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Youtube é mais visto do que todos os canais de TV February 28, 2007

Posted by Ezequiel Vieira in : comunicação, web 2.0 , 2 comments

Editado a partir do blog Geek42

No começo de fevereiro a Viacom, empresa dona de canais como a MTV e Nickelodeon, obrigou o YouTube a retirar mais de 100 mil vídeos cujo o conteúdo tinha sido extraído de alguns de seus canais. A ironia da situação, que não é exatamente uma surpresa, é que desde então, no dia 2 de fevereiro, a audiência do YouTube aumentou em mais de 14%.

Mas a coisa não para por aí, com este aumento o YouTube agora é mais visitado do que todos os sites de canais de TV somados. O Google agora, como dono do YouTube, enfrenta um desafio semelhante ao que ele tem com o Google Books, que é o de oferecer acordos de propriedade intelectual que estimulem os grandes produtores de conteúdo a disponibilizar o seu material no site.

Ps.: moral da história - se caiu na rede, o objeto de censura só vai ser potencializado no seu espalhe viral e ainda por cima vai promover o censurado.

  • Veja também - Os serviços do Google a serviço da completa atenção

Pobreza não é a determinação da criminalidade, indica estudo

Posted by Ezequiel Vieira in : cotidiano, política , 4 comments

O mapa da violência no Brasil, segundo um estudo divulgado ontem e elaborado pela Organização dos Estados Ibero-americanos para Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), mostra que não existe uma correlação estatística entre mais pobreza e mais violência, ou menos pobreza e menos violência. Está errado o diagnóstico de que, estatisticamente, os jovens que cometem atos violentos o fazem por falta de comida, por falta de vagas nas escolas ou por falta de condições básicas de existência. Causas sociais influenciam mas não são a determinação da violência como alguns querem fazer acreditar.Nas regiões mais pobres do Brasil (semi-árido nordestino, Vale do Jequitinhonha) há relativamente menos violência do que nas áreas metropolitanas, na fronteira agrícola do norte e do centro-oeste e na fronteira com o Paraguai e a Bolívia.

A Agência Brasil relata que o estudo ampliou as pesquisas sobre violência, até então realizadas nos grandes centros. As mortes violentas vêm ocorrendo com maior intensidade no interior, principalmente na região Centro-Oeste. Entre as dez cidades com maior taxa de mortalidade, quatro são do Mato Grosso - Colniza (1º), Juruena (2º), São José do Xingu (5º), Aripoanã (8º). Os demais são Coronel Sapucaia (MS), em 3º, Serra (ES), em 4º, Vila Boa (GO), em 6º, Tailândia (PA), em 7º, Ilha de Itamaracá (PE), em 9º, e Macaé (RJ), em 10º.

Comentário de Pedro Barros Lima no Blog do Alon sobre o infográfico da pesquisa

Bingo! Realmente, a omissão do governo federal na regularização das atividades econômicas do setor primário na macroregião do povoamento adensado da Amazônia - onde verificou-se grande fluxo migratório nos últimos 40 anos -, além do aumento do desmatamento, também provoca a marginalização da população.

Não apenas a questão da regularização fundiária, mas todas as demais atividades que dependem de recursos naturais sob controle da União, estão marginalizadas pela falta de regularização que compete ao governo federal: extração madeireira, garimpos, e atividade agropecuária sem licenciamento ambiental das propriedades rurais. Na conta da irresponsabilidade, além da violência, e desmatamento, também a institucionalização da corrupção.

“Violência urbana crescente é um mito” February 27, 2007

Posted by Ezequiel Vieira in : cotidiano, política , 11 comments

A entrevista traz no mínimo um contra-senso. Em entrevista ao jornalista César Felício (Valor Econômico - edição de ontem), o ex-secretário de segurança pública de São Paulo, Marco Vinicio Petrelluzzi, afirma que a criminalidade no Brasil não vive uma explosão. Petrelluzzi, com números do Ministério da Justiça em mãos, fala que muito pelo contrário, a criminalidade experimenta um ligeiro recuo - veja a tabela abaixo *. Crimes como o do menimo João Hélio representariam uma exceção, e não o padrão, do que acontece no país.

Pela argumentação do ex-secretário o narcotráfico não é comandado no Brasil por poderosas organizações criminosas, mas é uma atividade pulverizada. E o PCC seria sim poderoso dentro das cadeias, mas isso não se repetiria com a mesma força fora delas.

Estado

2001

2005

Brasil

27

23.8

São Paulo

34.6

18.9

Rio de Janeiro

48.6

40.5

Rio Grande do Sul

26.6

14.6

Distrito Federal

30.3

24.7

Goiás

25.7

21.7

Espírito Santo

58.6

28.4

Rondônia

52.2

31

Roraima

24.3

12.5

Tocantis

23

16

Sergipe

31.9

23.4

Acre

25.4

18.1

Amapá

38.9

22.2

Amazonas

16.5

16.2

Paraíba

19.5

19.4

Piauí

9.5

9.1

Bahia

20.7

22.6

Pernambuco

40.7

48

Mato Grosso do Sul

34

22.9

Mato Grosso

24.4

32.1

Alagoas

36.5

37.2

Santa Catarina

7.3

8.4

Paraná

22.4

32.2

Ceará

17.7

20.2

Rio Grande do Norte

11.8

19.9

Maranhão

10.1

15.6

Minas Gerais

12.2

18.5

Pará

17.5

35

 

 

 

* A tabela foi publicada na entrevista e não consegui achar esses dados no site do MJ. Os números mostram a evolução dos crimes violentos em uma taxa de ocorrência por 100 mil habitantes(homicídios dolosos, lesão corporal seguida de morte, morte suspeita e latrocínio).

Do prevenir à certeza da punição February 26, 2007

Posted by Ezequiel Vieira in : cotidiano, política , add a comment

Se é verdade que para cada cabeça há uma sentença, a mais recente discussão sobre segurança pública mostra que, dependendo da tendência política da intelligentsia em questão, há uma causa possível como explicação para a criminalidade - nem é o caso aqui de estabelecer um pensamento dialético que no final se constitua num discurso isento, mas sim o de fazer um exercício de honestidade intelectual mesmo.

Explicação 1: a ausência do Estado e de políticas mais concretas de inclusão social nas áeras mais pobres está deixando a população, principalmente a de jovens, à mercê de grupos criminosos.

Aqui, a primeira pessoa a se ver livre de seu ato é o criminoso. Nas favelas, apenas uma minoria é recrutada para o narcotráfico. Mas já é o bastante para que os bandidos sejam, então, vistos como fruto passivo do meio social. “Não se sabe exatamente por que a maioria resistiu ao banditismo, mas se tem uma justificativa para explicar (e perdoar) a adesão da maioria”. (Reinaldo Azevedo)

Explicação 2: o crime é uma opção que está diretamente relacionada à certeza da impunidade.

Explicação essa que evidentemente não é a única, mas que prefiro acreditar como sendo determinante. Nela não está implícita uma passiva vitimação.

Naércio  Menezes Filho*, logo na título de seu artigo publicado no Valor Econômico deste final de semana (Programas sociais contra a criminalidade) já indica qual linha vai seguir em sua argumentação, mas pelo menos não tem medo de também dizer que a criminalidade não tem no meio social a sua caixa de pandora.

Menezes Filho escreve que os países com maiores índices de criminalidade são aqueles com maior desigualdade de renda, com menor nível educacional de sua população e com menores taxas de crescimento econômico recente. Além disto, quanto maior for a probabilidade de captura e mais rigorosa for a punição que o criminoso capturado sofrer, menores mostram a ser as taxas de criminalidade.

Diante desses fatores, o professor de economia e diretor de pesquisas do Instituto Futuro Brasil, não deixa de afirma que a longo prazo, teremos que diminuir a desigualdade de renda e aumentar o nível educacional da nossa população. Mas não fica no discurso pronto, tão indiscutivelmente aceitável  quanto de práxis nada concreta, de que precisamos definir a sociedade que queremos (uma pérola dita por um sociológo no JN).

No curto prazo, Menezes Filho, sem medo de ser óbvio, aponta para a necessidade de aumentar o policiamento para aumentar a probabilidade de captura e ampliar as penas para crimes mais graves.

O artigo continua aqui.

Negri e Cocco: O moralismo impotente e a cantilena sobre a verdade do poder (atualizado em 28/02) February 24, 2007

Posted by Ezequiel Vieira in : política , 1 comment so far

Clique aqui para ver Glob(AL): Biopoder e Luta em uma América Latina Globalizada, de ANTONIO NEGRI & GIUSEPPE COCCO no Submarino.com.brSobre Negri e Giuseppe Cocco, pode-se dizer que eles expressem uma ideologia de esquerda. Mas eis que surge uma diferença espinhal. Eles pensam. E o maior de todos os absurdos ainda é possível: o pensamento negriano também tem projeto político. Projeto esse que tem a pretensão de estabelecer uma relação alternativa e não uma dialética ao capitalismo.

Fiquei de fazer uma resenha sobre o livro feito pela dupla, Glob(AL) Biopoder e luta em uma América Latina Globalizada, mas por enquanto, fico com a Nota inserida de última hora. Ela foi colocada a poucos meses do lançamento do livro e sete meses depois de ele ter sido concluído em janeiro de 2005 - “No momento em que as provas deste livro estão sendo encaminhadas para prelo…”.

A Nota foi uma reação às denúncias de corrupção no governo Lula que pipocaram com maior volume e sem medo de ser feliz a partir de maio de 2005. “O que nos parece importante é comentar essa crise à luz das avaliações positivas do governo Lula que fizemos em vários momentos de nosso ensaio.”

Eis os quatro pontos da Nota

1. A derrota do desenvolvimentismo pragmático. … a crise atual destrói a última ilusão de que a transformação social possa passar pelo controle do aparato estatal e das alianças pragmáticas necessárias a tal objetivo. O grande resultado da derrota desse “projeto de poder” já é um dado: em vez de “controlar” o aparato estatal, trata-se de transformá-lo radicalmente.

2. A verdade do poder contra o poder da verdade. O que está em jogo nessa campanha de “moralização” não é a verdade. Pelo contrário. O que se afirma é a verdade do poder contra o poder da verdade. Na realidade, o poder é sempre corrupto, pois é fruto da corrupção da democracia, de sua limitação, de sua despotencialização, ou seja, da redução da potência de muitos ao poder de poucos (mecanismo fundamental da soberania hobbesiana que a democracia representativa confirma e legitima. O poder nasce da corrupção!

3. Moral e ética não são a mesma coisa. O que separa uma verdadeira perspectica ética do moralismo petulante e autoritário? Como acabamos de dizer, o moralismo continua afirmando que a democracia representativa deve ser “depurada”, quando é a própria representação que implica a corrupção.

4. Democracia absoluta. Maquiavel, que não gostava de Savonarola - moralista queimado pela Inquisição - , dizia que virtude é contrário de fortuna: ou seja, o povo sem “condottiere“; ou seja, aquela situação absolutamente democrática na qual a corrupção do sujeito não tem lugar, onde não existe separação, defendida por Hobbes, entre sujeito potente e o exercício dessa potência.

  • (28/02) Etc - acesse também a postagem de Letícia Gonçalves Sobre a anti-democracia da democracia.

Os reveses daqueles que chegam ao poder e “esquecem” seus “ideais” e as voltas que as leis e os mecanismos da própria democracia permitem suscitam certa descrença naqueles que se encontram inseridos como mecanismos desses mesmos fenômenos, ou seja, nós.

É a democracia em si mesma anti – democrática, permitindo que poucos usurpem o poder em benefício próprio, ou são os tais detentores do poder que usurpam todo o potencial democrático da democracia em proveito próprio? Ou seriam as duas coisas?

Uma resposta daquelas que encerram as questões sem nada esclarecer poderia ser: o problema é que “a democracia de verdade” ainda não foi implantada.

É claro, assim como o “socialismo de verdade” e o “liberalismo de verdade”.

Não creio que isso leve alguém a algum lugar. A guerra entre ideologias também não parece oferecer uma saída decente.

Continuação