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Palestra na Ufes sobre comunicação externa da CST June 15, 2008

Posted by Ezequiel Vieira in : comunicação, cvrd, empresas, eventos/debates, tcc, ufes , add a comment

Seria bom demais para dar uma incrementada extra na redação de minha monografia se a palestra fosse sobre a comunicação da Vale. Será sobre a da CST, atual Arcelor Mittal.  Na próxima 4ª feira (18/06) o assessor de imprensa da empresa estará na Ufes para falar sobre o seguinte “A comunicação externa na CST: produtos e processos“.

A palestra faz parte do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Estratégica e Gestão de Imagem da universidade mas é aberta para quem quiser comparecer.O encontro vai acontecer próximo ao Cine Metropólis no Cemuni 5, sala 1A.

Para mais informações entre em contato com o coordenador do curso da Pós, Fábio Malini: 9901-8130 / 4009-2603.

Minha choradeira é porque, pela via institucional, consegui poucas informações históricas sobre como era organizada e também sobre o investimento da Vale na área de comunicação. Muito do material a que tive acesso foi por artigos já publicados, seminários apresentados além de alguns mestrados disponíveis na Internet.

Mas foi muito por base de aproximação de datas e cruzamento de informações. Traçar uma linha do tempo mais ou menos precisa sobre o site da Vale foi um desafio.

Segue trecho do TCC:

A Internet chegou no Brasil em 1988 por iniciativa da comunidade acadêmica de São Paulo (FAPESP - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e do Rio de Janeiro UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e LNCC (Laboratório Nacional de Computação Científica).

Em 1991, a Fundação Nacional de Ciências dos Estados Unidos libera a rede para uso comercial (Martinuzzo, 2006), o que só acontece pelo Brasil em 1995. A partir de então, surgia oportunidade para que usuários fora da comunidade de educação e pesquisa do país também obtivessem acesso à Internet, o que inclui a iniciativa privada.

Segundo Baptista (2001, p. 12), um estudo organizado pela empresa de consultoria E-Consulting, de dezembro de 2000, pesquisou a utilização da Internet no Brasil entre 114 empresas. O estudo teria apontado que 74% das empresas faziam uso institucional (Websites), 55% utilizavam de forma interna (Intranet), 52% estariam usando para compra, 62% para venda, 68% utilizariam de forma voltada para o cliente e apenas 9% das empresas pesquisadas possuíam ou estariam implementando todas essas ações de forma planejada e integrada.

Também em 2000, o número total de domínios comerciais na Internet nacional somariam 159.556 (Baptista, 2001). Entre outubro e novembro de 2007 o percentual de empresas que mantinham website ainda era de 46%, mas essa porcentagem vai a 80% quando se considera empresas com o número maior do que 250 funcionários.4

Sem fazer referência a nomes, Baptista (2001, p. 82) diz que apenas 11 empresas implementaram alguma versão de site institucional ainda no ano em que a Internet comercial foi inaugurada no Brasil. A autora também aponta para estudos, publicados em 1998, que indicariam a subutilização da Internet pelas empresas nacionais.

Na série de casos aos quais ela faz referência, tem-se que a primeira versão do site da Vale seria de janeiro de 1996. Já no Internet Archive, site que faz catalogação do histórico de um amplo número de websites, o primeiro registro de um site da Vale só vai ocorrer em maio de 19985. A propósito de comparação, é de fevereiro de 1997, segundo esse mesmo site de catalogação, o primeiro registro sobre uma experiência de site da Petrobrás6.

Antes dessas informações serem encontradas, a atual gerente do site da Vale Natacha Cano havia informado que o planejamento em torno da criação de um website só havia começado em 2000. No cenário que antecedia a este marco institucional, na avaliação de Natacha Cano, “ainda não havia no Brasil uma cultura de Internet”. Dessa forma, o planejamento em torno de um site como forma efetiva comunicação institucional só teria começado a partir de 2000, tendo o resultado vindo a público em 2003. Em relação ao registro de versões anteriores, Natacha diz: “eram experiências isoladas na web, sendo em 2003 o site em aderência ao planejamento da Vale. Se analisar [essas versões] em profundidade, perceberá rapidamente que a arquitetura da informação na imagem não reflete a essência da Vale”.

O que de fato acontece é que foram poucas as empresas que tiveram sensibilidade o bastante para perceber que a criação de um website, pelas possibilidades que trazia, era mais do que subestimado ao se restringir a uma “carta de apresentação” – e as ações iniciais da Vale não alçaram vôo para além deste cenário: a disponibilização de informações sobre a Cia e de seus produtos, mas sem que implicasse o comprometimento com uma estratégia online. Isso mesmo a Cia se caracterizando como uma “Empresa competitiva, diversificada e de âmbito internacional (CVRD, 1992, p. 288).” - grifo meu. Na nota de rodapé da versão de 1998 do site como registro:

As informações constantes nas páginas da CVRD foram compiladas para sua conveniência. A CVRD tomou todo o cuidado razoável para produzir estas informações. Entretanto, não podemos garantir que as informações serão suficientes para responder completamente a todas as suas perguntas ou que estão atualizadas. Também não nos responsabilizamos por qualquer fato decorrente do uso das informações contidas nas páginas. Aconselhamos a prévia consulta a um profissional independente antes da realização de qualquer investimento. É oferecida ainda a possibilidade de se fazer um “download” de informações para uso pessoal. Porém, toda e qualquer informação contida nas páginas só poderá ser reproduzida ou modificada mediante prévia autorização por escrito da CVRD.”

O plano estratégico da Vale para o período de 1990 a 2009 chama ainda mais atenção se o discurso for comparado com o que foi praticado de fato, via um website institucional. Diz a empresa (CVRD, 1992, p. 288):

No plano internacional, alguns fatores contribuíram decisivamente para o planejamento empresarial da Vale do Rio Doce. Entre eles, merecem menção a informatização e a terceirização das economias desenvolvidas e sua difusão para as subdesenvolvidas; a forte inter-relação das economias desenvolvidas, ampliando os efeitos recessivos e de expansão [...] - grifo meu

Se for considerado que a primeira versão tem por data o ano de 1996, foram sete anos, até que viesse a público o resultado de um website pensado como forma de comunicação competitiva, envolvendo dedicação da Cia e requerendo gestão específica.

Não por acaso, a contratação de Natacha Cano, com formação em publicidade pela Pontifícia Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), acontece exatamente em 2003. Ela conta que, em relação à hoje, quatro pessoas dos quadros da Vale, com formação em Comunicação, são integralmente dedicadas à gestão do site. Segundo informações de Natacha, a esse número, somam-se mais seis empresas que trabalhariam em parceria na manutenção do website: três delas na contribuição do fornecimento de conteúdo para assuntos institucionais relacionados com relações com investidores e imprensa.

Se dentre as críticas feitas à Vale estava a falta de transparência em suas ações, conforme visto no capítulo anterior, Natacha diz que o site foi pensado como a forma fundamental para manter transparência com todos os públicos com os quais a Vale se relaciona.9 “É essa a imagem que queremos passar”, afirma. Desde o marco institucional em 2003, ela explica também que o site teria passado por mudanças pontuais em sua estrutura até a completa reformulação de seu design em novembro de 2007, como parte do projeto de adaptação à nova logomarca da Cia.

Ezequiel Vieira

Sociedade sem jornalismo por um dia March 7, 2008

Posted by Ezequiel Vieira in : comunicação, economia, jornalismo, ufes , 2 comments

Alguém hoje teve a mesma curiosidade que eu tive lá por 2005: Como seria a sociedade sem jornalismo? Pra ser mais exato a pesquisa foi por “como seria a sociedade em o jornalista”.

Segue o resultado do que dois pesquisadores de comunicação me retornaram por email

Eduardo Meditsch, doutor em comunicação pela Universidade Nova de Lisboa 

Creio que se só os jornais impressos parassem, não haveria um grande transtorno, pois a sociedade está encontrando outros meios de se informar. As tiragens dos impressos tem caído cinco por cento ao ano, e nem por isso a sociedade se abala isso porque têm o rádio, a Tv e a internet. No recente crack da Argentina, os jornais quase pararam de vender, mas a audiência do rádio explodiu. O problema é se tivéssemos uma greve dos jornalistas de todos os meios, ou seja, se a sociedade passasse alguns dias sem o jornalismo. Provavelmente viveríamos uma sensação de grande insegurança, a boataria seria incontrolável, e as instituições ficariam ameaçadas. Mas se a greve se prolongasse surgiriam novas formas de informação, quer a partir de empreendedores oportunistas, quer através dos movimentos sociais e das próprias instituições (as habituais fontes jornalísticas), que desenvolveriam formas de se comunicar diretamente com a população. E aí, o jornalismo é que teria que provar a sua necessidade e reencontrar o seu espaço, provavelmente exercendo o seu papel com mais qualidade do que tem feito hoje.

Leticia da Costa, doutoranda, na época, em comunicação pela Universidade Metodista de São Paulo

Trata-se de um assunto um tanto complexo, mas vamos lá: como já sentenciou o prof. José Marques de Melo, a comunicação é a base da vida em sociedade. Na atualidade, essa afirmação tem ainda mais sentido: a “informação” é a principal “moeda” de todos os sistemas sociais. Imagina, por exemplo, que a Embraer feche um contrado de x milhões de dólares e isso não é comunicado ao mercado? O que aconteceria com as bolsas, que são movimentadas por informações e especulações? Um caos total! Decisões políticas importantes, que igualmente não fossem comunicadas? Isso eclodiria uma reação em cadeia, causando sérios prejuízos em âmbito internacional (já que estamos ligados à imensa corrente da chamada globalização).Não. Não podemos viver sem informação, sem o trabalho do jornalismo diário… hoje. Digo mais, sem o jornalismo online, em tempo real. A sociedade caminha juntamente com os avanços na área da comunicação e os sistemas de comunicação se desenvolvem de acordo com as demandas da sociedade. Ambas fazem parte de uma mesma engrenagem: se uma parar, a outra fatalmente deixa de existir.

E o que vc acha?

Ezequiel Vieira

Portal de estudos em comunicação

Posted by Ezequiel Vieira in : blogs, comunicação, indicações , add a comment

Mais acostumado em ouvir nomes do tipo Mauro Wof, Manuel Castells, Nelson Traquina, Habermas [...] não conhecia a maioria dos autores que o site relaciona. O Infoamérica, mantido pela UNESCO e pela Universidade de Málaga (Espanha), traz uma ampla diversidade de material relacionada a estudos na área de comunicação. Mídia e globalização, Megagrupos midiáticos, novas mídias, vídeos hitóricos e pensadores acadêmicos são algumas das doze categorizações do Portal.

Mas então. Tudo isso só pode ser explorado se vc domina o ianquismo. Quase todo o material está disponível em vídeo e em inglês. A exceção fica para a categoria pensadores acadêmicos onde os textos também podem ser devidamente explorados em português e francês.

Numa temática que no Portal acima seria categorizada em Novas Mídias o Alessandro Martins é outro quem também indica mais um site compilamento. O BlogBrasil relaciona pesquisas sobre blogs realizadas em universidades Brasil afora em ordem cronológica de publicação a partir de 2000.

A lista é mantida por Raquel Recuero e se alguma publicação não estiver listada por lá, a referência completa pode ser encaminhada a ela por email.

Via Sergio Amadeu e QueroTerUmBlog.com!

Ezequiel Vieira

Pesquisas e a pintura da realidade ao sabor do que se crê February 21, 2008

Posted by Ezequiel Vieira in : comunicação, economia, empresas, inclusão digital, internet, política, redes, tcc, tecnologia, ufes , add a comment

Tecnologia sozinha não faz política! 

Vai saber se alguém chegou a mudar a proposta de tcc com medo de que alguém roubasse a idéia. Mas teve quem se sentiria mais a vontade se a conversa de orientação com a professora fosse bem ao pé de ouvido. Se possível, com hora individual marcada. O que tinha de mais interessante na massante aula de Métodos e Técnicas de Pesquisa em Comunicação, vulgo pré-tcc, era todo o cuidado quando era apresentado o que se pretendia estudar.

No primeiro dia de aula ao ritual de cada um dizer seus os nomes se somou a apresentação da idéia de projeto que eventualmente alguém já tivesse: todos tinham nome… mas qualquer criança de dois anos saberia contar quantos vinham com um tema já definido. No final do período veio a pergunta:

- Tem mesmo que apresentar, professora?

- Tem sim. Vale nota.

O resultado foi que fiquei sabendo em primeira mão as intenções de pesquisa na Ufes para este 2008/1:

Projeto de criação de uma agência de comunicação; plano de comunicação para um negócio da família; alguma coisa sobre como a imprensa trata da prostituição; o quanto as assessorias de mercado imobiliário pautam o jornalismo; a defesa da tese de que a comunicação interna das empresas ainda é deficiente; a evolução do reposicionamento de imagem de Lula ao longo de suas candidaturas; a evolução do desing de capa da revista Rolling Stone; o jornalismo cultural 2.0 etc etc.

Um levantamento iria mostrar um grande aumento de estudos relacionados à internet, apesar de que neste semestre não parecem ser tantos quantos foram no período passado. O que mais me chamou atenção mesmo é um projeto de uma colega que pretende avaliar se o ambiente digital pode ser suporte de ação para os movimentos sociais - bem na lógica binária do tudo ou nada pelo o que entendi.

Acontece que ela não tem uma tese que pode vir ou não a ser comprovada pela pesquisa. A colega tem um fato sobre o qual ela vai escrever. A tese/fato é cheia de problemas e de convicções que querem virar dado da realidade assim como dois e dois são quatro, o Brasil é pentacampeão mundial e Lula é o atual presidente brasileiro. Existe a crença de que a internet não pode ser usada como meio de mobilização política. A evidência mais gritante seria vista pelo o que as pessoas mais acessariam: sexo, sites de relacionamento, programas de bate-papo, entreterimento a não mais querer etc.

04/05/06 - É possível sim organizar movimentos pela internet. Estive presente em um Congresso no Rio semana passada e pude ouvir uma palestrante falando exatamente sobre isso.

Minha grande pergunta é/foi: Mas foi a internet quem trouxe essa tal massa alienada? A partir de que momento a intensidade do envolvimento político, tal como a projeto de pesquisa parece idealizar, foi satisfatória o bastante a ponto de que um possível retorno a essa tal realidade pudesse resgatar o presente de sua fragilidade a ser robustecida e ilustrada politicamente? Não sei se o autor vai constar na bibliografia da pesquisa mas Manuel Castells é insistente ao afirmar que a internet não reinventa a roda; ela desenvolve e potencializa aquilo que a a sociedade já tem.

01/06/07 - É inegável que “a luta reacendeu com uma força fantástica com o advento da internet”.

A digitalização traz uma matriz distribuída. Um novo paradigma que se caracteriza pela horizontabilidade cooperativa”. Descobrir novas formas de narrativas e de se fazer política se faz necessário. Os modelos anteriores parecem esgotados.

Uma evidência mais metodicamente encontrada sobre a alienação que a técnica promoveria seriam os dados de uma pesquisa feita com líderes comunitários de Vitória. A própria colega buscou saber o quanto de aglutinação em rede esses líderes promovem. A começar que o próprio uso de telefone parece ser luxo - luxo que até minha vó tem, ela que mora no distrito de Timbuí do modesto município de Fundão.  Email, computador próprio, acesso à internet parecem ser coisas mais do que restritas ao mundo daselite.

O problema desse tipo de pesquisa é que ela pinta a realidade ao sabor daquilo que já se tem como crença e/ou fato - o que acaba por sumariamente eliminar os dados que possam apontar outra coisa. Na verdade a questão é outra.

Esse tipo de pensamento que tanto costuma dizer que busca inspiração em Milton Santos deve ter feitos sim uma ampla leitura daquilo que ele escreveu. Da mesma forma que ouço gente dizer que é marxista sem nunca ter passado da orelha de O Capital. “Pelo menos tenho ideologia”, dizem. Sim. Ideologia ingênua e incompente do “ouvi dizer”. Também ouvir dizer que era verso bílblico algo como de “mil passarás mas de dois mil não passarás”. Mal e porcamente li a bíblia três vezes e nunca achei tal profecia que errou em pelo menos oito anos…  

Milton Santos faz sim uma contundente crítica à globalização, que ele caracteriza como uma tirania da informação e do dinheiro que promovem exclusão e desencadeiam violências sistêmicas. Mas ele tá longe de atribuir à técnica em si a determinação para qualquer tipo, ou para qualquer escala, de ação política.

21/05/07 - A fala de Giuseppe se encerra com uma questão em aberto e ao mesmo tempo retórica. De que forma se pode fazer com que a sociedade seja cidadã, e por fim produtiva, se de forma maciça ela não tem acesso aos meios de produção para fazer circular o seu trabalho na lógica de redes, uma vez que - como tanto frisa Vilches com boa dose de ceticismo - a internet traz uma técnica com grande horizontabilidade e potencial democrático, mas a intenção política é pré-requisito espinhal para que essa virtualidade democrática se materialize (ou se atualize - para se opor ao conceito de virtual).

Para o bem ou para o mal é o mesmo Milton Santos quem escreve que “é o homem quem fabrica a natureza, ou lhe atribui valor e sentido, por meio de suas ações já realizadas, em curso ou meramente realizadas.”

Ou seja, Tec-no-lo-gi-a so-zi-nha não faz po-lí-ti-ca.

A grande questão é a ser problematizada é saber por que, uma vez podendo, esses tais líderes comunitários não usam as novas tecnologias como novo suporte de ação. Nesse contexto a entrevista publicada em setembro passado cai como uma luva - “Temos muitas possibilidades, mas pouca vontade de agir”.

3. Até que ponto as TICs [teconogias de comunicação e informação] vem sendo usadas pelos movimentos sociais como instrumento de mobilização política? Quais os principais avanços e desafios podem ser identificados?

Creio que as TICs sejam potencialmente revolucionárias na capacidade de dispor conteúdos para além da pauta hegemônica, conectar pessoas mundo afora, reforçar comunidades, contradizer “verdades”, articular movimentos etc. Mas acho que vivemos um paradoxo: temos muitas possibilidades de ação, mas pouca vontade de agir. Parece-me que falta projeto de transformação capaz de mobilizar a maioria. Vive-se um desencanto com a política de verdade, aquela, nas palavras de Milton Santos, capaz de pensar as mudanças e criar as condições de torná-las efetivas.

Esse déficit gera a pauta da “política da vida” (Bauman), em que a nossa agenda é sobreviver, cuidar do próprio destino, como se fosse possível estar insulado num oceano de problemas coletivos. De qualquer maneira, toda revolução só se faz por processo e por educação. Ter tecnologias que somam e potencializam esse projeto já é algo a se destacar. Ter movimentos sociais e articulações várias usufruindo dessas tecnologias é um bom sinal. É mostra de que em uma realidade hegemônica renovada em suas estratégias, novos caminhos contra-hegemônicos se estabelecem.

O grande lamento a ser feito, ou melhor, o grande ponto a ser problematizado e superado é essa política míope que ainda carrega no andar o peso e o tilintar do maquinário e o cheiro da oleosidade industrial.

25/05/07 - Uma outra mudança estrutural do modo de se fazer política seria desencadeada a partir dos movimentos zapatistas, de Seatle e fóruns sociais mundiais - ver texto ‘Auto-Organização da Inteligência Coletiva Global - Uma estratégia para o movimento pós-Seattle-Gênova por Franco Berardi (Bifo)”.

Ainda no que Milton Santos escreveu

“Os sistemas técnicos de que se valem os atuais atores hegemônicos estão sendo utilizados para reduzir o escopo da vida humana sobre o planeta. No entanto, jamais houve na história sistemas tão propícios a facilitar a vida e a proporcionar a felicidade dos homens. A materialidade de que o mundo da globalização está recriando permite um uso radicalmente diferente daquele que era a base da industrialização e do imperialismo.

A técnica das máquinas exigia investimentos maciços, seguindo-se a necessidade e a concentração dos capitais e do próprio sistema técnico. Daí a inflexibilidade física e moral das operações, levando a um uso limitado, direcionado, da inteligência e da criatividade. Já o computador, símbolo das técnicas de informação, reclama capitais fixos relativamente pequenos, enquanto seu uso é mais dependente da inteligência. O investimento necessário pode ser fragmentado e torna-se possível sua adaptação aos mais diversos meios” - grifos meus.

09/05/07 - A luta política hoje não se fará entre entre direita e esquerda, mas entre quem vê televisão sem uma resposta e quem adere a Net com uma informação muito mais completa e que todos podem gerir e alimentar - Derrick de Kerckhove.

Ezequiel Vieira

Novas formas de produtividade no “Comunismo das Redes” January 24, 2008

Posted by Ezequiel Vieira in : "Jornalismo Cidadão", Jornalismo e Internet, blogs, capitalismo cognitivo, cibercultura, comunicação, copyleft, economia, inclusão digital, indicações, política, redes, tecnologia, ufes, web 2.0 , 1 comment so far

Os atuais estatutos de trabalho estão cada vez mais precarizados. 

Em março passado o professor de jornalismo digital daqui da Ufes, Fábio Malini, defendeu sua tese de doutorado na Federal do Rio de Janeiro - O Comunismo das Redes. Sistema midiático p2p, colaboração em rede e novas políticas  de comunicação na Internet (pdf).

A defesa fundamental da tese vem de uma citação de Derrick de Kerckhove para quem a luta política hoje não se fará entre entre direita e esquerda, mas entre quem vê televisão sem uma resposta e quem adere a Net com uma informação muito mais completa e que todos podem gerir e alimentar.

Acesse mais na postagem “A fuga das fábricas, o encontro nas redes”. Eis um trecho

A empresa, e não mais a fábrica, se moderniza e se modifica em uma dinâmica de redes. Se a questão do trabalho assalariado não é mais mecanismo fundamental de integração social, Cocco destaca que temos de pensar então esse mesmo elemento como ponto de partida para que uma lógica de inclusão se estabeleça. “A cidadania não é mais o resultado a ser alcançado, mas o ponto de partida para que o comum se constitua e haja na sociedade uma mobilização produtiva”.

O que fazer? A democratização para o crescimento e o crescimento para algo

A constituição da cidadania seria a condição pressuposta para uma política econômica que, digamos assim, esteja de acordo com a lógica de produtividade de riqueza hoje. Isso parte da constatação, um tanto óbvia a partir da discussão feita no seminário, de que “desenvolvimento econômico que não debater a nova economia, que se pauta pela produção imaterial, não pode ser chamado de desenvolvimento econômico.”