Era um garoto… mas não como eu? April 19, 2007
Posted by Ezequiel Vieira in : copyleft, mundo afora , trackbackTudo bem que sou uma menina (rsrsrs), mas não resisti ao título e à analogia com a tão famosa música dos Engenheiros do Havaí… O fato é que encontrei esse perfil do estudante responsável pelo massacre da Virgínia Tech, nos EUA e resolvi compartilhar.
“Pelas informações que dispomos de Cho Seung-Hui podemos traçar um perfil psicológico inicial dele, enquanto aguardamos novos dados. O fato de ele ser descendente de imigrantes coreanos nos Estados Unidos já é significativo, se levarmos em conta os históricos problemas de racismo e discriminação presentes na nação norte-americana.
A discriminação nos Estados Unidos não é apenas racial, mas se estende às pessoas com poucos recursos econômicos, que “denigrem” a imagem de uma nação “próspera”. Esta sensação de discriminação e de não pertencer à “próspera” sociedade norte-americana fica demonstrada numa carta deixada por Cho em seu dormitório na qual ele se refere aos seus colegas como “ricos, festeiros e charlatões”. Ainda segundo Cho, foram estes colegas que “causaram a tragédia”, talvez não se referindo apenas aos estudantes do Instituto Politécnico da Virgínia, mas à própria sociedade como um todo.
Não pretendo afirmar que Cho foi apenas uma vítima da sociedade americana, mas entendo que ele não soube lidar com os problemas de discriminação que sofria. Por este motivo, a sua vingança não foi feita apenas para alguns desafetos, mas para uma comunidade como um todo, demonstrando toda a sua revolta para com a sociedade norte-americana, que não o acolhia como ele desejava…”
“Um dos problemas psicológicos mais difíceis de serem resolvidos é o sentimento de rejeição. Assim podemos considerar que a sua brutal reação foi dirigida a este sentimento que ele carregava. Claro que dirigiu esta reação para outras pessoas, mas não soube lidar com o sentimento de rejeição e com toda a tristeza e raiva que este sentimento desperta. Neste sentido, outros problemas pessoais possuem uma dimensão menor, embora mereçam também ser investigados.
Como ele matou também duas colegas suas que estudaram com ele desde o segundo grau, o crime pode ter um caráter passional também, e na esteira de seu sentimento de rejeição, ele pode ter matado também aquelas pessoas que ele gostava, mas que não correspondiam ao seu afeto. Esta não correspondência pode ter sido sentida também como uma rejeição, e esta circunstância pode ter servido como um fator desencadeante para o seu ato homicida. Não podemos reduzir um ato homicida desta proporção, voltado para inúmeros estudantes do Virginia Tech como sendo apenas um crime passional, embora o problema passional pode ter sido o “gatilho” deste massacre. Talvez não tenhamos a informação se ele gostava mesmo destas colegas ou se foi recusado por elas, justamente porque uma pessoa que se sente rejeitada pode não ter a coragem de expor os seus sentimentos, com o medo de receber como retorno desta demonstração afetiva justamente uma resposta de rejeição.
Cho era filho de um casal de sul-coreanos, donos de um estabelecimento humilde para os padrões americanos, que era uma tinturaria na cidade de Centreville. Sua origem humilde e seu provável sentimento de rejeição o tornaram “uma pessoa muito solitária” e, segundo afirma um colega de quarto do dormitório da universidade, ele seria um pouco “esquisito” também. Ser esquisito na cultura americana freqüentemente significa ser diferente do padrão estabelecido pela “normalidade” norte-americana. Vale lembrar que a palavra normalidade é derivada de “norma” e o que é considerado normal é o hábito mais comum numa dada sociedade. Por este motivo, não foi apenas um colega seu que o achou “esquisito”, mas também uma professora de escrita criativa, que achou os seus textos “perturbadores” e recomendou que ele procurasse ajuda psicológica. Como ele não procurou, a exemplo de muitas pessoas que necessitam mas não o fazem por achar que não precisam, ele continuou com o seu problema inconfesso.
Alguns textos recentemente atribuídos a ele mesclam os temas de abuso sexual, vingança e morte, que podem ter sido componentes marcantes da vida de Cho. Numa investigação mais aprofundada de seu histórico poderíamos até encontrar situações de abuso sexual ou outras, geralmente presentes no histórico de uma pessoa perturbada, mas a conclusão importante é que ele era portador de um transtorno mental que a sociedade que ele agrediu não soube identificar a tempo.
Outra conclusão ainda pior é que este tipo de massacre é um fenômeno tipicamente americano e que se a sociedade norte-americana não encontrar um tratamento para estes indivíduos potencialmente perigosos, que ela também é responsável, este tipo de crime se perpetuará sem solução.”
Marc André da Rocha Keppe - Psicólogo e Psicanalista










Comments»
Abraços!
Só sinto pena dos imigrantes asiáticos. Agora a perseguição se tornará implacável, junto aos negros e latinos. Imagino até que o próximo inimuigo do Rambo será um sujeito de olhos puxadinhos, pra variar…