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Sociedade em rede e novas formas de criação de valor July 23, 2007

Posted by Ezequiel Vieira in : Resumos, cvrd, economia, publicidade, sociedade midiatizada, tcc, tecnologia , trackback

Parei de deixar pra começar amanhã e neste final de semana comecei pelo livro Sociedade Midiatizada a fazer resumos de textos que acredito que vão me ajudar a estruturar meu TCC sobre a Vale.Qualquer sugestão, comentário, indicação de novas leituras, é mais do que bem-vindo. Neste caso, a crítica quanto à organização das idéias também é crucial.

[Migrações midiáticas e criação de valor - Lorenzo Vilches]. Novidade parece ser a palavra fundamental nesse artigo. Mas isso não não é porque o autor se arrisque a fazer exercícios de futorologia. Ao contrário. O pensamento de Vilches expressa bastante problematizações e questionamentos que no artigo se baseiam fundamentalmente na afirmação de que “as contínuas invocações à novidade substituíram a preocupação com um capitalismo sustentável.”

A dúvida que tenho aqui é sobre qual é o entendimento que Vilches tem quando aponta um suposto desdém com um “capitalismo sustentável”. Ora, mutação contínua me parece ser o direcionamento estruturante do capital. Martinuzzo cita Marx e Engels para lembrar que “a burguesia não pode existir sem revolucionar permanentemente os instrumentos de produção; portanto, as relações de produção; e assim o conjunto das relações sociais.”

Martinuzzo destrincha esse trecho para argumentar que o capitalismo ainda mantém-se bastante vívido, “cumprindo sua sina de eterna mutação, antevista pelos fundadores de sua crítica. Na eras dos discursos pós-modernos de fim de tudo, resta essencialmente o metamórfico capital.”

A sustentabilidade do capital, então, não estaria ameaçada e sim reforçada com as contínuas e agora inauditas produções de novidades, comumente confundidas com crises,  que “propiciam sucessivas ‘revoluções’ que se seguem na experiência de produzir, vender, fazer negócio, gerar lucro, condiocinar sociabilidades.”

Vilches rememora o apagão em Nova York - “causado pelo mau funcionamento das hidrelétricas e que devolveu a cidade emblemática da pós-modernidade à época pós-industrial” - as quebras das empresas Enron e a WorldCom, e o advento das empresas ponto com, para constatar que “o novo capitalismo empresarial passou da produção de objetos e serviços à criação de valor.”

A criação de valor como a nova meta a ser alcançada viria a ser o elemento determinante para que em muitos casos se obtenha uma gestão brilhante em negócios, produtos ou serviços “cada vez mais degradados“. Fato esse que seria configurado pela hegemonia “do mundo do entreterimento, dos esportes e dos meios de comunicação (isto é, tudo aquilo que pode gerar lucros)”. A marca diferenciadora de uma companhia, e não necessariamente a qualidade de serviços aos clientes, é o que “a identifica e explora continuamente o mercado”.

Em uma sociedade “regida pela midiatização, pela tendência a virtualização ou telerrealização das relações humanas”, Vilches argumenta que a informação sobre a qualidade de um serviço se mede pelo interesse que uma companhia desperta nos meios de comunicação. “Assim sendo, de forma difusa, somente sobrevivem aquelas companhias capazes de gerar interesse das mídias”. O mundo é informação, prega Martinuzzo em suas aulas como ressonância do que afirma Manuel Castells “A era da informação é a nossa era. Informação é poder.”

Tomado aqui de modo esquemático, Castells chama de cultura da virtualidade real (CVR) esse novo cenário configurado por redes midiáticas e pelo consumo de seus produtos que vão ser a base de nossa vivência. Uma das consequências é que essa nova cultura cria um regime de estar e não estar. Se se estar nas mídias também se estará presente na vida de milhares de pessoas e é claro, como afirma Vilches, que isso contribui para a criação de valor nas organizações.

A Vale do Rio Doce entendeu muito bem essa nova forma de valoração estruturada pelo estar na mídia. No centro de sua página na internet a empresa traz a seção Notícias. Diferente do que acontece com sites de governos, onde se publicam notícias para tentar referenciar o jornalismo, o que a Vale cham de notícias é o clipping daquilo que foi publicado nos jornais sobre a empresa. Logo abaixo dessa seção, o site também traz a seção press-releases,  que são informações que podem gerar ou não um novo interesse da imprensa em pautar a Vale.

Mediante cadastro, também existe um mailing list e uma sala de imprensa para os jornalistas interessados em receber ou acessar diretamente mais informações sobre a companhia. É o entendimento da vivência segundo a lógica de um ethos midiatizado.

2. O prosseguimento da análise de Vilches vai partir do pressuposto de que, a partir da internet, a simultaneidade e a deslocalização, basicamente, são novas formas de valor a ser conquistado. É  a verdadeira aura em torno da qual se deve viver.

De forma secundária, mas de importância crescentemente vital, o autor recorre ao exemplo da procura por imagens para balizar o argumento de que os mecanismo de busca também criam valor em uma sociabilidade configurada pela internet. Castells vai sentenciar que a “Internet é o tecido de nossas vidas neste momento. Não é futuro, é presente.”

De volta a Vilches

A criação de mecanismo de busca passou a ser um grande negócio nas estratégias das empresas na rede [...]. Agora começa uma nova batalha na guerra de informação: a luta pelo mercado de buscadores, tornados indispensáveis para pesquisa, negócio e entreterimento.

É sintomático o fato de que o Jornal Hoje, por exemplo, trazer em seus créditos o nome de uma pessoa responsável por fazer pesquisas na internet e que certamente é influência determinante do que será pautado. Não estar na mídia é não existir socialmente, não aparecer como resultado de busca na rede é, cada vez mais, pedir para permanecer no esquecimento em um contexto em que a internet é “o meio de comunicação e de relação essencial sobre o qual se baseia uma nova forma de sociedade que nós já vivemos”. É o que Castells chama de sociedade em rede.

  • Fotografia

A migração da fotografia analógica para digital, supõe, para Vilches, uma verdadeira no tempo de recepção, o que vai geraria efeitos diretos sobre a emergência de uma nova concepção de valor de uma imagem.

O que se desdobra disso é que a incorporação de tecnologias digitais supõe a passagem da relação temporal de uma fotografia com a realidade a uma relação temporal baseada exclusivamente no tempo de sua distribuição e na diminuição das barreiras do espaço. Por sua vez, o autor da imagem, acredita Vilches, perde sua autoridade na relação com a realidade, para converter-se num operador de processos regulados pela simultaneidade do tempo e o espaço da distribuição.

Vilches faz um paralelo entre essa nova forma de conceber a fotografia daquela que seria realizada no século XIX. Esta se caracterizaria, principalmente, por fundamenatr “projetos de inventário patrimonial e geográfico” e, como tal, seria um “meio de acertar as contas com a verdade.”

As novas tecnologias romperiam com essa lógica quando “faz suceder uma série de efeitos que pervertem o sentido original do ato fotográfico. [...] O que menos interessa ao destinatário é o autor, com a condição de que a foto seja imediata.”

Um exemplo, na citação de Vilches, seria o caso da fotografia para meios informativos. A muita distância do acontecimeto e a urgência do tempo para a circulação da imagem gerariam os riscos de falsear a interpretação que se faz da realidade, “forçando-os a utilizar a primeira imagem de uma longa série e não necessariamente a melhor, nem a mais pertinente…”. O exemplo mais recente e conhecido a esse respeito é o fato de o portal Uol ter publicado uma fotomontagem enviada por um usuário como se fosse verdadeira sobre o acidente da TAM.

  • Os mecanismos de busca também criam valor

Em abril de 2004 se disseminaram na internet e depois na imprensa e na televisão de todo o mundo as fotos “da ignomínia de Abu Ghraib.”

Lorenzo Vilches toma esse exemplo para questionar os critérios de categorização do que é elencado como resultado das buscas que fazemos na internet - a busca que ele fez por essas imagens realizada em dois momentos diferentes teria suprimido exatamente as imagens mais impactantes.

O autor argumenta que por “trás da lista de resultados de cruzamentos combinatórios por efeito de algoritmos” existe uma inegável intencionalidade política e comercial. Um exemplo que uso para esse caso vem do motim francês que aconteceu no final de 2005.

Fábio Malini traz em seu blog que

o governo francês utilizou estratégia de controle da web para obter apoio às medidas do Ministro do Interior, Nicolas Sarkozy (que chamou os suburbanos de “escória”).

A estratégia foi simples. Um partido da base do governo pagou ao “Google Adword” pelos resultados de busca de determinadas palavras ou termos, redirecionando-os para páginas de apoio à política de Sarkozy. Ou seja, se eu entrasse no google e digitasse a palavra banlieue (subúrbio), as páginas encontradas seriam aquelas onde apareceriam Sarkozy.

Esta lógica e as práticas a ela associadas, frisa Vilches, “(compra de palavras-chaves, de imagens-chaves, garantias de posicionamento na lista de resulatdos - os dez primeitos etc)”, vão influenciar “tanto quanto os sistemas de patrocínio com o qual se torna mais difícil acessar aquelas imagens que nem são pagas, nem são patrocionadas. Um mau assunto para os artistas visuais que se acham fora dos circuitos midiáticos.”

Continua no resumo - TV e a mudança de vida como criação de valor

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Comments»

1. TV e a mudança de vida como criação de valor « Polimidia - July 30, 2007
[...] Continuação do resumo - Sociedade em rede e novas formas de criação de valor [...]

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