Palestra na Ufes sobre comunicação externa da CST June 15, 2008
Posted by Ezequiel Vieira in : comunicação, cvrd, empresas, eventos/debates, tcc, ufes , add a commentSeria bom demais para dar uma incrementada extra na redação de minha monografia se a palestra fosse sobre a comunicação da Vale. Será sobre a da CST, atual Arcelor Mittal. Na próxima 4ª feira (18/06) o assessor de imprensa da empresa estará na Ufes para falar sobre o seguinte “A comunicação externa na CST: produtos e processos“.
A palestra faz parte do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Estratégica e Gestão de Imagem da universidade mas é aberta para quem quiser comparecer.O encontro vai acontecer próximo ao Cine Metropólis no Cemuni 5, sala 1A.
Para mais informações entre em contato com o coordenador do curso da Pós, Fábio Malini: 9901-8130 / 4009-2603.
Minha choradeira é porque, pela via institucional, consegui poucas informações históricas sobre como era organizada e também sobre o investimento da Vale na área de comunicação. Muito do material a que tive acesso foi por artigos já publicados, seminários apresentados além de alguns mestrados disponíveis na Internet.
Mas foi muito por base de aproximação de datas e cruzamento de informações. Traçar uma linha do tempo mais ou menos precisa sobre o site da Vale foi um desafio.
Segue trecho do TCC:
A Internet chegou no Brasil em 1988 por iniciativa da comunidade acadêmica de São Paulo (FAPESP - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e do Rio de Janeiro UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e LNCC (Laboratório Nacional de Computação Científica).
Em 1991, a Fundação Nacional de Ciências dos Estados Unidos libera a rede para uso comercial (Martinuzzo, 2006), o que só acontece pelo Brasil em 1995. A partir de então, surgia oportunidade para que usuários fora da comunidade de educação e pesquisa do país também obtivessem acesso à Internet, o que inclui a iniciativa privada.
Segundo Baptista (2001, p. 12), um estudo organizado pela empresa de consultoria E-Consulting, de dezembro de 2000, pesquisou a utilização da Internet no Brasil entre 114 empresas. O estudo teria apontado que 74% das empresas faziam uso institucional (Websites), 55% utilizavam de forma interna (Intranet), 52% estariam usando para compra, 62% para venda, 68% utilizariam de forma voltada para o cliente e apenas 9% das empresas pesquisadas possuíam ou estariam implementando todas essas ações de forma planejada e integrada.
Também em 2000, o número total de domínios comerciais na Internet nacional somariam 159.556 (Baptista, 2001). Entre outubro e novembro de 2007 o percentual de empresas que mantinham website ainda era de 46%, mas essa porcentagem vai a 80% quando se considera empresas com o número maior do que 250 funcionários.4
Sem fazer referência a nomes, Baptista (2001, p. 82) diz que apenas 11 empresas implementaram alguma versão de site institucional ainda no ano em que a Internet comercial foi inaugurada no Brasil. A autora também aponta para estudos, publicados em 1998, que indicariam a subutilização da Internet pelas empresas nacionais.
Na série de casos aos quais ela faz referência, tem-se que a primeira versão do site da Vale seria de janeiro de 1996. Já no Internet Archive, site que faz catalogação do histórico de um amplo número de websites, o primeiro registro de um site da Vale só vai ocorrer em maio de 19985. A propósito de comparação, é de fevereiro de 1997, segundo esse mesmo site de catalogação, o primeiro registro sobre uma experiência de site da Petrobrás6.
Antes dessas informações serem encontradas, a atual gerente do site da Vale Natacha Cano havia informado que o planejamento em torno da criação de um website só havia começado em 2000. No cenário que antecedia a este marco institucional, na avaliação de Natacha Cano, “ainda não havia no Brasil uma cultura de Internet”. Dessa forma, o planejamento em torno de um site como forma efetiva comunicação institucional só teria começado a partir de 2000, tendo o resultado vindo a público em 2003. Em relação ao registro de versões anteriores, Natacha diz: “eram experiências isoladas na web, sendo em 2003 o site em aderência ao planejamento da Vale. Se analisar [essas versões] em profundidade, perceberá rapidamente que a arquitetura da informação na imagem não reflete a essência da Vale”.
O que de fato acontece é que foram poucas as empresas que tiveram sensibilidade o bastante para perceber que a criação de um website, pelas possibilidades que trazia, era mais do que subestimado ao se restringir a uma “carta de apresentação” – e as ações iniciais da Vale não alçaram vôo para além deste cenário: a disponibilização de informações sobre a Cia e de seus produtos, mas sem que implicasse o comprometimento com uma estratégia online. Isso mesmo a Cia se caracterizando como uma “Empresa competitiva, diversificada e de âmbito internacional (CVRD, 1992, p. 288).” - grifo meu. Na nota de rodapé da versão de 1998 do site como registro:
As informações constantes nas páginas da CVRD foram compiladas para sua conveniência. A CVRD tomou todo o cuidado razoável para produzir estas informações. Entretanto, não podemos garantir que as informações serão suficientes para responder completamente a todas as suas perguntas ou que estão atualizadas. Também não nos responsabilizamos por qualquer fato decorrente do uso das informações contidas nas páginas. Aconselhamos a prévia consulta a um profissional independente antes da realização de qualquer investimento. É oferecida ainda a possibilidade de se fazer um “download” de informações para uso pessoal. Porém, toda e qualquer informação contida nas páginas só poderá ser reproduzida ou modificada mediante prévia autorização por escrito da CVRD.”
O plano estratégico da Vale para o período de 1990 a 2009 chama ainda mais atenção se o discurso for comparado com o que foi praticado de fato, via um website institucional. Diz a empresa (CVRD, 1992, p. 288):
No plano internacional, alguns fatores contribuíram decisivamente para o planejamento empresarial da Vale do Rio Doce. Entre eles, merecem menção a informatização e a terceirização das economias desenvolvidas e sua difusão para as subdesenvolvidas; a forte inter-relação das economias desenvolvidas, ampliando os efeitos recessivos e de expansão […] - grifo meu
Se for considerado que a primeira versão tem por data o ano de 1996, foram sete anos, até que viesse a público o resultado de um website pensado como forma de comunicação competitiva, envolvendo dedicação da Cia e requerendo gestão específica.
Não por acaso, a contratação de Natacha Cano, com formação em publicidade pela Pontifícia Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), acontece exatamente em 2003. Ela conta que, em relação à hoje, quatro pessoas dos quadros da Vale, com formação em Comunicação, são integralmente dedicadas à gestão do site. Segundo informações de Natacha, a esse número, somam-se mais seis empresas que trabalhariam em parceria na manutenção do website: três delas na contribuição do fornecimento de conteúdo para assuntos institucionais relacionados com relações com investidores e imprensa.
Se dentre as críticas feitas à Vale estava a falta de transparência em suas ações, conforme visto no capítulo anterior, Natacha diz que o site foi pensado como a forma fundamental para manter transparência com todos os públicos com os quais a Vale se relaciona.9 “É essa a imagem que queremos passar”, afirma. Desde o marco institucional em 2003, ela explica também que o site teria passado por mudanças pontuais em sua estrutura até a completa reformulação de seu design em novembro de 2007, como parte do projeto de adaptação à nova logomarca da Cia.
Ezequiel Vieira
Comunicação da Petrobras e da Vale March 24, 2008
Posted by Ezequiel Vieira in : cvrd, empresas, marcas , add a commentEm janeiro foi publicado a lista das maiores empresas da América Latina. Petrobras e Vale, nessa ordem e entre as empresas de capital aberto, encabeçam o ranking das maiores em valor de mercado. O levantamento foi feito pela consultoria Economatica.
O alvo da minha pesquisa é a comunicação externa da Vale (site) mas me interessa saber o quanto o investimento em comunicação pode pesar, e tem pesado, para que tal posicionamento seja alcançado e mantido.
Fui tentar entender esse peso comunicacional pelo relatório de atividades que as duas publicam. O da Petrobras me satisfez muito mais do que o da Vale. O relatório de 2007 ainda não tá disponível online então a base de comparação foi o ano de 2006.
O relatório da estatal é muito mais didático e explicativo nesse assunto. Lá pela página 80 vem a seção Ativos Intangíveis. Capital Organizacional. Nesta seção existe o destaque para o fato da marca da empresa ter aumentado seu valor em 94% entre 2003 e 2005. Fora, ainda, a explicação, ou tentativa disso, sobre como se conseguiu tal feito.
Nesse mesmo sentido o relatório da Vale é mais generalista. Quando parece que alguma coisa vai ficar específica, tem-se apenas uma página intulada Comunicação Interna. Pois bem, quero saber sobre comunicação externa, evolução de gastos na área, o porquê dessa evolução etc, etc - quero fazer o caminho que motivou a criação do site da empresa.
Talvez, no que será publicado referente ao ano passado, alguma coisa mude e fique mais específica naquilo que me interessa - investimento em ativos intangíveis. Isso porque é impossível falar das atividades da Cia em 2007 sem registrar o reposicionamento de imagem anunciado em novembro - em função dessa mudança, o site foi totalmente alterado.
Os tais elementos de ativos intangíveis que busquei no relatório não são nomeados tão diretamente como a Petrobras faz. Se frisa bastante a consolidação da globalidade da empresa com a aquisição da canadense Inco. Depois dessa fusão e a partir do Canadá, é a Vale Inco quem controla a presença da Vale (sede no RJ) no País de Gales, Inglaterra e Alemanha.
Usando lupa para tentar fazer uma diferenciação, as ações da Vale me parecem ser focadas em coisas mais ligadas ao cotidiano - programas de alfabetização, voluntariado, participação no desenvolvimento da economina local onde atua etc e mais etc. Não deve ser por acaso o fato de Giuseppe Cocco ter dito que é a Vale quem dá as cartas no Espírito Santo.
Em suma. Terei que ler novamente o tal relatório pra reunir o que, nele, tá disperso - em que medida a comunicação importa para a Vale e em que grau é suporte e influência na lucratividade de seus negócios?
Pelo relatório não consegui fazer essa identicação. Depois de uma segunda leitura, parto para as entrevistas.
Ezequiel Vieira
TAM, Xerox, Varig, Vale… por que tanto reposicionamento de imagem? February 25, 2008
Posted by Ezequiel Vieira in : cvrd, empresas, marcas , 1 comment so farA partir de sexta passada a TAM passou a veicular seu novo posicionamento de imagem. O objetivo é a tentativa de reverter o desgaste pelo qual a empresa passou com a tragédia em Congonhas em julho passado. Na verdade a imagem da Cia não nada bem faz tempo. O nome da empresa praticamente virou sinônimo de acidente áereo. Quando fui pra Brasília em 2002 minhas passagens eram da TAM e a piadinha sádica que ouvi foi: Cuidado, hein! Quando, em setembro de 2006, o avião da Gol caiu a perguntinha automática lá em casa era: Foi da TAM?
A criação da nova logomarca é de autoria das agências Y&R, do Grupo Newcomm, da Thymus Branding e Dezign com Z. A Y&R também assina a campanha publicitária institucional - o roteiro com o processo de mudança pode ser acessado lá lo Youtube.
Como nunca ouvi tantos processos de fusões corporativas tampouco lembro de tantas iniciativas de mudanças de marca. Ainda pelo campo da aviãção em outubro era a Varing; em novembro era a Vale e neste começo de ano acompanho no blog Comunicadores que foi a vez da Xerox. Nesse mesmo link anterior alguém assinando como Biel Alvernaz diz que é funcionário da Xerox no Rio e comenta a quantas andariam a repercussão dessa mudança por lá:
Aqui há controvérsias sobre o novo logo, fato que a maioria achou mais bonito, mais leve, menos carrancudo como muitos dizem, a maioria devastadora aprovou de cara, porém, quando ficamos sabendo que a Xerox Brasil vai gastar milhões por conta disso, as opiniões se dividiram… todos os crachás, pastas, bandeirinhas, uniformes, placas, letreiros, documentos, tudo vai ter que ser mudado, um custo gigantesco…
Enfim, sobre o logo, eu particularmente gostei, ele vem acompanhado da nova campanha da Xerox que é especiamente para o Brasil, sobre as cores da Amazônia. O logo significa a integração da emrpesa com funcionários e clientes, e com ela mesma, um tipo de auto-afirmação do mundialismo da empresa, enquanto as campanhas publicitárias passam a ser individualmente de cada país, uma forma de mostrar que a Xerox é uma empresa mundial ao mesmo tempo que tenta se adaptar a cada país - grifo meu.
Ainda não vi algum anúncio decente e de veiculação contínua que fosse barato. Um reposicionamento de imagem não deveria ficar por menos. Não sei o quanto a TAM ou a Xerox investiram nisso mas não deve ser o mesmo que um anunciozinho em uma midiazinha local qualquer. Tudo sai muito caro e empresa nenhuma vai ficar fazendo do dinheiro barquinhos de papel para lançá-los ao mar quando nada de mais interessante tiverem pra fazer.
Acredito que a grande pergunta a ser feita é saber por que, sendo tão caro, ainda assim as empresas investem tanto em imagem e vem acontecendo tantas mudanças de logomarca - pelo menos agora com o tcc é que fui prestar atenção.
A Vale, por exemplo, diz que vai gastar 50 milhões de dólares até completar todo o seu processo de adaptação à nova marca. Roger Agnelli acha que é muito. O Diretor de Assuntos Corporativos e Energia Tito Martins pensa diferente do presidente da empresa e diz que chega a ser pouco se comparado com outras mudanças mundo afora.

O que percebo é que todas essas mudanças seguem o mesmo princípio de se adaptarem a especificidade de cada região mas não abrem mão de unificar todas essas diferenças em torno de sua logomarca - O localismo unificado numa marca global.
Agnelli diz que a Vale é a primeira empresa sediada no Brasil a lançar uma marca com objetivos globais. A logomarca da Cia agora passa a ser exatamente a mesma em qualquer canto onde a mineradora esteja.
“A alma da Vale é a alma brasileira, mas a Vale também é resultado da globalização. Então, nós somos uma empresa cuja nacionalidade é a nacionalidade aonde nós estamos presentes. Então, no Canadá nós somos uma empresa canadense, na China nós somos uma empresa chinesa, na África do Sul somos uma empresa sul africana, na Austrália é uma empresa australiana, mas nós somos uma gigante empresa brasileira presente em todos esses países.”
Acesse mais sobre o reposicionamento de imagem da Vale na transcrição da coletiva de imprensa, também disponível em vídeo, feita em novembro passado.
Acesse também
07/02 - Marca como síntese mântrica da organização
03/01 - O localismo unificado numa marca global
28/12/07 - “Ser querido é a diferença para os concorrentes”
03/12/07 - CVRD sobe a montanha e vira VALE
14/11/07 - Lista das 10 maiores empresas e de marca mais valiosa
Ezequiel Vieira
Pesquisas e a pintura da realidade ao sabor do que se crê February 21, 2008
Posted by Ezequiel Vieira in : comunicação, economia, empresas, inclusão digital, internet, política, redes, tcc, tecnologia, ufes , add a commentTecnologia sozinha não faz política!
Vai saber se alguém chegou a mudar a proposta de tcc com medo de que alguém roubasse a idéia. Mas teve quem se sentiria mais a vontade se a conversa de orientação com a professora fosse bem ao pé de ouvido. Se possível, com hora individual marcada. O que tinha de mais interessante na massante aula de Métodos e Técnicas de Pesquisa em Comunicação, vulgo pré-tcc, era todo o cuidado quando era apresentado o que se pretendia estudar.
No primeiro dia de aula ao ritual de cada um dizer seus os nomes se somou a apresentação da idéia de projeto que eventualmente alguém já tivesse: todos tinham nome… mas qualquer criança de dois anos saberia contar quantos vinham com um tema já definido. No final do período veio a pergunta:
- Tem mesmo que apresentar, professora?
- Tem sim. Vale nota.
O resultado foi que fiquei sabendo em primeira mão as intenções de pesquisa na Ufes para este 2008/1:
Projeto de criação de uma agência de comunicação; plano de comunicação para um negócio da família; alguma coisa sobre como a imprensa trata da prostituição; o quanto as assessorias de mercado imobiliário pautam o jornalismo; a defesa da tese de que a comunicação interna das empresas ainda é deficiente; a evolução do reposicionamento de imagem de Lula ao longo de suas candidaturas; a evolução do desing de capa da revista Rolling Stone; o jornalismo cultural 2.0 etc etc.
Um levantamento iria mostrar um grande aumento de estudos relacionados à internet, apesar de que neste semestre não parecem ser tantos quantos foram no período passado. O que mais me chamou atenção mesmo é um projeto de uma colega que pretende avaliar se o ambiente digital pode ser suporte de ação para os movimentos sociais - bem na lógica binária do tudo ou nada pelo o que entendi.
Acontece que ela não tem uma tese que pode vir ou não a ser comprovada pela pesquisa. A colega tem um fato sobre o qual ela vai escrever. A tese/fato é cheia de problemas e de convicções que querem virar dado da realidade assim como dois e dois são quatro, o Brasil é pentacampeão mundial e Lula é o atual presidente brasileiro. Existe a crença de que a internet não pode ser usada como meio de mobilização política. A evidência mais gritante seria vista pelo o que as pessoas mais acessariam: sexo, sites de relacionamento, programas de bate-papo, entreterimento a não mais querer etc.
04/05/06 - É possível sim organizar movimentos pela internet. Estive presente em um Congresso no Rio semana passada e pude ouvir uma palestrante falando exatamente sobre isso.
Minha grande pergunta é/foi: Mas foi a internet quem trouxe essa tal massa alienada? A partir de que momento a intensidade do envolvimento político, tal como a projeto de pesquisa parece idealizar, foi satisfatória o bastante a ponto de que um possível retorno a essa tal realidade pudesse resgatar o presente de sua fragilidade a ser robustecida e ilustrada politicamente? Não sei se o autor vai constar na bibliografia da pesquisa mas Manuel Castells é insistente ao afirmar que a internet não reinventa a roda; ela desenvolve e potencializa aquilo que a a sociedade já tem.
01/06/07 - É inegável que “a luta reacendeu com uma força fantástica com o advento da internet”.
A digitalização traz uma matriz distribuída. Um novo paradigma que se caracteriza pela horizontabilidade cooperativa”. Descobrir novas formas de narrativas e de se fazer política se faz necessário. Os modelos anteriores parecem esgotados.
Uma evidência mais metodicamente encontrada sobre a alienação que a técnica promoveria seriam os dados de uma pesquisa feita com líderes comunitários de Vitória. A própria colega buscou saber o quanto de aglutinação em rede esses líderes promovem. A começar que o próprio uso de telefone parece ser luxo - luxo que até minha vó tem, ela que mora no distrito de Timbuí do modesto município de Fundão. Email, computador próprio, acesso à internet parecem ser coisas mais do que restritas ao mundo daselite.
O problema desse tipo de pesquisa é que ela pinta a realidade ao sabor daquilo que já se tem como crença e/ou fato - o que acaba por sumariamente eliminar os dados que possam apontar outra coisa. Na verdade a questão é outra.
Esse tipo de pensamento que tanto costuma dizer que busca inspiração em Milton Santos deve ter feitos sim uma ampla leitura daquilo que ele escreveu. Da mesma forma que ouço gente dizer que é marxista sem nunca ter passado da orelha de O Capital. “Pelo menos tenho ideologia”, dizem. Sim. Ideologia ingênua e incompente do “ouvi dizer”. Também ouvir dizer que era verso bílblico algo como de “mil passarás mas de dois mil não passarás”. Mal e porcamente li a bíblia três vezes e nunca achei tal profecia que errou em pelo menos oito anos…
Milton Santos faz sim uma contundente crítica à globalização, que ele caracteriza como uma tirania da informação e do dinheiro que promovem exclusão e desencadeiam violências sistêmicas. Mas ele tá longe de atribuir à técnica em si a determinação para qualquer tipo, ou para qualquer escala, de ação política.
21/05/07 - A fala de Giuseppe se encerra com uma questão em aberto e ao mesmo tempo retórica. De que forma se pode fazer com que a sociedade seja cidadã, e por fim produtiva, se de forma maciça ela não tem acesso aos meios de produção para fazer circular o seu trabalho na lógica de redes, uma vez que - como tanto frisa Vilches com boa dose de ceticismo - a internet traz uma técnica com grande horizontabilidade e potencial democrático, mas a intenção política é pré-requisito espinhal para que essa virtualidade democrática se materialize (ou se atualize - para se opor ao conceito de virtual).
Para o bem ou para o mal é o mesmo Milton Santos quem escreve que “é o homem quem fabrica a natureza, ou lhe atribui valor e sentido, por meio de suas ações já realizadas, em curso ou meramente realizadas.”
Ou seja, Tec-no-lo-gi-a so-zi-nha não faz po-lí-ti-ca.
A grande questão é a ser problematizada é saber por que, uma vez podendo, esses tais líderes comunitários não usam as novas tecnologias como novo suporte de ação. Nesse contexto a entrevista publicada em setembro passado cai como uma luva - “Temos muitas possibilidades, mas pouca vontade de agir”.
3. Até que ponto as TICs [teconogias de comunicação e informação] vem sendo usadas pelos movimentos sociais como instrumento de mobilização política? Quais os principais avanços e desafios podem ser identificados?
Creio que as TICs sejam potencialmente revolucionárias na capacidade de dispor conteúdos para além da pauta hegemônica, conectar pessoas mundo afora, reforçar comunidades, contradizer “verdades”, articular movimentos etc. Mas acho que vivemos um paradoxo: temos muitas possibilidades de ação, mas pouca vontade de agir. Parece-me que falta projeto de transformação capaz de mobilizar a maioria. Vive-se um desencanto com a política de verdade, aquela, nas palavras de Milton Santos, capaz de pensar as mudanças e criar as condições de torná-las efetivas.
Esse déficit gera a pauta da “política da vida” (Bauman), em que a nossa agenda é sobreviver, cuidar do próprio destino, como se fosse possível estar insulado num oceano de problemas coletivos. De qualquer maneira, toda revolução só se faz por processo e por educação. Ter tecnologias que somam e potencializam esse projeto já é algo a se destacar. Ter movimentos sociais e articulações várias usufruindo dessas tecnologias é um bom sinal. É mostra de que em uma realidade hegemônica renovada em suas estratégias, novos caminhos contra-hegemônicos se estabelecem.
O grande lamento a ser feito, ou melhor, o grande ponto a ser problematizado e superado é essa política míope que ainda carrega no andar o peso e o tilintar do maquinário e o cheiro da oleosidade industrial.
25/05/07 - Uma outra mudança estrutural do modo de se fazer política seria desencadeada a partir dos movimentos zapatistas, de Seatle e fóruns sociais mundiais - ver texto ‘Auto-Organização da Inteligência Coletiva Global - Uma estratégia para o movimento pós-Seattle-Gênova por Franco Berardi (Bifo)”.
Ainda no que Milton Santos escreveu
“Os sistemas técnicos de que se valem os atuais atores hegemônicos estão sendo utilizados para reduzir o escopo da vida humana sobre o planeta. No entanto, jamais houve na história sistemas tão propícios a facilitar a vida e a proporcionar a felicidade dos homens. A materialidade de que o mundo da globalização está recriando permite um uso radicalmente diferente daquele que era a base da industrialização e do imperialismo.
A técnica das máquinas exigia investimentos maciços, seguindo-se a necessidade e a concentração dos capitais e do próprio sistema técnico. Daí a inflexibilidade física e moral das operações, levando a um uso limitado, direcionado, da inteligência e da criatividade. Já o computador, símbolo das técnicas de informação, reclama capitais fixos relativamente pequenos, enquanto seu uso é mais dependente da inteligência. O investimento necessário pode ser fragmentado e torna-se possível sua adaptação aos mais diversos meios” - grifos meus.
09/05/07 - A luta política hoje não se fará entre entre direita e esquerda, mas entre quem vê televisão sem uma resposta e quem adere a Net com uma informação muito mais completa e que todos podem gerir e alimentar - Derrick de Kerckhove.
Ezequiel Vieira
Google X Microsoft e a hipocrisia na disputa pelo Yahoo! February 11, 2008
Posted by Ezequiel Vieira in : economia, empresas, internet , add a commentUpdate - 12/02. Nunca encontrei tantas notícias de fusões e aberturas de capital quanto agora. Isso pode ser porque agora minha atenção está voltada para esse assunto. Mas também essa monopolização de mercados cada qual na sua área de atuação possa indicar a intensificação de uma mudança que passou de um mero flerte à alguma coisa mais intensa e estável - palavra em extinção num cenário sempre caracterizado como volátil. Daqui a duas semanas publico uma postagem sobre esse tema de fusões - no lugar de crescerem o que de fato acontece é que as empresas estão encolhendo.
Mas o que de fato interessa neste post é sobre a compra do Yahoo! pela Microsoft. Por ora, o Yahoo! rejeitou a oferta. Eduardo Largos aponta nesse cenário a briga entre o roto e o esfarrapado - ou, biblicamnete, entre quem tem a trave no olho e ainda assim insiste em encarar o cisco no olho do outro.
Largos comenta que o Yahoo! tá meio como espectador no que na verdade “poco a poco está mutando para convertirse en una extraña batalla entre Google vs. Microsoft con un intercambio de declaraciones oficiales y un “pequeño” Yahoo! que queda en el medio“.
Nesse brincadeira toda de quem não somente péga, mas se casa primeiro, a auto-estima do Yahoo! vai indo muito bem. As ações da empresa voltaram a subir verticalmente mês passado depois de um 2007 recatado e das projeções para um 2008 pouco promissor - as ações da Microsoft estão em queda. Aliás, segundo o Google Trends, a Microsoft tem despertado pouco interesse nas pesquisas feitas pelos internautas: no mês de janeiro a empresa contou com uma estabilidade linear enquanto o Google e o Yahoo ficaram trocando de posições.
- Eis algumas picuínhas cínicas
- O Google acusou a Microsoft de querer formar um monopólio
- A Microsoft teria devolvido dizendo que não é ela quem domina 75 das buscas patrocinadas “el 65% del mercado de búsquedas en Estados Unidos y 85% en Europa.”
- O pouco inocente Yahoo! agora estaria disposto a reconsiderar uma aliança proposta pelo Google meses atrás.
Via ALT1040
Ezequiel Vieira



