“Trabalho é suplício que virou forma de reconhecimento social” August 5, 2007
Posted by Ezequiel Vieira in : cvrd, economia, indicações, política, ufes , trackbackFoi uma grata surpresa. Já presente nominalmente por aqui em duas postagens hoje descubro que Júlio Pompeu, professor de direito aqui na Ufes, mantém um blog. A última postagem que ele publicou foi sobre uma entrevista dada cujas “respostas comporiam um relatório de pesquisa do PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.”
Pra variar, ele foi bem fiel ao estilo provocativo de suas palestras às quais cheguei a acompanhar.
Ano passado, a pedido de um amigo, respondi a um questionário onde deveria dar minhas opiniões pessoais sobre o mundo do trabalho. Estas respostas comporiam um relatório de pesquisa do PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – sobre o imaginário e perspectivas de profissionais bem sucedidos. Apesar de ser professor, consideraram-me um profissional bem sucedido. Foi um erro. Profissionais de sucesso costumam dar respostas otimistas, vêem o mundo com bons olhos, acham os pessimistas apenas uns fracos, derrotistas que se não chegaram “lá”, seja lá onde esse tal de “lá” for, foi por culpa própria. Já eu, que alguém achou que fosse alguém que chegou “lá”, olhando em volta o “lá” onde eu cheguei, dei as respostas que se seguem. Todas pessimistas, catastrofistas. Tempos depois, meu amigo entrevistador me disse que adoraram minhas respostas. “Como assim?” Pensei. “eles não acharam que eu estava de sacanagem? Que a minha visão do futuro fosse apocalíptica demais?”. “Não, e querem lhe fazer mais perguntas”. Depois eu entendi o motivo, os pesquisadores do PNUD eram professores argentinos.
Mesmo as guerras não necessitam mais de tantos soldados. Somos uma sociedade de trabalhadores, que eticamente se identificam por suas funções laborais, pela posição social que o trabalho lhes confere, mas que não mais possui trabalho para todos, que não mais necessita de todos. Não ter trabalho tornou-se sinônimo de não ser social, não ser humano. Ser sobra, resto, algo indesejável. Um paradoxo: devemos amar um suplício, pois ele é a condição de nosso reconhecimento social, de nossa existência.
Leiam a íntegra da entrevista e tirem suas próprias conclusões.
Na segunda-feira da próxima semana farei uma entrevista com ele sobre o plebiscito que está sendo organizado para setembro onde se pretende pôr em votação popular a reestatização ou não da Vale do Rio Doce - pretendo destacar o valor jurídico ou não dessa iniciativa.
Busquei obter um posicionamento da empresa mas a assessoria respondeu que a Vale não fala sobre sua privatização. A recomendação recebida foi para que eu me dirigisse ao “ex-controlador, a União e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico, (BNDES), responsáveis pela privatização do controle acionário.”

Comments»
Acho, por exemplo, que às vezes o trabalho pode não ser tão penoso assim, às vezes pode ser satisfatório ou mesmo prazeroso. É claro, que eu teria essa sensação baseada no status quo que indica que assim deve ser, mas consciente dessa indicação ainda creio que o trabalho não é um suplício total. Só o é quando utilizado para substituir Todo o resto da vida social, quando é a Única forma de reconhecimento e, principalmente, quando Não é capaz de produzir o reconhecimento almejado. Mas assim caminha a humanidade (só não digo que em passos de formiga e sem vontade para não forçar a barra).
Abraços.
=D
Tb lembrei do Martinuzzo e sua diferenciação entre problema e dado da realidade. Trabalhar virou um dado da realidade, ou se morre de fome e coisa parecida….
Como vc bem disse, a gente soube transformar esse suplício divino do longinquo genesis em algo que pode ser satisfatório ou mesmo prazeroso. Sem mais devaneios, foi uma bela e pq nao, consoladora, adaptação rs
Rafael, valeu! abrs