente cooperativo.
Por ora, sigo com minhas anotações. Assim que arrumar um tempinho, publico por aqui as minhas impressões do que acompanhei.



