Disputa política na Espanha caminha para a estabilidade bipartidária March 10, 2008
Posted by Ezequiel Vieira in : Eleições, mundo afora, política , 1 comment so far
O CiberAmérica lembra que houve quem atribuísse a vitória do Partido Socialista nas eleições ao ataque da Al Qaeda às vésperas da votação em 11 de março de 2004. A reeleição de José Luis Zapatero seria a indicação de que a influência desses ataques nos resultados da primeira eleição de Zapatero deva ser relativizada.
Sei não… Mas talvez os espanhóis tenham mesmo votado em Zapatero pela primeira vez por causa da Al Qaeda e no fim das contas também não ficaram tão descontentes assim com o resultado que viram.
Apenas 3.5 pontos separaram o partido do governo (PSOE) e o mais consolidado do lado oposicionista - PP. O PSOE obteve 169 deputados e o PP 153; ou seja 322 de um total de 350 cadeiras disputadas.
Arrisco a dizer que lá trás os espanhóis tivessem mais medo do que poderia vir de um governo de esquerda do que propriamente do que era promessa de governo. Em 2006 Fabiano Santos dizia que “discurso extremado não ganha eleição“. Ou seja, ou se renova e adapta o discurso ou não se ganha eleição. Simples assim. Vide o caso de quem vive de combater o neoliberalismo-comedor-de-criancinhas, Psol, PCO, PSTU e demais dos que compartilham de sua política platônica.
Talvez a Al Qaeda, intencionalmente ou não, tenha dado mesmo uma mãozinha e colocado um peso no pêndulo a favor da eleição de Zapatero. O discurso mais moderado também correspondeu a um governo que não perdeu a ternura - o que neste caso pode ser chamado de política de centro-esquerda.
Isso porque um partido que seja só de centro também não ganha eleição. E Fabiano Santos argumenta que é exatamente essa a característica do único partido forte que pelas bandas de cá teria condições de fazer a tal da alterrnativa ao PSDB e ao PT. O cientista político acredita que a organização partidária brasileira ajuda a entender o motivo de o PMDB há três eleições não lançar candidato próprio à presidência.
O cenário político brasileiro seria caracterizado por uma tendência centrípeta - os partidos saírem das extremidades e caminharem para o centro. Nome o PMDB até tem, mas não é só ser centrista que garante vitória. E é exatamente neste ponto onde residiria o problema. Se o candidato peemedebista caminhar para esquerda já encontra o lugar ocupado pelo PT. Se caminhar para a direita, vê que o PSDB chegou primeiro - “as rotas para agregar algum capital eleitoral já estão devidamente ocupadas”. Se o partido mantiver o estado puro, ele não amplia o patrimônio de votos. Se ficar moderado, vai perder o apoio inicial dos radicais.
Fabiano interpreta esse digamos, bipartidarismo, como um amaduredimento da disputa política. Algo parecido com o embate entre republicanos e democratas pelos EUA. Nesse contexto os partidos montam um discurso mais moderado na tentativa de conquistar a confiança “do eleitor que não é nem de direita nem de esquerda. Está no centro.”
O professor citou o exemplo das eleições majoritárias em que se disputa 50% mais um das intenções de voto. Para um partido obter essa maioria, além de ter que conquistar o voto do eleitorado de esquerda e de direita, seria inevitável a moderação do discurso para também alcançar o eleitorado de centro. “Quem conquistar a confiança do eleitorado de centro, ganha a eleição”.
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Imagem: Periodismo Ciudadano
Ezequiel Vieira
Semana calórica da Comunicação/Ufes
Posted by Ezequiel Vieira in : eventos/debates, ufes , add a commentAinda não sei quem inventou isso. Mas a idéia é bem acolhedora nessa fase. A partir de hoje acontece a semana calórica do curso de Comunicação da Ufes. São palestras, oficinas e mostras onde os calouros conhecem mais de perto como o curso é, suas burocracias, guetos que às vezes nem veteranos conhecem etc etc.
Quem quiser, pode ir!
10/03 - Segunda-Feira
08h-10h: Café da Manhã
10h-12h: Apresentações institucionais - Cacos, Plural, DCE e DepCom
12h: Almoço no RU
14h-18h: Programação Centro de Artes – Auditório do Cemuni IV
- Mostra de Vídeos
- Produção Áudio-visual no Espírito Santo. Erly Vieira Jr.
11/03 - Terça-Feira
08h. Projetos Universitários
Pesquisa - Gabriel Herkenhof
Extensão - Simone Azevedo
09h: Apresentações – AexCom, Bandejão, AieSec, Conexões Saberes
10h30: Vitrine Ecos
14h: Oficinas
18h: GRAV
12/03 - Quarta-Feira
08h: Mercado de Trabalho
Agência Fire
Revista Quase – Juliano Enrico
Grupo Gazeta - Abdo Chequer
Jornal Online Século Diário – Renata Oliveira
12h: Cinemecos – Filme: Quase Famosos

14h: Oficinas
18h: Butecom
13/03 - Quinta-Feira
08h: Comunicação em meios virtuais
Jornalismo - Fabíola Zardini
Publicidade - Rosane Zanotti
10h: Mídias Alternativas
Olho da Rua – Karina Moura
Intervozes – Jacson Segundo
14h: Oficinas
18h: Noite de jogos
14/03 - Sexta-Feira
10h: Aula Inaugural – Alexandre Curtiss
14h: Oficinas
19h: Festa de encerramento
Oficinas:
Hipermídia - Gabriel Herkenhof e Thalles Waichert
Rádio – João Knop
Jingle – Carlos Augusto Debbane
Foto – Vinicius Langa
Intervenção Urbana – Ramon Zagoto
Teatro – Aline Dias e Hewillim Dias
Vídeo - Sérgio Rodrigo e Tâmara
Ezequiel Vieira
Sociedade sem jornalismo por um dia March 7, 2008
Posted by Ezequiel Vieira in : comunicação, economia, jornalismo, ufes , 2 commentsAlguém hoje teve a mesma curiosidade que eu tive lá por 2005: Como seria a sociedade sem jornalismo? Pra ser mais exato a pesquisa foi por “como seria a sociedade em o jornalista”.
Segue o resultado do que dois pesquisadores de comunicação me retornaram por email
Eduardo Meditsch, doutor em comunicação pela Universidade Nova de Lisboa
Creio que se só os jornais impressos parassem, não haveria um grande transtorno, pois a sociedade está encontrando outros meios de se informar. As tiragens dos impressos tem caído cinco por cento ao ano, e nem por isso a sociedade se abala isso porque têm o rádio, a Tv e a internet. No recente crack da Argentina, os jornais quase pararam de vender, mas a audiência do rádio explodiu. O problema é se tivéssemos uma greve dos jornalistas de todos os meios, ou seja, se a sociedade passasse alguns dias sem o jornalismo. Provavelmente viveríamos uma sensação de grande insegurança, a boataria seria incontrolável, e as instituições ficariam ameaçadas. Mas se a greve se prolongasse surgiriam novas formas de informação, quer a partir de empreendedores oportunistas, quer através dos movimentos sociais e das próprias instituições (as habituais fontes jornalísticas), que desenvolveriam formas de se comunicar diretamente com a população. E aí, o jornalismo é que teria que provar a sua necessidade e reencontrar o seu espaço, provavelmente exercendo o seu papel com mais qualidade do que tem feito hoje.
Leticia da Costa, doutoranda, na época, em comunicação pela Universidade Metodista de São Paulo
Trata-se de um assunto um tanto complexo, mas vamos lá: como já sentenciou o prof. José Marques de Melo, a comunicação é a base da vida em sociedade. Na atualidade, essa afirmação tem ainda mais sentido: a “informação” é a principal “moeda” de todos os sistemas sociais. Imagina, por exemplo, que a Embraer feche um contrado de x milhões de dólares e isso não é comunicado ao mercado? O que aconteceria com as bolsas, que são movimentadas por informações e especulações? Um caos total! Decisões políticas importantes, que igualmente não fossem comunicadas? Isso eclodiria uma reação em cadeia, causando sérios prejuízos em âmbito internacional (já que estamos ligados à imensa corrente da chamada globalização).Não. Não podemos viver sem informação, sem o trabalho do jornalismo diário… hoje. Digo mais, sem o jornalismo online, em tempo real. A sociedade caminha juntamente com os avanços na área da comunicação e os sistemas de comunicação se desenvolvem de acordo com as demandas da sociedade. Ambas fazem parte de uma mesma engrenagem: se uma parar, a outra fatalmente deixa de existir.
E o que vc acha?
Ezequiel Vieira
Portal de estudos em comunicação
Posted by Ezequiel Vieira in : blogs, comunicação, indicações , add a commentMais acostumado em ouvir nomes do tipo Mauro Wof, Manuel Castells, Nelson Traquina, Habermas [...] não conhecia a maioria dos autores que o site relaciona. O Infoamérica, mantido pela UNESCO e pela Universidade de Málaga (Espanha), traz uma ampla diversidade de material relacionada a estudos na área de comunicação. Mídia e globalização, Megagrupos midiáticos, novas mídias, vídeos hitóricos e pensadores acadêmicos são algumas das doze categorizações do Portal.
Mas então. Tudo isso só pode ser explorado se vc domina o ianquismo. Quase todo o material está disponível em vídeo e em inglês. A exceção fica para a categoria pensadores acadêmicos onde os textos também podem ser devidamente explorados em português e francês.
Numa temática que no Portal acima seria categorizada em Novas Mídias o Alessandro Martins é outro quem também indica mais um site compilamento. O BlogBrasil relaciona pesquisas sobre blogs realizadas em universidades Brasil afora em ordem cronológica de publicação a partir de 2000.
A lista é mantida por Raquel Recuero e se alguma publicação não estiver listada por lá, a referência completa pode ser encaminhada a ela por email.
Via Sergio Amadeu e QueroTerUmBlog.com!
Ezequiel Vieira
Formação da turma 2004/1 de Comunicação na Ufes March 4, 2008
Posted by Ezequiel Vieira in : catarse, ufes , add a commentEm 17 de maio faz quatro anos que pisei pela primeira vez na universidade como matriculado. Já tinha ido na Ufes em 1998 para participar da 2ª etapa de uma olimpíada de matemática. Como perspectiva me parece que qualquer tempo de espera seja longo demais; como retrospectiva o cacoeque é dizer mas como passou depressa!
Pois é. A turma que foi cobaia do currículo novo do curso de Comunicação da universidade está de partida. Entramos no CCJE, saímos no Centro de Artes. Vimos diversas mudanças ocorrerem. Entramos em um curso e saímos em outro, praticamente. E nesta semana já tem colação de grau e culto ecumênico:
- 19h30. Quarta - 05/03: Colação de Grau - Teatro Universitário da Ufes
- 20h. Quinta - 06/03: Culto Ecumênico - Paróquia de São Pedro - Enseada do Suá
E a quem interessar possa, eis que deixo o currículo do curso por aqui - Publicidade e Jornalismo.
Meu irmão, cinco anos mais velho, disse lá em 2004 que quando eu me formasse eu teria a idade dele - isso, claro, contando com possibilidade de greve. Essa foi uma das muitas histórias de que não fui testemunha na universidade. Não peguei nenhuma greve de professores e, antes do previsto, me formo com meus 22 anos - quatro anos e dois meses depois de ter entrado na Ufes.
Adiei um período pra me formar porque eu quis. Aliás, como muitos da minha turma também quiseram. Essa cerimônia é só de mentirinha. A formação com todos os proclames e burocracias necessários só acontece, também somente para alguns, neste primeiro semestre de 2008.

Vou lá eu saber se o curso de Comunicação é um caso tão à parte… mas os professores de Federal também não são os carrascos de que tanto ouvi falar.
Quando estava na 5ª série ouvia que na 8ª a turma iria ser tratada como adulta de verdade - iríamos aprender a ser responsáveis de verdade. A tal da 8ª série parecia o cúmulo da maturidade…. Quando cheguei lá não vi nada de assombroso e a promessa seria derradeira no ensino médio. O cumprimento da promessa tardou novamente mas não falharia no ensino superior.
Não existem carrascos mas ninguém é tratado com os cuidados de um jardim de infância. Até porque não é todo dia que se vê por aqui alguém chamando o outro de feio, chato, bobo, vou contar tudo pra mamãe e fazendo lingüinha desdentada.
Enrutisdo, engajadinho, ressentido, vendido ao sistema (…), talvez. Mas o que tive foram professores muitas vezes amigos, que sabem apoiar e incentivar o estudante que muitas vezes se vê sem muito rumo e sem saber direito o que fazer da vida.
Afaga o ego ter passado numa federal na primeira tentativa depois de passar meio ano estudando pra alguma engenharia. Sem muita confiança iria tentar pelo menos umas três vezes. A sacudida de alguns amigos e professores-amigos foi determinante pra ter mais auto-confiança. A responsabilidade é grande quando se é o único da família a chegar numa universidade. Comentários nem sempre diretos cobram resultados que não são necessariamente imediatos mas que sem dúvida alguma virão como um determinante elemento de mobilidade social.
A universidade tem dessas coisas também. Vc aprende a se virar, a ser mais autônomo, auto-confiante, politizado (…) e hehe o que ainda resta de miguxês tem grandes chances de ser purgado. Mas, como diria a colega Elaine “Tem gente que nunca deixa de ser calouro” e miguxinho também.
Alguns colegas, professores-amigos, teorias, autores e filósofos foram determinantes e de grande exemplo e referência para a minha formação - não carrego nos bytes ao digitar que seria outra pessoa sem essa minha estadia pela Ufes.
Mas subir mais alto na montanha ainda é preciso. Subir onde os ventos levam junto as moscas, os vermes e para onde o espírito subterrâneo não consegue chegar e, portanto, não pode ser corporificado junto com suas chagas derivadas. Um espírito subterrâneio no alto da montanha é um contra-senso em termos.
Por aqui e ao longo do blog já deu pra perceber que levo, ou passei a levar, na bagagem: Nietzsche, Schopenhauer, Dostoiévski, Machado de Assis, Antonio Negri, Maquiavel e, neste final de curso, Milton Santos e Manuel Castells (Obrigatório….) também.
Próxima parada: Mestrado!
Ezequiel Vieira



