Filosofia de buzu November 10, 2007
Posted by Ezequiel Vieira in : catarse , trackbackA viagem seria de uns 50 minutos, no máximo uma hora. Saí da casa de minha tia na Serra às 06h30 e só consegui chegar na Ufes, em Vitória, às 08h40 - o porquê do engarrafamento. Entre Vitória e Aracruz, cidade onde eu morava, a distância é de 85 km e o percurso custuma ser feito em 1h50. Mas meu otimismo quase crônico como sempre ver além e sempre busca subterfúgios para estravazar.
Ter ficado mais de duas horas num desses antes atípicos engarrafamentos em Vitória deu nisso: entre um ouvir de conversas das pessoas no ônibus e uma inglória tentativa de ficar lendo, em pé, alguma bula de remédio que aparecesse, enfim arrumei alguma coisa mais nobre e também mais cômoda para fazer; fiquei brincando de análise combinatória com algumas palavras.
Soprei a poeira do que o professor lá do ensino médio explicou sobre a composição das palavras e o resultado foi esse
Perdoar: Feita uma separação chegamos a per + doar, de onde per pode ser substituído por pela e doar não precisa de mais explicações.
Perdoar alguém apreende então a atitude que resulta numa doação. É algo de valor que temos e entregue a alguém de forma desinteressada, hipoteticamente não dolorosa e que não vai nos fazer falta alguma. A ação de perdoar não nos faz falta (pela doação), mas, em si, é algo que é somente nosso e que somente também por nossa livre vontade alguém pode receber.
Perdão tem ligação orgânica com desculpar, des + culpar; que nada mais é do que tirar a culpa de alguém por algo considerado errado - palavra aqui com um quê de eufemismo - que tenha feito a nós.
A pergunta que ficou sem resposta: se perdoar, em si, seja algo que em nada vai nos fazer falta, chega até a ser catártico e libertador, por que então fazer essa doação possa ainda nos ser algo tão difícil, ainda que não tão confessado que seja assim?
- Próxima palavra - destruir.














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