“A política substituiu o mito e a religião na modernidade” January 28, 2007
Posted by Ezequiel Vieira in : entrevistas, política, ufes , trackbackA minha sorte é que o salão de doação da biblioteca da Ufes é pouco visitado. E das visitas que recebem poucos sabem que algumas obras podem ser levadas pra casa. Não é empréstimo. Viu. Gostou. Levou. Dia desses encontrei um caderno de debates da Associação de Magistrados do Rio onde havia uma entrevista com Muniz Sodré.
Fiquei satisfeito quando notei que o hermertismo dos livros dele parece não se repetir em suas entrevistas. Pra variar, se analisou a política atual e uma das conclusões foi a de que muito da corrupção se deve a falta de representatividade das massas na política - mas ainda prefiro acreditar que a decepção que sempre é ouvida não é porque a representatividade diminuiu, como se em algum tempo mítico e ideal ela houvesse existido de forma satisfatória.
O mesmo Sodré acredita que a política passou a ter que responder por aquilo que antes seria buscado no mito e na religião. Como não se encontra abrigo esperado a decepção é certa. Simples, não?…
Enfim, segue um trecho da entrevista
A política deixou de ser expressão das grandes discussões?
A política não é mais o lugar de escuta de grandes razões, de grandes causas. A política se tornou um lugar de circulação de imagens, de circulação de aparências e, de certo modo, está-se votando na aparência dela. No caso da Jandira, é a aparência da integridade, aquela coisa forte que é ser mãe. Ter filho é uma das grandes causas das mulheres e dos homens também.
Então é isso, a política se tornou um lugar de aparências, fortes e fracas. Por esse motivo é preciso estar atento a essa transformação, a essa mutação da política, bastante distanciada daquilo que nós estamos chamando de ética. Assim sendo, essa falta de ética corrói a representatividade, que é o que lastreava classicamente a política: a representatividade e a liberal. Porque a política substituiu o mito e a religião na modernidade, quando passa a ser o lugar das esperanças terrenas - porque antes do advento da grande política, da política liberal, você tinha esperanças que eram alimentadas pela religião. Se você se comporta bem, não perde muito. Tenha seus filhos! Trabalhe! Mas não peque muito, porque morrendo, você vai ter uma vida melhor lá no reino dos céus, sua esperança de além-túmulo.
Na modernidade, você já não acredita tanto nas esperanças de Deus, nas esperanças religiosas, mas você espera que alguma coisa se dê aqui, ainda, em vida. A política é que vem substituir a religião. Alguma coisa vê vai ganhar em vida, e essa transferência de esperanças é o que gera a política. Acontece que é isso que vive o liberalismo, o qual, entretanto, está em crise. E essa políitca que promete esperança você não acredita mais. Na verdade, ninguém acredita mais nos políticos e, no entanto continua votando neles. É uma desilusão em cima de desilusão.
Quando você vota, você diz: “Olha, eu estou desiludido!” Você está desiludido porque esperou e porque odos esperavam. Dessa forma foi a esperança que alimentou seu voto, e nós sabemos que esperanças estão aí para serem levantadas e caírem. Mas você pode, por outro lado, socialmente, viver sem um brilho lá do alto. Sem alguns ideais, mesmo que não se realizem. É como, digamos, você ver estrelas no céu. Elas estão ali, mas você pode tocar as estrelas? Elas virão para a terra? Não, elas estão mais distantes do que os ideais que você tem. No entanto, você nao quer um céu sem estrelas. É bonito ver estrelas no céu, né?
À noite você não quer que elas se apaguem. Porém, esses ideais na política são poucos. É, assim que, brilhando temporariamente no céu das esperanças partidárias, você é levado a votar, mas você sabe que, de certo modo, os ideais são, cada vez mais, inalcançáveis, à medida que a política se separa da ética e o discurso se separa da comunidade, da força viva da comunidade. Dessa maneira, sem dúvida alguma, a falta de ética corrói a política.










Comments»
Quando notamos isso, podemos e
Gosto muito do principio dai a cesar o q eh de cesar e a Deus o q eh de Deus. Religiao nao eh pra fundar nem estar envolvida com Estado, mesmo q isso possa ser comum
EH…. acho q eh isso!
Os mitos são, geralmente, histórias baseadas em tradições e lendas feitas para explicar o universo, a criação do mundo, fenômenos naturais e qualquer outra coisa a que explicações simples não são atribuíveis. Mas nem todos os mitos têm esse propósito explicativo. Em comum, a maioria dos mitos envolvem uma força sobrenatural ou uma divindade, mas alguns são apenas lendas passadas oralmente de geração em geração.
Figuras mitológicas são proeminentes na maioria das religiões e a maior parte das mitologias estão atadas a pelo menos uma religião. Alguns usam a palavra mito e mitologia para desacreditar as histórias de uma ou mais religiões.
O termo é freqüentemente associado às descrições de religiões fundadas por sociedade antigas como Mitologia romana, Mitologia grega, Mitologia Egípcia e Mitologia nórdica, que foram quase extintas. No entanto, é importante ter em mente que enquanto alguns vêem os panteões nórdicos e célticos como meras fábulas outros os têm como religião (ver Neopaganismo).
Pessoas de muitas religiões tomam como ofensa a caracterização de sua fé como um conjunto de mitos, pois isso é afirmar que a religião em si é uma mentira. Mesmo assim, muitas pessoas concordam que cada religião tem um grupo de mitos os quais desenvolveram-se somados às escrituras