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O Rei de Inglatorres November 28, 2006

Posted by Ezequiel Vieira in : catarse , trackback

Por esse mesmo dia em 2002 tive uma grande surpresa. Recebi uma ligação do Ministério da Justiça informando que eu era um dos três finalistas para o ‘II Prêmio Denatran de Educação para o Trânsito’ na categoria ensino médio. Era um concurso de redação com “ o objetivo de prestigiar e divulgar idéias e ações voltadas para a convivência civilizada entre pedestres, motoristas e autoridades de trânsito”.

A premiação foi em Brasília em 17 de dezembro do mesmo ano.
Pena que fui e voltei no mesmo dia e não deu pra conhecer a cidade, mas recebi 2 mil reais pela segunda colocação.

Todos esperavam ansiosamente pela visita. Afinal, o famoso rei de Inglatorres visitaria em breve o país. O encontro reuniria representantes de mais de 20 nações, porém a atenção estava voltada para aquele tão jovem e decidido rei.

O príncipe Estevão desde cedo adorava esportes, principalmente os radicais. Esquiar na neve e escalar montanhas eram seus favoritos. Era incrível sua habilidade no que fazia. Não era apenas o primogênito da família. Era também o primeiro em todas as suas realizações. E isso não fazia dele um esnobe, ao contrário, todos adoravam estar em sua companhia.
Seu pai, apesar de uma experiência de mais de trinta anos no reino, sempre o chamava para conversar antes de tomar suas decisões. Às vezes os dois papéis se confundiam.
A família real acordava sempre alegre, e naquele dia os pais de Estevão saíram para uma visita ao país vizinho. Como de costume houve beijos e abraços em todos, mas esses por algum motivo eram especiais, diferentes.
- Que desastre – lamentavam uns.
- Eles eram tão bons – lembravam outros
- Deus quis assim – conformavam-se ainda outros
- Foi culpa do piloto! – esbravejavam os mais exaltados. O avião do rei não…
Era um dos poucos momentos em que a tristeza reinava.
Ao final de sete dias de luto subia ao trono, Estevão II, o Rei de Inglatorres.Para os poucos que ainda duvidavam de sua capacidade para reinar, Estevão logo provou o contrário. Ia a encontros, marcava reuniões, queria participar de tudo. Era o rei “Andarilho”.
E em um desses seus compromissos, havia confirmado para o fim do ano, sua presença em uma Conferência que se realizaria em várias localidades do país vizinho, Brasiléia, para discussão do problema da violência e, em menor importância, da integração do deficiente à sociedade.
Pouco mais de cinco meses para a Conferência, em um momento que era para ser de pura descontração em suas férias, o rei sofre um grave acidente.
Estava escalando, como sempre gostava de fazer, apesar de sua idade. Todos correram para ver o que tinha acontecido. A corda em que escalava havia se rompido enquanto ele estava a poucos metros do chão, porém a queda deixaria marcas: Estevão estava paralítico.
Houve, com isso, uma corrida contra o tempo em Brasiléia, para adaptar as localidades sedes da Conferência às condições físicas do rei, pois o “Andarilho” não havia desistido do compromisso marcado e teimava: “Estou paralítico, mas não estou morto”.
No intervalo de tempo que restava para a Conferência o país passou por uma revolução. Era preciso fazer de tudo para agradar e impressionar a Sua Majestade. O trabalho que não foi feito em toda uma história de nação era realizado naquele curto espaço de tempo.
Os aeroportos passaram por todas as transformações possíveis. Os ônibus passaram a ter elevações em suas portas e lugares exclusivos para os portadores de deficiência. As ruas, mesmo que não fossem visitadas, passaram a ter várias acomodações e sinalizações especiais. Os prédios passaram por uma febre de rampas e tudo o que facilitasse a vida daqueles que antes pareciam não existir. Tudo havia se transformado.

Para José, a vida havia se renovado. Agora ele podia sair de casa e ir ao trabalho sozinho sem que para isso dependesse de alguém. Agora ele se sentia valorizado. Agora poderia sair pelas ruas como se não tivesse deficiência alguma. Finalmente, pelo menos nesse país, o deficiente começava a se integrar à sociedade, sem conferencia alguma ainda ter acontecido.
Por fim, Estevão II, ou melhor, os conferencistas, chegam a Brasiléia. Estava aberta a reunião.
Foram apresentadas várias soluções para o problema da violência e o descaso com os deficientes. E quanto a este problema, que passou a ser o foco da reunião, os representantes locais puderam apresentar propostas que se fundamentavam em concretos resultados obtidos. E a principal proposta da reunião era acima de tudo:”QUERER VER RESUL…
BIP-BIPBIP-BIIIIIIIIIIIIP. Seis horas da manhã. O inoportuno despertador fazia seu barulho costumeiro. José, por mais uma noite, havia sonhado. Não havia rei nem conferência alguma, e a realidade o chamava para mais um difícil dia de trabalho, na sua deficiência.

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