Vale sempre agiu como se fosse empresa privada August 28, 2007
Posted by Ezequiel Vieira in : Estado, cvrd, política, política/ES, privatização , 4 commentsO tal plebiscito de reestatização da Vale começa no sábado. Acho um belo marketing que o PSTU e cia fazem para dizer que existem. Mas é válido. É democrático.
- Tem até um documentário sobre a campanha que tá no Youtube desde julho.
Nem me diverte o fato de ainda não ter uma concepção de Estado. Me é muito cômoda agora. Isso me faz querer saber na ponta do lápis que diferença existe entre uma empresa estatal e uma privada.
Semana passada fui numa palestra de divulgação aqui na Ufes sobre esse tal plebiscito. Não iria se a empresa não fosse tema de minha monografia. O discurso me pareceu mais um ataque de raiva do que uma discussão política de concepção e forma de atuação estatal.
Digo raiva porque o sonho de reestatização me parece passar muito mais pelo lucro que a Cvrd vem tendo do que pelo fato de ela ter sido leiloada por um preço simbólico, sendo que parte dele também foi financiado pelo BNDES. Mas ele não fez isso apenas com a Vale. Globo e Aracruz Celulose também receberam afagos.
Ainda na palestra na Ufes, pinço frases do tipo “Reestatizar a Vale para que integre a classe trabalhadora na gestão da empresa”. Me parece mais lúcido o debate no Senado onde Cristóvam Buarque argumentou que o capital de empresa, sendo privado ou estatal, não costuma ter como meta fundamental a diminuição de pobreza e coisa do tipo. Tem muito mais questões por aí. (more…)
Estatal ou privado, o capital não contempla a sociedade, argumenta Buarque August 8, 2007
Posted by Ezequiel Vieira in : Estado, cvrd, privatização , 3 commentsEm meu processo de varredura sobre a Vale do Rio Doce, encontrei vídeos sobre a empresa. No Youtube se tem uma discussão feita em junho no Senado, quando a Vale completou 65 anos de criação, sobre privatização e estatização.
A iniciativa do pronunciamento (transcrição) foi do senador José Nery (Psol/BA) para falar sobre o plebiscito de reestatização a se realizar em setembro. Heráclito Fortes (DEM/PI) e Cristovam Buarque (PDT/DF) foram alguns dos que fizeram apartes.
Ambos os pedidos de palavra foram para relativizar a figuração problemática que Nery construiu sobre privatizações em geral e, no caso do discurso em questão, a da Vale. Nery argumenta que os lugares onde a ex-estatal fica no Pará “são regiões marcadas pela exclusão, pela miséria de forma cada vez crescente.” Ele completa dizendo que o crescimento da Vale não traz nenhum benefício para a maioria da população.
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Fortes cita o caso do leilão da telefonia para dizer que “hoje se compra telefone na esquina” em oposição ao bom tempo em que antes se aguardava para se ter um aparelho funcionando em casa. Meu irmão, por exemplo, ficou três anos esperando. Outro dia consegui que em menos de 48h, pelo telefone mesmo, que fosse instalado um aparelho na casa de minha mãe. Sobre celulares, até minha avó que mora no interior de Fundão/ES (!) se encheu de razão e decidiu comprar um - ela dispensou o telefone convencional.
O aparte de Buarque buscou matizar e não colocar a questão em termos absolutos. Ele afirma que é importante “sair do caso específico do Pará, e da empresa que o Sr. está tratando para o caso mais profundo - estatização e privatização.” Ele argumenta que também deveria ser avaliado “todo o processo de estatização que ocorreu a partir da metade do século XX.” O senador comenta o que chega a ser evidente. Existem acertos e erros nos dois casos. Ele também sugere que não há muita diferença entre os beneficiários tanto numa situação como na outra.
Buarque diz que as estatais brasileiras também serviram e servem às chamadas elites. Ele lembra que se for feito um balanço do que as estatais já fizeram para se reduzir a pobreza no Brasil, “vai se ver que foi muito pouco.” Uma estatal, pelo simples fato de assim o ser, não é um tótem puro e intocável.
Ao redor das instalações da Petrobras, por exemplo, existiria a mesma miséria que estaria no entorno das mineradoras privadas. Não seria enfim uma questão de propriedade do capital, acredita Buarque. Mas da relação que se estabelece entre esse mesmo capital e a sociedade. “No Brasil o capital está isolado da sociedade. Seja nas mãos do Estado, seja nas mãos do setor privado.”



