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América Latina - o avanço de qual esquerda estamos falando? January 16, 2007

Posted by Ezequiel Vieira in : artigos, eventos/debates, mundo afora, política , 3 comments

Entre uma explicação e outra  na aula de Comportamento Político, o professor brincou que três coisas se esperam de quem se forma num curso de humanas: que seja sexualmente plural, ateu e militante de esquerda. Céus! Falta um ano pra me formar em jornalismo e não me identifico com nada disso. Me consola o fato de que pelo menos uma coisa ficou bem clara - é anátema suprimir as singularidades de uma tendência em uma única categoria.

O 13º Encontro do Foro de São Paulo termina hoje e teve como desafio algo parecido - “la nueva etapa de la integración latinoamericana y caribeña” e “la relación entre las forças políticas, los movimentos sociales y los gobiernos de izquierda e progresistas”.

São 12 os governos que fazem pensar em um avanço da esquerda na América Latina, mas a atuação política deles põe em xeque a tradicional alcunha de esquerdismo que algumas análises ainda costumam dar. É um exercício de muita concentração e paciência pensar o que existe de similar entre os governos de Bachelet e Lula de um lado e o do missionário Chávez de outro. O documento base do Foro (1) prefere tangenciar e dizer que “los caminhos que la izquierda latinoamericana son diversos y plurales”. Na mesma seqüência a vitimazação aflora

Llaman a nuestros gobiernos “populistas” en el afán de estigmatizar y descalificar nuestra política, asociándola con el pasado. Al mismo tiempo, intentan dividir a los gobiernos progresistas en dos grupos: la “izquierda moderna” y la “izquierda atrasada” con la intención de borrar los muchos objetivos comunes que unen a nuestros gobiernos y partidos. Esta diferencia es falsa y lo que en verdad existe es una diversidad de estrategias que responden a las realidades y condiciones de lucha que existen en cada país.

O fato da forma de governo no Brasil e na Inglaterra ter como pontos em comum eleições regulares e oposição ao governo, não faz com que se denomine, genericamente, que em ambos um mesmo sistema de governo se manifeste. Com o mesmo racicínio, mas na direção oposta, receber o nome de esquerda não significa que os governos tenham atuação similar. Nesse caso, as diferenças na América Latina são tão grandes que é melhor rever os termos que estão sendo usados.

 ”La denominación de izquierda confunde a la opinión pública”, segundo a diretora executiva do Latino Barometro, Marta Lagos (2), porque seria um conceito nascido no palco da Guerra Fria e associado a “movimientos revolucionarios del Che Guevara, el gobierno de Salvador Allende en Chile y la propia Revolución Cubana”.

Lagos acredita que a nova esquerda  não pode mais ser chamada de esquerda e sim de sociodemocrata. O direcionamento dessa forma de governo se basearia em “la construcción de redes sociales de apoyo a los más desvalidos de la sociedad, pero sin rupturas, y en su mayoría asumiendo orientaciones económicas conservadoras”.

Tal como la palabra izquierda, también América Latina fomenta el “engaño”, haciendo creer “que existen más similitudes de las que hay”, porque “cada día hay más diferencias” entre los países o grupos de países de la región, desde el fin del autoritarismo”, sentenció Lagos, recomendando “distinguir fenómenos que se dan en dos, en tres países”.

1.Para ler o documento-base do foro, em espanhol, visite o site do PT 

2. ver texto Desafios 2006-2007 America Latina y el enigma de la izquierda por Mario Osava

3. Artigo no Noticiero Digital, de oposição a Chávez  - El día en que Chávez mató otra véz a Léon Trotski

4. Texto no Comunique-se: O que os jornalistas pensam de Chávez?

Insistir duas vezes no mesmo erro é burrice, imagine 5… January 14, 2007

Posted by Ezequiel Vieira in : política , 3 comments

Quantas vítimas ainda serão necessárias para o Estado e a cidade de São Paulo, figuratizados em seus governantes, perceberem que a instalação de uma estação de metrô na região de pinheiros é inapropriada pela questão do solo. Por ser uma terra de várzea, é instável, prova disso foram os cinco acidentes ocorridos desde o início das obras na região.

O atual governador  de São Paulo, José Serra, falou em entrevista à imprensa que pagaria os prejuízos dos moradores da região, incluindo a construção de novas casas, se necessário. Contudo, uma pessoa que esteve envolvida com a máfia das ambulâncias, em sua gestão como ministro da saúde no governo FHC e também fez uma má administração na cidade de São Paulo em prol de suas disputas pessoais pela corrida presidencial, não pode ser considerado de confiança.

A agilização do processo de conclusão das obras do metrô na capital leva a outra discussão: a falta qualidade do transporte coletivo público, assim como as péssimas condições das estradas e vias principais de acesso da cidade. Para uma região que tem mais de 14 milhões de habitantes, é primordial a elaboração de estudos de urbanização para analisar as possibilidades de infra-estrutura para atender a demanda atual dos moradores.

A maior cidade do país precisa rever as suas prioridades no governo. Quem sabe depois de tantas tragédias, a cúpula que está no poder pare e reflita sobre o caos ao qual estão submetendo os paulistanos.

por Juliana Farias

Ciclo de Conferências - Vozes do pensamento político contemporâneo January 13, 2007

Posted by Ezequiel Vieira in : artigos, eventos/debates, jornalismo, política , 2 comments

1. Essa semana passei pelo site de algumas assembléias legislativas pra começar a pensar e organizar meu projeto de TCC - como se pautam o legislativo e a imprensa no ES.

No site da assembléia fluminense tenho a supresa de encontrar um amplo material resultado de um Ciclo de Conferências organizado entre os anos de 2001 e 2004, Vozes do pensamento político contemporâneo.

Ao todo são 28 palestras que discutem temas que passam pelo terceiro setor, eleições nos EUA e Império, uma das muitas referências feitas por Chávez em seu discurso de perpetuamento no governo da Venezuela, para quem o socialismo não é um projeto político arcaico, mas cuja reinvenção e sucesso passa por ele - El Socialismo del Siglo XXI. ?El Evangelho según Chávez? por José Andrés

2. A Assembléia Legislativa do Ceará traz a biografia de todos os ex-presidentes da Casa. Tem nomes de 1835, Joaquim José Barbosa, até o ano de 2002, José Welington landin.

3. O Legislativo do Paraná, em um nítido reconhecimento do elo  que existe hoje entre política e mídia, traz um link para os principais jornais do estado.

Corrupção deve ser controlada pela melhoria das instituições January 8, 2007

Posted by Ezequiel Vieira in : artigos, política , 4 comments

Em minhas previsões para 2007 escrevi que segui a tradição e também fiz minhas promessas e planejamentos para o ano. Um deles era escrever um artigo por mês, pelo menos. Ontem à noite comecei a rabiscar alguma coisa e eis o resultado

Provocativo, discípulo de Foucault e opositor da racionalidade que negativize as emoções humanas, não necessariamente nessa ordem harmônica, Júlio Pompeu costuma dizer que uma sociedade pode ser entendida pela análise de suas microinstâncias*. Ora, o que pensar quando esse mesmo raciocínio é usado para se debruçar sobre a ação política em um sistema representativo como o nosso? Para dizer o mínimo, fica marcada pela hipocrisia a afirmação de quem se declara desiludido e faz uma associação direta entre política e corrupção.

Uma moral nunca pode ser coletiva se antes ela não for individual. Um Congresso, uma Assembléia, uma Câmara não é palco de uma moral diferente daquela que é cotidiana. Para ficar com o pensamento de Foucault, macro e micro se constituem por meio de ações que se ampliam e que também podem ser verificadas ao longo de uma rede. 

O que é gritante em um caso como esse é que a moral de ação pode ser a mesma, mas a responsabilidade por ela é maior para quem fica na macroinstância social e se compromete com os rumos de uma comunidade e de uma nação por inteiro. Esse não é, porém, a caso de negar os vícios e paixões humanas, e sim o de reforçar e fazer valer as formas de controle institucional e social do poder público.

Espinosa aqui é perfeito. Ele não considera as paixões humanas como vícios ou defeitos, mas algo tão natural como os elementos e os fenômenos da natureza. O filósofo afirma que é ficção e loucura querer que os governantes ajam como se não tivessem paixões e interesses. Querer isso seria o mesmo que exigir que eles deixassem de ser humanos, tornando-se anjos.

Os princípios para uma ética da ação pública se encontrariam então na qualidade das instituições republicanas e democráticas. São as instituições que devem ter o poder de cercear e impedir que as paixões (os interesses) pessoais dos governantes tenham força para esmagar, ferir ou bloquear os direitos dos governados.

Marilena Chauí, cujo defeito de endeusar Lula e cia não deve ser considerado agora, também diz que o maior perigo para o Estado, em Espinosa, é o indivíduo privado ou grupos de indíviduos privados que se apresenta como defensor das leis, abolindo as existentes para decretar outras que atendam seus próprios interesses.

A corrupção, portanto, seria isso. Ela só acontece quando a fraqueza das instituições ou sua má qualidade permite a privatização do que é público.

* ver post O presídio é a lata de lixo pata uma massa que deixou de gerar interesse

Atentados em Madri destaca novamente protestos organizados via SMS January 5, 2007

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Uno de los SMS reenviados. (Foto: S.R.S .)

Chile, Espanha e França trazem em comum uma nova forma de comunicação para mobilização e ativismo político - blogs e mensagens via SMS (ver post SMS sin paz). Os atentados em Madri do último sábado, atribuídos ao ETA, fizeram o blog El Castejo destacar o que classificou de “polémica arma de propaganda política” - não deu pra entender muito bem o porquê da palavra polêmica.

Tal como os protestos de estudantes secundaristas chilenos, as manifestações de jovens de subúrbios franceses,  a Espanha se vê palco de uma nova mobilização, organizada principalmente via SMS,  para protestos contra o política anti-terror do governo de lá.

O que o blog El Castejo considera como novidade é o fato de ter encontrado manifestações com diferentes nuances políticas - “a favor y en contra de Zapatero, más y menos agresivos, de ida y vuelta….”, a tendência dessas formas de mobilização seria marcada sempre por aqueles que são do ‘do contra’ e nunca a favor do governo ou algo parecido.