Da lógica da centralidade à politica em redes June 1, 2007
Posted by Ezequiel Vieira in : capitalismo cognitivo, cibercultura, comunicação, comunidade virtual, economia, eventos/debates, inclusão digital, internet, política, redes, sociedade midiatizada, tecnologia, ufes, web 2.0 , trackbackForam indicadas três bibliografias para estruturar o artigo, para a aula sobre web 2.0, que se propõe a analisar um fenômeno das redes virtuais - a entrega foi adiada para o final do período. [Essa postagem é parte do que já havia escrito].
> Michel Bauwens - A Economia Política da produção entre Pares
> Antonio Negri - A Constituição do Comum
> Henrique Antoun - Democracia, Multidão e Guerra no Ciberespaço
Todos os autores trazem, não mais como uma tese, mas como um dado da realidade para argumentação, que as redes sociais representam hoje um novo sujeito político.
Citados por Antoun, Arquilla e Ronfeldt vão dizer, em forma de dúvida retórica
As redes parecem ser as próximas formas dominantes de organização – muito depois das tribos, hierarquias e mercados – a chegar ao seu próprio modo de redefinir as sociedades e assim fazendo, a natureza do conflito e da cooperação.
“A natureza do conflito e da cooperação” porque seriam esses os fundamentos básicos sobre os quais a internet viria a ser constituída. Antoun vai recuperar então que as
Tecnologias informacionais de comunicação (TIC), que constituíram a internet e os sistemas de hipermídia através da comunicação mediada por computador (CMC), teriam uma dupla origem fundada nas necessidades estratégicas da máquina militar e nos investimentos de desejo de política democrática.
Antoun vai lembrar ainda que embora sejam inteiramente diversos esses dois princípios que regem o uso da rede hoje - “tanto na índole quanto no desenvolvimento da argumentação” teórica desencadeante - as discussões vão sempre se perguntar sobre o futuro da cooperação e do conflito “na sociedade pós-moderna a partir do advento das redes constituídas pelas TIC e CMC”.
A discussão sobre comunidades virtuais, por um lado, explorariam o poder de cooperação das organizações em rede, enquanto que as redes de guerra, por outro, assinalariam a de seu assustador poder de fogo em situações de conflito - vide o caso da forma de Bin Laden agir em rede no dantesco 11 de setembro. Estes trabalhos, tão contrários entre si, frisa Henrique, nos fazem perguntar se as redes são características de qualquer organização ou se elas são uma forma própria de organização - que potencializadas pelas TIC e pela CMC - estaria conquistando suas emancipação na atualidade.
A leitura da íntegra desse artigo de Antoun vai indicar uma contundente aposta na segunda hipótese.
Redes colaborativas
Michel Bauwens também vai argumentar que a lógica de redes expressa, de forma paradigmática, características bem particulares da maneira como as organizações se estruturam hoje.
Desde que Marx identificou nas fábricas industriais de Manchester o modelo da nova sociedade capitalista nunca tinha ocorrido uma transformação tão profunda dos princípios da nossa vida social como a que sucede actualmente.
Bauwens constata que à medida em que os sistemas sociais, políticos e econômicos se transformam em redes distribuídas, emerge uma nova dinâmica produtiva: o modelo peer to peer (P2P), ponto a ponto, computador por computador. Esse modelo teria o alcance de determinar então toda constituição e maneira de se fazer a política atualmente.
O autor vai sistematizar ainda que essa nova constituição política do presente também provoca um terceiro modo de produção, de autoridade e de propriedade visando à participação sem seleção a priori de atores autonômos em relação a qualquer papel de centralidade ou de comando, para além tanto de uma lógica de mercado quanto a de estado.
A dinâmica que daria vida aos processos P2P se caracterizaria pela
- produção de valor de uso através da cooperação livre entre produtores que têm acesso ao capital distribuído;
- administração pela comunidade de produtores e não por mecanismos de legitimação de mercado ou de uma hierarquia empresarial (terceiro modo de autoridade);
- disponibilizar livremente o valor de uso o segundo um princípio de universalidade, através de novos regimes de propriedade comum (”modo de propriedade distribuída ou entre pares”).
O conceito de massa em crise
A leitura desses artigos dialoga bastante com a temática do seminário da semana passada aqui em Vitória. Foi Ruth Reis quem deu destaque à questão de que o modelo de comunicação de massa nasceu e entrou em crise ainda no século XX.
Ela fez um pequeno histórico sobre os movimentos pela democratização da comunicação no sentido de ressaltar que essas iniciativas datam de muito tempo, mas que seria inegável que “a luta reacendeu com uma força fantástica com o advento da internet”.
Toda a discussão, lembra Ruth, seguia a lógica de uma matriz de massa. “Tinha que haver uma centralidade (legislação, iniciativa do Estado etc). A digitalização traz uma matriz distribuída. Um novo paradigma que se caracteriza pela horizontabilidade cooperativa”.
Descobrir novas formas de narrativas e de se fazer política se faz necessário. Os modelos anteriores parecem esgotados.
É por isso que seria fora de realidade debater uma Rede Pública de Televisão - que repetiria em forma estatal a mesma lógica empresarial de centralidade de produzir comunicação e cultura. Acesse mais no debate O Comum para além do Mercado e do Estado - o embate sobre da TV digital que aconteceu, pelo seminário A Constituição do Comum, na mesa de segunda à tarde (28/05) no Rio.
- Acesse a íntegra do artigo em ”22/06 - A cooperação como elemento constituinte das redes sociais”
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