Cidades e limites, escrituras no tempo* April 26, 2007
Posted by Ezequiel Vieira in : política, sociedade midiatizada , trackbackCom a compressão de tempo e espaço operadas pelas novas tecnologias de informação e comunicação, as cidades esperimentam um duplo movimento de forças que tendem a tornar ainda complexa a compressão da materialidade. Por um outro lado a comunicação em tempo real que permite teleconferências, teletrabalho, transações financeiras, visualizações à distância, etc, expande limites da cidade comtemporânea para além das coordenadas geográficas.
Na outra mão, um movimento acelerado procura prospectar a cidade e eliminar suas zonas de sombras. Toda uma tecnologia que fotografa, filma, registra e localiza, numa busca contínua pela transparência: câmeras, circuitos de TV, celulares que fotografam, palmtops, GPS etc. A cidade fragmenta-se, torna-se não-linear.
A cidade em três tempos
A cidade antiga, pré-moderna, tinha seus contornos definidos por marcos arquitetônicos bem palpáveis, no que Benjamin chamava de ‘olhar táctil’. O castelo, a catedral, os muros e os portões. Uma leitura linear com frente, fundo, laterais e percursos definidos.
A cidade moderna, de Kevin Lynch, ainda se pautava pelos suportes físicos da memória, ancorados em marcos arquitetônicos e urbanísticos. Na cidade contemporânea, ampliada, cidades interfaces, temos uma diluição dos limites objetivos.
A entrada da cidade não mais corresponde, necessariamente a um ponto localizado geograficamente, mas pode ser um website governamental acessado de um outro país ou um terminal eletrônico num aeroporto fora dos limites geográficos da cidade.
Tomam-se então a arquitetura como uma espécie de último bastião para reterritorializar as cidades. A tentativa de construção de novas narrativas através da construção de novos monumentos que possam, quem sabe, criar identidades.
* Esse trecho faz parte do artigo (íntegra) Arquitetura da cidade no tempo das mídias digitais de Marcos Rodrigues. A imagem foi copiada do blog dele Imago Urbis Cidade.Comunicação.Consumo. Ela ilustra a atividade de celulares durante um show de Madonna em Roma.















Comments»
no comments yet - be the first?