Tese de golpe de Estado a todo custo August 2, 2007
Posted by Ezequiel Vieira in : catarse, cotidiano, jornalismo, televisão , trackbackOutro dia registrei por aqui o tipo de afeição que tenho por Marilena Chauí. Isso até me rendeu uma ácida crítica de meu professor de então. No entanto, a impressão que tenho dela não mudou muito.
Até onde sei a especialidade e autoridade de Marilena pode ser evidente quando ela se ocupa em falar de Spinosa. Não deveria ser diferente para quem fez doutorado e tem livre docência sobre o pensamento desse filósofo - A nervura do real: Espinosa e a questão da liberdade. Desconheço a desenvoltura dela em outros assuntos. Mas quando ela se arrisca a falar de política parece não ir muito longe. Acredita-se muito, interpreta-se pouco.
Ontem um coleguinha me veio com um viral que teria começado por email e agora se espalha mais livremente pela internet de uma entrevista que teria sido feita com Chauí - hoje descubro que a iniciativa da entrevista foi de Paulo Henrique Amorim. No viral ela tem a crença, e quer vender como dado da realidade, de que de que a “grande mídia” quer fazer um golpe de Estado balizado na crise áerea.
Ela teria dito que quando ligou a TV para acompanhar os jogos pan-americanos chegou a “um canal que exibia um incêndio de imensas proporções enquanto a voz de um locutor dizia: ’O governo matou 200 pessoas!. ‘”
Acontece que ela não menciona onde viu essa notícia cuidadosamente colocada em aspas como sinal de fiel transcrição. Meu coleguinha retruca: “Quem estava transmitindo os jogos?” Respondo: “Band, Record, Globo, TV Cultura….”. Meu coleguinha devolve: “Não, não. Era a Globo quem mais transmitia e foi onde Marilena viu a notícia e isso pode ser interpretado no próprio texto.”
Reli o texto e então pergunto: “Isso pode ser interpretado ou é nisso em que você quer acreditar?”
No fim não interessava mais onde Marilena teria visto a tal informação para fundamentar sua tese de golpe midiático de Estado. Esse seria um óbvio ululante que, por corporativismo talvez, eu fazia questão de não querer ver ou reconhecer.
Sim, sim. É uma variante que pode ser considerada nessa questão…. Mas ainda não vi sinais ululantes de golpe. Ainda mais se se apoiar na argumentação de pessoas assim. Uma possível crença vai a zero.
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