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“A fuga das fábricas, o encontro nas redes” May 21, 2007

Posted by Ezequiel Vieira in : cibercultura, comunicação, copyleft, economia, eventos/debates, inclusão digital, internet, política, política/ES , trackback

[Seminário A Constituição do Comum - blog] - Ele não estava por lá. Mas foi e será uma influência determinante do seminário que começou hoje pela manhã na Estação Porto. A começar pelo nome do evento - A constituição do comum. Foi dessa forma que Antonio Negri intitulou sua apresentação no ”II Seminário Internacional Capitalismo Cognitivo - Economia do Conhecimento e a Constituição do Comum” que aconteceu em outubro de 2005. A fala de Negri acabou por delinear a temática das discussões ao longo desse evento. Acesse mais na postagem “A liberdade que constitui”.

A apresentação da manhã de hoje contou com a presença de Giuseppe Cocco e Maurizio Lazzarato. Cocco e Negri comungam assinaturas em vários artigos. O livro Glob(AL) [Biopoder e luta em uma América Latina Globalizada] também é o resultado dessa, digamos assim, camaradagem. Quanto a Lazzarato, não sei se ele assinou artigos com Negri, mas posso afirmar categoricamente… que o livro Trabalho Imaterial é de autoria deles.

Acesse no blog O Comum o perfil de todos os palestrantes.

 

  • Da direita para esquerda: Lazzarato, Cocco, e Ruth Reis  - secretária de comunicação de Vitória

O meu relato vai se restringir à fala de Giuseppe. Ele é um italiano que fala português o quanto sonho um dia falar em inglês. Lazzarato falou em francês e não consegui encontrar a freqüência em que tradução simultânea era feita. Depois pego as anotações da Juliana pra saber o que ele falou. Deve ser sido qualquer coisa muito interessante mas que para mim tinha quase sempre a mesma pronúncia.

Mais que de produção, é preciso falar de co-produção de serviços

Cocco argumentou que a cultura deve ser pensada a partir do conceito teórico-político de uma constituição do comum. Nesse sentido é importante rever as conceituações que se tem sobre trabalho. O que acaba indo muito ao encontro do pensamento negriano de constituir uma teorização política de léxico renovado. Uma leitura política do presente vai constatar que as relações de trabalho se dão de forma cada vez mais difusa e socializada. “O trabalho se dá em redes que desenham a cidade de forma muito parecida com o que acontece com as redes virtuais na internet”.

1. A cultura é a condição e a dinâmica do trabalho. Os setores industriais não funcionam mais do mesmo jeito. Os atuais estatutos de trabalho estão cada vez mais precarizados.

Cocco lembra que a produção não é mais individual ou industrializada - mas o que também não implicaria o desaparecimento da indútria [Manuel Castells frisa bastante que a indústria se reconfigura e continua tendo importante papel no desempenho da economia].

A lógica de trabalho agora se caracterizaria pela

potência relacional, comunicativa e cooperativa entre sujeitos sociais. Seu locus de manifestação ocorre no conjunto de redes sociais territorializadas nos espaços urbanos, como também nas redes (sócio-técnicas) desterritorializadas nos espaços de não-lugares (1).

A produção do imaterial passa a ser a nova forma de valorização do trabalho. “A relação entre homem e natureza se dá entre sujeitos sem que eles estejam necessariamente  no chão de fábrica. A tônica comunicatica é o que determina as relações de trabalho no que chamamos de nova economia. A economia pós-industrial”.

Cocco é insistente quando diz que o trabalho é cada vez mais intersubjetivo e não mais individual. “A reconfiguração relação entre homem e objeto é o precisamos problematizar.”

2. A relação salarial não dá conta mais da mobilização do trabalho em geral.

3. Cada vez mais a nova organização da economia indica que a relação entre produção e consumo não é mais aquela de antes. O consumo deve ser pensado como produtor de riqueza e a circulação como transformadora do produto.

A empresa, e não mais a fábrica, se moderniza e se modifica em uma dinâmica de redes. Se a questão do trabalho assalariado não é mais mecanismo fundamental de integração social, Cocco destaca que temos de pensar então esse mesmo elemento como ponto de partida para que uma lógica de inclusão se estabeleça. “A cidadania não é mais o resultado a ser alcançado, mas o ponto de partida para que o comum se constitua e haja na sociedade uma mobilização produtiva”.

O que fazer? A democratização para o crescimento e o crescimento para algo

A constituição da cidadania seria a condição pressuposta para uma política econômica que, digamos assim, esteja de acordo com a lógica de produtividade de riqueza hoje. Isso parte da constatação, um tanto óbvia a partir da discussão feita no seminário, de que “desenvolvimento econômico que não debater a nova economia, que se pauta pela produção imaterial, não pode ser chamado de desenvolvimento econômico.” - frase de Luiz Fernando Barbosa que tanto gosto de repetir.

“Tecnologia sozinha não faz política” (3). Necessidade da universalização do acesso à informática

  • Trecho da apresentação de Giuseppe

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=yFk9ariuNBk]

A fala de Giuseppe se encerra com uma questão em aberto e ao mesmo tempo retórica. De que forma se pode fazer com que a sociedade seja cidadã, e por fim produtiva, se de forma maciça ela não tem acesso aos meios de produção para fazer circular o seu trabalho na lógica de redes, uma vez que - como tanto frisa Vilches com boa dose de ceticismo - a internet traz uma técnica com grande horizontabilidade e potencial democrático, mas a intenção política é pré-requisito espinhal para que essa virtualidade democrática se materialize (ou se atualize - para se opor ao conceito de virtual).

E é aqui que a promoção e debate sobre programas públicos de acesso à internet, tais como a Rede Metrovix, se constitui algo estratégico e mais do que necessário.

Leia também

- Entrevista de Giuseppe Cocco ao Instituto Humanitas Unisinos - ‘Já saímos da sociedade salarial. Mas isso não tem nada a ver com o fim do trabalho, nem com o fim do emprego’.

- Matéria do Valor Econômico (12/07/07) - Era digital gera riscos trabalhistas às empresas. “As leis que regulamentam horas-extras, férias, intervalos para refeições e todas as outras regalias da vida de trabalho civilizada, não se aplicam a nós [...]. À medida que a conectiviadade se alastra, descendo os escalões hierárquicos, espera-se que mais trabalhadores trabalhem sem remuneração: em casa, no carro ou na praia - e em algumas condições que podem lhes dar o direito de buscar seus direitos na Justiça [...].’As leis foram escritas antes que o local de trabalho passasse a ser em qualquer local do mundo’, diz Tanembaum. Se funcionários cobertos pela legislação salarial e horária trabalharem um dia suficientemente longo enquanto estiverem de férias, poderá até mesmo ter necessidade legal de que seus chefes imediatos se certifiquem de que seus suborninados fizeram suas refeições e fizeram pausa para o descanso, diz ele. ‘A coisa realmente pode começar a espapar do controle.’”

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Comments»

1. leticia goncalves - May 21, 2007
Valeu Ezequiel! Perdi as palestras hoje. Muito bom vc passar o que foi discutido. Espero estar lá o resto da semana, ao menos pela manhã, para acompanhar as palestras.

Abraços.

2. Ezequiel Vieira - May 21, 2007
É, foi muito bom mesmo! Espero ter pelo menos tangenciado o q se passou por lá.

De Lazzarato, só entendi coisas como “Michel Foucault”, “Profano” (que em frances se opoe ao q se faz na academia) e mais alguma coisinha q por aqui a gente faz bico pra pronunciar

Nao fui a palestra da tarde. Tb nao posso faltar tanto no sindicato. Mas pelo perfil de uma das palestrantes, Bárbara Szaniecki, a discussão deve ter seguido pelo o q tb foi discutido no ultimo Foco e q publiquei por aqui - “A multidão e a proposta de pensar formas novas de contrapoder”.

É só buscar aí em cima pela palavra “contrapoder”

abrc

3. juliana farias - May 21, 2007
Parabéns. Como sempre consegue sintetizar as discussões com muita classe. Vou traduzir as coisas por aqui e tentar fazer um texto tão bom sobre o ilustre Lazzarato. Beijos
4. "A televisão é controle de subjetividade" « Café Colonial - May 23, 2007
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