Renan e o “processo de judicialização da luta política” September 17, 2007
Posted by Ezequiel Vieira in : política, política/ES , trackbackSeria interessante fazer um estudo sobre como os jornais noticiaram a crise política que envolveu Renan Calheiros. Garanto como se constataria muito mais pronuciamentos e afirmações aleatórias dadas como provas definitivas do que alguma coisa que fuja disso.
Foi mais ou menos a essa conclusão a que cheguei quando apresentei meu relatório de iniciação científica lá no ano passado.
By rob
O objetivo era meio o de identificar qual imagem poderia ser construída de Lula e de seu Governo a partir de um estudo de chamadas e imagens de capa dos jornais daqui do estado, A Gazeta e a Tribuna - as edições estudadas foram as maio e junho de 2005, logo no início das denúncias de “Mensalão” e de corrupção nos “Correios”.
Me surpreende que agora a Transparência Capixaba venha com iniciativa de fazer um abaixo-assinado “como forma de repúdio à decisão do Senado Federal que, desconsiderando o relatório aprovado pelo Conselho de Ética da Casa, absolveu o presidente do Senado das acusações de quebra de decoro parlamentar. ”
A Ong parece não querer ver até que ponto as denúncias contra Renan procedem e merecem julgamento. Do contrário, por que só ele merece ser cassado e agora foi tomado como Judas?
Um professor costuma dizer, bem pragmático politicamente, é verdade, que as relações entre ética e política vão sempre ser problemáticas e que aqueles que primam pela ética costumam desprezar a política e os que optam pela política costumam usar o discurso da ética apenas como mais um dentre os diversos recursos através dos quais exercem sua luta diária pelo poder - vide o caso do PT quando era oposição e agora como governo.
Deve ser interessante viver numa sociedade onde se tem o exercício de um Governo idealizado para se fazer críticas quando se está na Oposição. A Oposição sempre tem solução para todos os males, só tem o detalhe que lhe falta o instrumental executivo para fazer as coisas acontecerem como se prega.
Aos que ocupam a situação no momento, eis que, falta a tão gasta e simplista vontade política. Quando se é Governo existe uma série de impecilhos e não mais que de repente fazer política fica muito mais complicado. Se tem uma série de adversários impiedosos. A Oposição projeta a perfeição de um Governo platônico para avaliar as, digamos assim, incapacidades terrenas.
Mauro Petersem Domingues, cientista político daqui da universidade, lembra que Renan Calheiros sempre foi essa figura que apenas agora se faz tanta questão de se mostra a tal da opinião pública. A presença por bases de governos viria desde, pelo menos, Sarney, tendo inclusive sido nomeado Ministro da Justiça em 1998 pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso e reconduzido à pasta pelo mesmo FHC no início de seu segundo mandato presidencial em 1999.
Petersem ironiza
Mas naquela ocasião, com certeza, não havia nenhum lobista pagando contas suas. Nenhuma empresa bancando a perseguição que ele, como Ministro, moveu contra lideranças e militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra por todo o país.
O que estamos vivendo não é um surto de exigências éticas na política mas a continuação da luta política por outros meios. Derrotados nas urnas, alijados do controle de cargos públicos que consideram seus por direito de nascença, segmentos da sociedade brasileira lançam mão de um processo de judicialização da luta política.










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