“A comunicação organiza o movimento de globalização” March 28, 2008
Posted by Ezequiel Vieira in : cvrd, tcc , trackbackO orientador da minha pesquisa sempre sugere que a introdução de qualquer trabalho seja escrita antes de começar a desenvolver os demais capítulos do TCC.
Ela não é feita com o objetivo de ser definitiva. A introdução vai ser reescrita no desenvolver do trabalho e funciona mais como um mapa de navegação na hora de escrever. Quem tem a introdução pronta, tem menos problemas na hora de organizar o pensamento, não se perde - o que certamente é muito comum de acontecer.
Pois bem. Nesta semana fiz meu mapa de navegação. Segue o resultado do que imagino dessa caminhada - os percalços, imprevistos, novos rumos, acertos, erros, peripécias e algumas etc serão apresentados em julho.

By rob
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O modo de produção capitalista experimentou no último quartel do século XX um arrojado processo de mudança, em função da expansão viabilizada por novos meios técnicos, principalmente os telecomunicacionais. À medida que os sistemas econômicos engendram sociabilidades específicas, pode-se dizer que o mesmo se registra no mundo das relações socioeconômicas, políticas e culturais.
É nesse cenário marcado por liberalização econômica, mundialização financeira e produtiva e midiatização (1) das relações sociais, entre outros aspectos derivados no renovado modo de produzir, que se localizam os estudos que compõem este trabalho de conclusão de curso.
Esta monografia tem exatamente o objetivo focalizar algumas dimensões do movimento de mudanças e de reestruturação que se processam nas sociedades contemporâneas. Vamos estudar as transformações sofridas pela Companhia Vale do Rio Doce, atual VALE, no contexto da nova economia capitalista, com foco na sua comunicação institucional, via portal oficial (www.vale.com).
Toma-se um site de internet como objeto de estudo por haver o entendimento de que ele seja produto direto mais evidente de uma produtividade informacionalizada, suportada pelas novas tecnologias de informação e comunicação.
Nesse sentido, o objetivo fundamental desta pesquisa é buscar responder, a partir da caracterização do ambiente socioeconômico no qual estamos imersos, em que medida o site da Vale está configurado segundo a lógica da economia informacionalizada (2). As perguntas fundamentais: quais são as marcas da estratégia de comunicação da Vale na contemporaneidade? Em que medida o processo de midiatização das relações sociais e de mundialização da produção são contemplados no portal corporativo da companhia? Quais as principais mensagens do site? Que tipos e públicos de comunicação são privilegiados?
Partimos da hipótese de que o site seja uma metáfora e um agente da mundialização empreendida pela companhia nos últimos tempos, ocupando espaço importante na estratégia de comunicação e relacionamento com a sociedade e os públicos de interesse. Mais que ajustar-se a uma lógica específica de produção, o portal faz propaganda de um modelo de sociabilidade e relação produtiva.
Far-se-á um breve percurso de como o portal da Cia. atingiu a sua atual organização, para problematizarmos como essa configuração é, em nosso entendimento inicial, reflexo direto de dois elementos fundamentais na contemporaneidade sob o ponto de vista corporativo: abertura midiática e atuação mundializada baseada no fluxo de informações.
Mas é importante frisar que em nenhum momento será foco de estudo o processo de privatização da Vale. O objetivo é estudar as principais reconfigurações das estratégias empresarias em ajuste à atual configuração informacional do capital. Isto posto, acredita-se que o site da Vale sintetiza expressivamente os elementos do que será especificado como novas configurações capitalísticas.
Sustentaremos esta investigação em referenciais teóricos acerca dos processos produtivos e comunicacionais contemporâneos, recorrendo a autores como Dênis de Moraes, Milton Santos, Muniz Sodré, Manuel Castells, Naomi Klein, Antonio Negri, Michael Hardt, entre outros. A metodologia contempla, além da revisão de literatura, entrevistas a serem realizadas com profissionais da Vale, pesquisas no portal da companhia e análises publicações diversas acerca do objeto em estudo.
Foram encontradas poucas pesquisas acerca da Vale, mas nenhuma com a perspectiva desta monografia. Existem poucas análises nacionais acerca de como as empresas vêm se adaptando no contexto do que vem sendo chamado de sociedade em rede ou economia informacional, segundo conceitos de Manuel Castells.
O trabalho foi estruturado em quatro capítulos. Nos dois primeiros são analisados os pressupostos contemporaneidade. Neles são feitas considerações sobre o cenário que possibilita e explica que a lucratividade contemporânea esteja assentada em informação, conhecimento e articulação de redes produtivas, virtuais ou não.
Nesse sentido, no capítulo I, A política da especulação em redes, busca-se caracterizar a economia da informação. No capitulo II, “Ethos Midiatizado”, analisa-se o porquê da necessidade de uma empresa ter que se relacionar midiaticamente com seus públicos de interesse, objetivando um registro das marcas socioculturais da vida atual.
O capítulo três será dedicado a fazer um panorama histórico da Vale sob os pontos de vista empresarial e comunicacional. Aqui também será estudada a história do portal da empresa. Enfim, chega-se ao capítulo quatro. Nesta última parte, o portal da Vale será analisado, seção a seção, com vistas ao mapeamento homepage e sua relação com o cenário problematizado nos dois primeiros capítulos.
Hardt e Negri (2001, p.51) escrevem que o “desenvolvimento de redes que se comunicam tem uma relação orgânica com a emergência de uma nova ordem mundial. É efeito e causa, produto e produtor. A comunicação não apenas expressa, também organiza o movimento de globalização”.
No final de 2007, a Companhia Vale do Rio Doce passou a se denominar Vale e deixou para trás a logomarca do tempo em que ainda era estatal. Ao anunciar um novo planejamento de projeção de sua imagem, o presidente, Roger Agnelli, disse que o objetivo é “retratar uma marca que tenha atributos globais, que tenha atributos que considera e se encaixa em diferentes culturas, locais”, passando a refletir, portanto, o atual momento de expansão da Vale, que hoje se caracteriza como uma empresa global com sede no Brasil.
Essas são reflexões e informações que dão pistas acerca da relação intrínseca entre processos comunicacionais e produtivos, cujas evidências buscamos verificar com o estudo de caso da Vale, a partir do seu portal na Web.
(1) A sociedade atual “rege-se pela midiatização, pela tendência à ‘virtualização’ ou telerrealização das relações humanas”, anota Sodré (2002, p. 21).
(2) Segundo Castells (2001) o capitalismo é informacional porque tem transações baseadas em informação e conhecimento e articuladas por suas tecnologias.
Imagem: Relatório Anual de 2000
Ezequiel Vieira














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