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Debate sobre movimentos sociais April 25, 2008

Posted by Ezequiel Vieira in : eventos/debates, ufes , 3 comments

Será realizado no próximo dia 29/04, das 14 às 18 horas, no Salão Rosa do Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas da Ufes, o evento Tecendo Saberes. Trata-se de um encontro de núcleos e grupos que discutem os movimentos e práticas sociais.

A reunião é aberta a professores, estudantes e lideranças sociais e é uma promoção do Núcleo de Estudos em Movimentos e Práticas Sociais (Nemps) e do departamento de Serviço Social da Ufes.

O evento conta com a participação dos seguintes professores:

Acesse também: movimentos sociais no Polimidia.

Sociedade sem jornalismo por um dia March 7, 2008

Posted by Ezequiel Vieira in : comunicação, economia, jornalismo, ufes , 2 comments

Alguém hoje teve a mesma curiosidade que eu tive lá por 2005: Como seria a sociedade sem jornalismo? Pra ser mais exato a pesquisa foi por “como seria a sociedade em o jornalista”.

Segue o resultado do que dois pesquisadores de comunicação me retornaram por email

Eduardo Meditsch, doutor em comunicação pela Universidade Nova de Lisboa 

Creio que se só os jornais impressos parassem, não haveria um grande transtorno, pois a sociedade está encontrando outros meios de se informar. As tiragens dos impressos tem caído cinco por cento ao ano, e nem por isso a sociedade se abala isso porque têm o rádio, a Tv e a internet. No recente crack da Argentina, os jornais quase pararam de vender, mas a audiência do rádio explodiu. O problema é se tivéssemos uma greve dos jornalistas de todos os meios, ou seja, se a sociedade passasse alguns dias sem o jornalismo. Provavelmente viveríamos uma sensação de grande insegurança, a boataria seria incontrolável, e as instituições ficariam ameaçadas. Mas se a greve se prolongasse surgiriam novas formas de informação, quer a partir de empreendedores oportunistas, quer através dos movimentos sociais e das próprias instituições (as habituais fontes jornalísticas), que desenvolveriam formas de se comunicar diretamente com a população. E aí, o jornalismo é que teria que provar a sua necessidade e reencontrar o seu espaço, provavelmente exercendo o seu papel com mais qualidade do que tem feito hoje.

Leticia da Costa, doutoranda, na época, em comunicação pela Universidade Metodista de São Paulo

Trata-se de um assunto um tanto complexo, mas vamos lá: como já sentenciou o prof. José Marques de Melo, a comunicação é a base da vida em sociedade. Na atualidade, essa afirmação tem ainda mais sentido: a “informação” é a principal “moeda” de todos os sistemas sociais. Imagina, por exemplo, que a Embraer feche um contrado de x milhões de dólares e isso não é comunicado ao mercado? O que aconteceria com as bolsas, que são movimentadas por informações e especulações? Um caos total! Decisões políticas importantes, que igualmente não fossem comunicadas? Isso eclodiria uma reação em cadeia, causando sérios prejuízos em âmbito internacional (já que estamos ligados à imensa corrente da chamada globalização).Não. Não podemos viver sem informação, sem o trabalho do jornalismo diário… hoje. Digo mais, sem o jornalismo online, em tempo real. A sociedade caminha juntamente com os avanços na área da comunicação e os sistemas de comunicação se desenvolvem de acordo com as demandas da sociedade. Ambas fazem parte de uma mesma engrenagem: se uma parar, a outra fatalmente deixa de existir.

E o que vc acha?

Ezequiel Vieira

Pesquisas e a pintura da realidade ao sabor do que se crê February 21, 2008

Posted by Ezequiel Vieira in : comunicação, economia, empresas, inclusão digital, internet, política, redes, tcc, tecnologia, ufes , add a comment

Tecnologia sozinha não faz política! 

Vai saber se alguém chegou a mudar a proposta de tcc com medo de que alguém roubasse a idéia. Mas teve quem se sentiria mais a vontade se a conversa de orientação com a professora fosse bem ao pé de ouvido. Se possível, com hora individual marcada. O que tinha de mais interessante na massante aula de Métodos e Técnicas de Pesquisa em Comunicação, vulgo pré-tcc, era todo o cuidado quando era apresentado o que se pretendia estudar.

No primeiro dia de aula ao ritual de cada um dizer seus os nomes se somou a apresentação da idéia de projeto que eventualmente alguém já tivesse: todos tinham nome… mas qualquer criança de dois anos saberia contar quantos vinham com um tema já definido. No final do período veio a pergunta:

- Tem mesmo que apresentar, professora?

- Tem sim. Vale nota.

O resultado foi que fiquei sabendo em primeira mão as intenções de pesquisa na Ufes para este 2008/1:

Projeto de criação de uma agência de comunicação; plano de comunicação para um negócio da família; alguma coisa sobre como a imprensa trata da prostituição; o quanto as assessorias de mercado imobiliário pautam o jornalismo; a defesa da tese de que a comunicação interna das empresas ainda é deficiente; a evolução do reposicionamento de imagem de Lula ao longo de suas candidaturas; a evolução do desing de capa da revista Rolling Stone; o jornalismo cultural 2.0 etc etc.

Um levantamento iria mostrar um grande aumento de estudos relacionados à internet, apesar de que neste semestre não parecem ser tantos quantos foram no período passado. O que mais me chamou atenção mesmo é um projeto de uma colega que pretende avaliar se o ambiente digital pode ser suporte de ação para os movimentos sociais - bem na lógica binária do tudo ou nada pelo o que entendi.

Acontece que ela não tem uma tese que pode vir ou não a ser comprovada pela pesquisa. A colega tem um fato sobre o qual ela vai escrever. A tese/fato é cheia de problemas e de convicções que querem virar dado da realidade assim como dois e dois são quatro, o Brasil é pentacampeão mundial e Lula é o atual presidente brasileiro. Existe a crença de que a internet não pode ser usada como meio de mobilização política. A evidência mais gritante seria vista pelo o que as pessoas mais acessariam: sexo, sites de relacionamento, programas de bate-papo, entreterimento a não mais querer etc.

04/05/06 - É possível sim organizar movimentos pela internet. Estive presente em um Congresso no Rio semana passada e pude ouvir uma palestrante falando exatamente sobre isso.

Minha grande pergunta é/foi: Mas foi a internet quem trouxe essa tal massa alienada? A partir de que momento a intensidade do envolvimento político, tal como a projeto de pesquisa parece idealizar, foi satisfatória o bastante a ponto de que um possível retorno a essa tal realidade pudesse resgatar o presente de sua fragilidade a ser robustecida e ilustrada politicamente? Não sei se o autor vai constar na bibliografia da pesquisa mas Manuel Castells é insistente ao afirmar que a internet não reinventa a roda; ela desenvolve e potencializa aquilo que a a sociedade já tem.

01/06/07 - É inegável que “a luta reacendeu com uma força fantástica com o advento da internet”.

A digitalização traz uma matriz distribuída. Um novo paradigma que se caracteriza pela horizontabilidade cooperativa”. Descobrir novas formas de narrativas e de se fazer política se faz necessário. Os modelos anteriores parecem esgotados.

Uma evidência mais metodicamente encontrada sobre a alienação que a técnica promoveria seriam os dados de uma pesquisa feita com líderes comunitários de Vitória. A própria colega buscou saber o quanto de aglutinação em rede esses líderes promovem. A começar que o próprio uso de telefone parece ser luxo - luxo que até minha vó tem, ela que mora no distrito de Timbuí do modesto município de Fundão.  Email, computador próprio, acesso à internet parecem ser coisas mais do que restritas ao mundo daselite.

O problema desse tipo de pesquisa é que ela pinta a realidade ao sabor daquilo que já se tem como crença e/ou fato - o que acaba por sumariamente eliminar os dados que possam apontar outra coisa. Na verdade a questão é outra.

Esse tipo de pensamento que tanto costuma dizer que busca inspiração em Milton Santos deve ter feitos sim uma ampla leitura daquilo que ele escreveu. Da mesma forma que ouço gente dizer que é marxista sem nunca ter passado da orelha de O Capital. “Pelo menos tenho ideologia”, dizem. Sim. Ideologia ingênua e incompente do “ouvi dizer”. Também ouvir dizer que era verso bílblico algo como de “mil passarás mas de dois mil não passarás”. Mal e porcamente li a bíblia três vezes e nunca achei tal profecia que errou em pelo menos oito anos…  

Milton Santos faz sim uma contundente crítica à globalização, que ele caracteriza como uma tirania da informação e do dinheiro que promovem exclusão e desencadeiam violências sistêmicas. Mas ele tá longe de atribuir à técnica em si a determinação para qualquer tipo, ou para qualquer escala, de ação política.

21/05/07 - A fala de Giuseppe se encerra com uma questão em aberto e ao mesmo tempo retórica. De que forma se pode fazer com que a sociedade seja cidadã, e por fim produtiva, se de forma maciça ela não tem acesso aos meios de produção para fazer circular o seu trabalho na lógica de redes, uma vez que - como tanto frisa Vilches com boa dose de ceticismo - a internet traz uma técnica com grande horizontabilidade e potencial democrático, mas a intenção política é pré-requisito espinhal para que essa virtualidade democrática se materialize (ou se atualize - para se opor ao conceito de virtual).

Para o bem ou para o mal é o mesmo Milton Santos quem escreve que “é o homem quem fabrica a natureza, ou lhe atribui valor e sentido, por meio de suas ações já realizadas, em curso ou meramente realizadas.”

Ou seja, Tec-no-lo-gi-a so-zi-nha não faz po-lí-ti-ca.

A grande questão é a ser problematizada é saber por que, uma vez podendo, esses tais líderes comunitários não usam as novas tecnologias como novo suporte de ação. Nesse contexto a entrevista publicada em setembro passado cai como uma luva - “Temos muitas possibilidades, mas pouca vontade de agir”.

3. Até que ponto as TICs [teconogias de comunicação e informação] vem sendo usadas pelos movimentos sociais como instrumento de mobilização política? Quais os principais avanços e desafios podem ser identificados?

Creio que as TICs sejam potencialmente revolucionárias na capacidade de dispor conteúdos para além da pauta hegemônica, conectar pessoas mundo afora, reforçar comunidades, contradizer “verdades”, articular movimentos etc. Mas acho que vivemos um paradoxo: temos muitas possibilidades de ação, mas pouca vontade de agir. Parece-me que falta projeto de transformação capaz de mobilizar a maioria. Vive-se um desencanto com a política de verdade, aquela, nas palavras de Milton Santos, capaz de pensar as mudanças e criar as condições de torná-las efetivas.

Esse déficit gera a pauta da “política da vida” (Bauman), em que a nossa agenda é sobreviver, cuidar do próprio destino, como se fosse possível estar insulado num oceano de problemas coletivos. De qualquer maneira, toda revolução só se faz por processo e por educação. Ter tecnologias que somam e potencializam esse projeto já é algo a se destacar. Ter movimentos sociais e articulações várias usufruindo dessas tecnologias é um bom sinal. É mostra de que em uma realidade hegemônica renovada em suas estratégias, novos caminhos contra-hegemônicos se estabelecem.

O grande lamento a ser feito, ou melhor, o grande ponto a ser problematizado e superado é essa política míope que ainda carrega no andar o peso e o tilintar do maquinário e o cheiro da oleosidade industrial.

25/05/07 - Uma outra mudança estrutural do modo de se fazer política seria desencadeada a partir dos movimentos zapatistas, de Seatle e fóruns sociais mundiais - ver texto ‘Auto-Organização da Inteligência Coletiva Global - Uma estratégia para o movimento pós-Seattle-Gênova por Franco Berardi (Bifo)”.

Ainda no que Milton Santos escreveu

“Os sistemas técnicos de que se valem os atuais atores hegemônicos estão sendo utilizados para reduzir o escopo da vida humana sobre o planeta. No entanto, jamais houve na história sistemas tão propícios a facilitar a vida e a proporcionar a felicidade dos homens. A materialidade de que o mundo da globalização está recriando permite um uso radicalmente diferente daquele que era a base da industrialização e do imperialismo.

A técnica das máquinas exigia investimentos maciços, seguindo-se a necessidade e a concentração dos capitais e do próprio sistema técnico. Daí a inflexibilidade física e moral das operações, levando a um uso limitado, direcionado, da inteligência e da criatividade. Já o computador, símbolo das técnicas de informação, reclama capitais fixos relativamente pequenos, enquanto seu uso é mais dependente da inteligência. O investimento necessário pode ser fragmentado e torna-se possível sua adaptação aos mais diversos meios” - grifos meus.

09/05/07 - A luta política hoje não se fará entre entre direita e esquerda, mas entre quem vê televisão sem uma resposta e quem adere a Net com uma informação muito mais completa e que todos podem gerir e alimentar - Derrick de Kerckhove.

Ezequiel Vieira

Comunicação no movimento estudantil ainda é pensada na lógica do impresso October 15, 2007

Posted by Ezequiel Vieira in : comunicação, eventos/debates, política, ufes , add a comment

Semana de Democratização da Comunicação é mal divulgada. Mesmo partindo dos organizadores

Se diz sempre que a grande mídia não divulga. É uma verdadeira luta de Davi X Golias pra tentar entrar na pauta da manipulora-neoliberal-golpista (…) imprensa. Neste caso, nem mesmo a organização do evento parece ter se preocupado tanto assim com a divulgação de mais uma (V) Semana Nacional pela Democratização da Comunicação - 16 a 19 de outubro.

Na universidade, que dirá fora dela, ainda se pensa muito no impresso, naquela panfletagem em que poucos prestam atenção. Não existe a preocupação em ocupar a internet e usar as potencialidades que ela oferece.

É interessante a idéia que as TICs, mesmo longe se serem uma panacéia, “sejam potencialmente revolucionárias na capacidade de dispor conteúdos para além da [malfamada] pauta hegemônica, conectar pessoas mundo afora, reforçar comunidades, contradizer “verdades”, articular movimentos etc” [postagem].

Biblioteca central

Entrada da biblioteca da universidade

Fui saber dessa tal Semana de Democratização pelos cartazes que vi espalhados pela Ufes. Olhei pra um lado e pro outro e como quem não quer nada, um deles eu catei pra mim. Achava que era só em cartaz que iria encontrar a programação da Semana. Agora vi que tava certo.

Em sites de pesquisa, tá, no Google, nada consta desse evento. Aliás, consta sim, mas é do ano passado. De 2007 nada emcontrei. Achei que fosse conspiração das elites que conseguiram vetar os resultados de busca que levassem aos nossos Davis. Mas não.

Também não aparece nada nos endereços dos seis organizadores do evento

- . “Olho da Rua” não conta porque nem site tem. Mas relacionado a esse projeto, no primeiro dia de eventos da Semana de Democratização se tem, para 18h30, a estréia Cine Clube “De olho na tela”. Exibição do filme : Uma onda no ar. No cartaz só informa que vai ser na “Casa da Mulher - (bairro 1º de maio - Vila Velha”.

Em uma pesquisa encontro mais. A Casa da Mulher tem o nome “Núcleo de Práticas Comunitárias - Casa da Mulher”. O endereço fica na Rua Maria do Nascimento, nº10, bairro 1º de Maio , Vila Velha -ES. Tels: 3391-4940 / 3326-0743.

- . Do site da Enecos só sei que acontece alguma eleição entre 01/10 e 20/11.

- . Do Intervozes vejo a cantilena sobre as concessões de rádio e TV. Muitas delas teriam vencido no último dia cinco. Da grande imprensa, claro, nenhuma linha ou byte.

- . DCE…. Nenhuma informação sobre. Mas hein, isso é site?

- . AExCom. Ela é uma agência nova para atuar “como intermediadora e difusora de material jornalístico e publicitário referentes a movimentos sociais e setores organizados da sociedade civil”.

Ela até reconhece que a “comunicação tem se apresentado como prática fundamental na constituição da esfera pública e do espaço democrático contemporâneo”, mas desde maio não publica mais nada.

- . Sindicato dos Jornalistas. Nada consta.

Pra não dizer que sou cruel o bastante e nunca fiz uma boa ação na vida, eis minha contribuição com a programação - boa parte pensada para acontecer na Ufes: (more…)

De três fundos de pensão que controlam a CVRD, dois são estatais October 9, 2007

Posted by Ezequiel Vieira in : cvrd, política, privatização, votações , add a comment

Em outras palavras, fazem parte “do coração e o cérebro da Vale do Rio Doce”.

É só dar um Google no nome da jornalista pra ver. A maioria das matérias que o Valor publica sobre a CVRD é de autoria de Vera Saavedra Durão. Se não é exatamente sobre a empresa, a área de atuação da Cia é bastante contemplada pelas reportagens de Vera. A mais recente, assinada com Raquel Balarin, foi publicada ontem “Vale privatizada beneficiou 4 milhões de trabalhadores”. Uma das subretrancas foi “Esquerda aproveita para ganhar espaço com plebiscito”. Sim, sim, também publiquei essa constatação por aqui. Escrevi que apesar de, é válido.

Só um parênteses. Um outro texto de leitura fundamental foi publicado hoje - “Vale expõe fratura no movimento social”. O artigo é do sempre ótimo Raymundo Costa

No momento em que a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) decide mudar o nome e a logomarca, resquícios de um passado estatal não muito distante, o plebiscito para reverter a privatização da empresa expõe uma fratura nos movimentos sociais. O resultado da consulta, divulgado ontem, é um fiasco quando comparado aos dois outros plebiscitos convocados pelas mesmas entidades antes de o PT assumir o poder. O governo Lula é o divisor de águas.

O mote da matéria principal de Vera e Raquel é que os organizadores do movimento-publicitário “A Vale é nossa” ficaram de anunciar nesta semana o resultado do plebiscito sobre a reestatização ou não da empresa.

  • Sede da CVRD no ES

O resultado computado até agora não poderia ser mais óbvio - 94,5% dos 3,7 milhões de brasileiros que participaram do plebiscito votaram a favor da reestatização. Lembre-se de que previ esses números quase absolutos. Meu voto tá lá nos 5.5% restantes. (more…)