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TV e a mudança de vida como criação de valor July 27, 2007

Posted by Ezequiel Vieira in : Resumos, publicidade, sociedade midiatizada, televisão , trackback

[Migrações midiáticas e criação de valor - Lorenzo Vilches]. Para Vilches, a primazia da criação de valor sobre a qualidade do serviço prestado é cada vez mais evidente no caso da televisão. Ele menciona a febre de reality shows como sintomático.

Big Brother, Casa dos Artistas, Fama, Ídolos, o Aprendiz; com boa audiência para quem os promove, indicaria o entendimento pelos diretores de televisão, aponta o autor espanhol, de que a geração de expectativas é garantia de dividendos.

Mas a situação também revelaria estratégias de adaptação diante da fuga das audiências que a chamada migração digital provoca. Como se repensar quando as novas tecnologias impõem reconfigurações no modo de se fazer publicidade - a principal forma financiamento das TVs?

A disputa pela conquista da atenção do consumidor se acirra não somente porque a publicidade deve competir com e evitar o zapping entre os canais. Ela, na televisão, também “deve ir contra” os meios interativos.

Vilches explica que é por isso que a publicidade procura o que ele chama de zapping de atitudes. Isto é, “localizar os segmentos e targets mais desejados pelos anunciantes (profissionais, jovens, classe urbana etc)”. Isso impõe à televisão a procura por alternativas de novas formas de financiamento. Neste caso, o telefone celular seria a grande alternativa para a Internet. Na Espanha, país de onde Lorenzo Vilches escreve, as mensagens por celular e os telefonemas já estariam gerando um lucro perto da marca de 30 minhões de reais. Isso significa que os telefonemas de telespectadores são já a segunda maior fonte de faturamento das TVs espanholas - depois da venda de publicidade e merchandising.

Desconheço qual o faturamento que se obtém por aqui - agradeço a quem souber - mas nada impede que se acredite que também seja um negócio bastante rentável. E isso é notável não somente pela interatividade que se tenta estabelecer entre o público e os programas de reality shows.

A brincadeirinha do leilão invertido, o chamado lance de menor preço único, é uma verdadeira febre na televisão tupiquim. Realmente parece ser um novo pressuposto para se manter um programa. A Sonia Abrão tem. Olga Bongiovani também. Claudete Troiano, ex-Band, tinha. Ana Maria Braga parece ter deixado de fazer. O novato Manhã Mulher da TV JB também achou o negócio mais do que atraente. Mas a TV JB foi mais longe. Ela reservou um espaço em sua grande à noite, com mais de uma hora de duração, onde só se assiste mensagens de celular que os telespectadores enviam. Parece não haver restrição. O envio de qualquer asneira, pago, serve.

O telefone, conclui Vilches, seja na função de promover consumo ou de passar a impressão de interferência ativa da audiência sobre a programação, passa a ser um objeto imprescindível para a criação de valor e crescente alternativa de financiamento para as TVs - “A recepção perdeu o status do espectador em prol da mercantilização do tempo de exposição à mídia.”

É válido lembrar também as enquetes, despudoradamente viciadas, que o Brasil Urgente promove. O quadro de maior audiência no Domingão do Faustão é quando os telespectadores têm sua cota de participação para decidir pela continuidade ou não de famosos em disputa de dança e, agora, em disputa em apresentações circenses - o destaque que é dado no site indica a importância que o programa dedica ao quadro.

 

O denominador comum de todas essas novas formas de fazer televisão é a promoção de espectativas que é potencializada pela criação de valor em torno de uma mudança de vida.

Os programas apresentam situações, de uma mudança de vida diária dos cidadãos, mudança de aparência física, mudança de trabalho e de parceiro sexual.

Seja nos reality shows ou em competições afins, o roteiro final é sempre dizer que as principais conquistas foram a superação, a autodisciplina, o respeito pelo outro, o autoconhecimento e outras palavras decoradas de semântica parecida.

Sobre as premiações pela televisão, como o caso do menor preço único, gera-se expectativa em torno do arremate ou não de algum produto que certamente vai ajudar a vida de uma pessoa comum - pelo andar, digamos, natural das coisas, tão cedo esse alguém agraciado teria condições de comprar um computador uma moto, por exemplo.

Vilches identifica e sentencia a TV como sendo enfim, uma

válvula de escape num mundo fechado sobre si mesmo por medo do terrorismo, da perda do emprego, da solidão e de todo tipo de inconformismo, incluindo o da identidade sexual. Para a perda da estima pela própria realidade, a televisão oferece uma mudança de vida.

Próximo resumo - A criação de valor na publicação pela Internet 

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Comments»

1. Gabriely - July 28, 2007
Oi!

Não é sobre este post, mas acho que vai te interessar: Vai neste link http://www.contraditorium.com/2005/11/14/quanto-vale-seu-blog/ e veja com seus próprios olhos quanto valeria o Polimídia se ele fosse vendido hoje. Garanto que você vai ficar muito feliz com a cifra!

Não é só voc que faz achados nesse estilo, eu também tenho as minhas fontes… Na próxima avaliação da audiência do blog, coloque esta informação, beleza?

Te vejoa por aí! ; )

2. Ezequiel Vieira - July 28, 2007
Valeu, Gaby! Mas 23 mil ainda é pouco…. rs

Volte mais vezes….

inté!


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