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Internet: “O gato saiu do saco” May 24, 2007

Posted by Ezequiel Vieira in : blogs, cibercultura, comunicação, copyleft, economia, eventos/debates, internet, jornalismo, mundo afora, política, tecnologia, web 2.0 , trackback

[Seminário A Constituição do Comum - blog] - Duvido que alguém tenha saído da Estação do Porto na tarde de ontem sem pelo menos ter esboçado um sorriso. Bem ao seu estilo Show-Men, Henrique Antoun fez parte da mesa “Internet:  Novas Formas de Opinião Pública e de Consumo“. Também participaram da mesa Gustavo Fortes e Edney Souza - têm muitas novidades ainda e pouco a pouco faço meus relatos das paletras de que participei.

Henrique baseou sua fala no tópico que postou em sua comunidade do orkut Ciberidea Guerra do Código incendeia a web - leia mais abaixo.

Ele entende que esse caso seja bem ilustrativo do que representa a internet. Espaço a que, por mais que se tente, é difícil que alguma ação ou caracterização, consiga domesticar, “tornar a fera mais mansa”.

“A internet dá vazão a sua expressividade. Não é lógica de massa e nem de nichos [domestificação].” É então imanência cooperativa. A subjetividade, “a verdade que te inclui”, vem a ser o grande valor.

Blogs. Credibilidade. Fim do jornalismo

Tão à queima roupa quanto a pergunta, Antoun diz que os blogs não vão fazer com que os veículos tradicionais desapareçam. Isso porque, lembra, a lógica que os mantém são bem diferentes.

“O veículo veicula o preconceito de sua audiência. Você só arregimenta as massas  a partir de grandes preconceitos. Ela [massa] é mantida dócil pelos proprietários de comunicação fazendo com que desconfie de sua capacidade de ação.” Mauro lembraria também que o cinema sempre representa a chamada massa, como não sendo capaz de se autogerenciar. Sempre quando isso vem a acontecer nos filmes, frisa o professor de Opinião Pública, Mídia e Democracia, o caos se estabelece.

A lógica dos blogs se destoaria no sentido de que eles não representam “uma comunicação para os outros. É antes uma perspectiva a partir do mundo de quem produz. “O que leva ao necessário reconhecimento no enunciado do sujeito produtor de seus discursos. Muito diferente dos efeitos de objetividade e realidade buscados pelo jornalismo tradicional.

“Além de produzir o efeito de verdade objetiva, o jornal, com a aparência de afastamento, evita arcar com a responsabilidade do que é dito, já que transmite sempre a opinião dos outros, o saber das fontes” - Dalva Ramaldes em sua dissertação de mestrado

A guerra do código incendeia a web:

Uma seqüência hexadecimal está criando o maior rebuliço na web e no mundo da mídia de massa: 09 F9 11 02 9D 74 E3 5B D8 41 56 C5 63 56 88 C0. Por causa dela mundos e fundos estão sendo levantados para impedir, em vão, sua publicidade. Trata-se da chave criptográfica que quebra o sistema AACS (Advanced Access Content System) dos HD-DVD e do Blu-Ray com filmes e jogos com imagem de alta definição. Com eles vc pode ver os mais recentes títulos de qualquer mídia, pois eles são a chave que abre a porta artificialmente trancada - matéria O código da discórdia

Quando Muslix64 criou o patch do Blu-Ray era apenas uma iniciativa individual. Mas a turma do Doom9 - eu amo esses caras - criou um gerador de chave que funciona tanto no HD-DVD, quanto no Blu-Ray - ver post Holy Grail Located: HD-DVD and BLU-RAY Processing Key Found. E a divulgação da chave se alastra como um virus pela web desde que os blogs se viram compelidos pelo ACSS a tirar a informação do ar pq estavam divulgando a chave - ver post AACS DRM body censors Cory’s class.

Como no caso da chave do DVD - a famigerada CSS - a reação da indústria de massa provocou uma insurreição na rede. Desenhos, fotos, camisetas, música e o q mais vc puder imaginar estão sendo utilizados para divulgar essa chave mestra criptográfica que abre qualquer porta. A música feita por Keith Burgon cantando o código com sua guitarra acústica, conhecida como Oh Nine, Efe Nine já é um hit no YouTube.

As indústrias de massa continuam tão estúpidas quanto antes. Como os imperadores antes de sua decapitação, são incapazes de aprender qualquer coisa. E Lehman, o pai de toda essa excrescência, parece ser a única pessoa sensata quando disse que o DMCA estva morto no Digital Dystopia da McGill - ver mais aqui.

O fato das empresas empalidecerem, mandando seus gerentes apagar o código à força dos blogs e dos sítios onde são publicados gerou uma outra insurreição - ver notícia do The New York Times. Pois quanto mais se apagava o código, mais ele se multiplicava; como uma espécie ameaçada de extinção. Com sua divulgação aqueles discos Blu-Ray e HD-DVD estão desprotegidos. A criptografia da indústria de massa sempre será falha e porca, porque seus segredos tornaram-se de polichinelo na era da multidão.

Um efeito colateral curioso foi a revolta do DIGG. Rede social de notícias, o site ameaçado de processo pela AACs, começou a apagar as publicações do código. Mas no DIGG as pessoas publicam, votam e definem o que é importante para ir à página principal. Os usuários se auto-regulam e intervenções externas acabam causando coisas estranhas, facilmente percebidas pela comunidade. Os usuários reagiram ao apagamento sistemático e inventaram uma “bomba” que fazia com que qualquer matéria da primeira página remetesse ao código proibido. Ao final do dia o fundador do sítio, Kevin Rose, reconsiderou a insanidade da exigência e publicou o código em seu próprio perfil, liberando a publicação dele no DIGG, junto com uma declaração de que aquela comunidade havia decidido que preferia ver o Digg cair lutando (contra a lei) do que vêlo dobrando-se frente a uma companhia maior. Ele termina dizendo: Se perdermos, que diabos, pelo menos morremos tentando. O fato é que o processo contra uma rede como o Digg facilmente pode se tornar um tiro que sai pela culatra contra a ACSS e demais leis assemelhadas. Sendo um sítio governado e mantido por gente de mídia, uma campanha por fundos para o processo e de mobilização contra as indústrias pode ser o rastilho de uma incontrolável explosão, como lembra o Mashable.

Já há quem compare toda essa movimentação com a carta impressa de Lutero pregada na porta da Igreja, que desencadeou a Reforma. Ela marcou a entrada em cena do poder da imprensa na sociedade e o poder da consciência individual na formação da massa. Poder este que gerou a mídia de massa e os formadores de opinião. A guerra do código que quebra a criptografia do HD-DVD e do Blu-Ray marca a afirmação dos que se envolvem com as práticas das mídias digitas como cidadãos digitais, e não mais consumidores - ver post HD-DVD key fiasco is an example of 21st century digital revolt.

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Comments»

1. juliana farias - May 25, 2007
Não acredito ainda que não fez a entrevista com o show men. Uma pena mesmo.!!!! beijos
2. Punk rock em tempos de internet « VibeRock - June 14, 2007
[...] dessa forma ganha visibilidade, forma público. É o que alguns estudiosos chamam de “cultura do espalhe”, ou o nosso bom e velho “boca-a-boca”. É dessa nova forma que o público tem acesso também [...]
3. Blogs metropolitanos: “É hora de construir bairros na rede” « Polimidia - December 11, 2007
[...] meios. Em palestra em Vitória no seminário “A Constituição do Comum” (Maio de 2007) ele argumentou que os blogs não vão fazer com que os veículos tradicionais desapareçam. Isso porque, lembra, a [...]

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