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“A modernidade quis organizar a agonia” January 29, 2007

Posted by Ezequiel Vieira in : entrevistas, indicações, política , trackback

Uma continuidade à postagem anterior

O caderno Ilustrada da edição de sábado da Folha publicou uma entrevista com Luiz Felipe Pondé sobre o lançamento de seu livro “Do Pensamento no Deserto”. A abertura da entrevista traz que a publicação trata-se de uma análise sobre a disputa “entre pensamento conservador e a modernidade, entendida como a crença na promessa de que a razão humana, de que a ciência, daria conta da realidade e seria capaz de reformar a vida e a sociedade, visando à melhoria do homem.”

De minha parte acrescento o primarismo na crença da promessa de que a política, em sentido estrito, seja capaz de atender à exigência de clareza e coesão que sempre buscamos.

O autor, que é professor do Departamento de Teologia da PUC-SP e da Faculdade de Comunicação da Faap, acredita que a modernidade é a utopia de que a gente seja capaz de organizar a agonia. Para ele, o ser humano não pode fugir daquilo que o fundamenta, agonia e incertezas. Pondé arremata dizendo que “O ser humano não é alguma coisa que tenha solução”.

Pra falar de verdades, acredito que o dito verdadeiro tenha que necessariamente tangenciar o pensamento de Camus quando escreve

Posso negar tudo dessa parte de mim que vive de nostalgias incertas, salvo esse desejo de unidade, esse apetite de resolver, essa exigência de clareza e de coesão. Posso refutar tudo nesse mundo que me rodeia, me choca e me arrebata, excepto este caos, este acaso-rei e esta equivalência divina que nasce da anarquia. Não sei se este mundo tem um sentido que o ultrapassa. Mas sei que não conheço tal sentido e que de momento me é impossível conhecê-lo. Que significa para mim um significado fora da minha condição? Só posso compreender em termos humanos. O que toco, o que me resiste, eis o que compreendo. E ainda sei que não posso conciliar essas duas certezas, o meu apetite de absoluto e de unidade e a irredutibilidade deste mundo a um princípio racional e razoável. Que outra verdade posso reconhecer sem mentir, sem fazer intervir uma esperança que não tenho e nada siginifica nos limites da minha condição?. Camus - O Mito de Sísifo. Ensaio sobre o absurdo

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