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projeto de pesquisa - introdução November 11, 2006

Posted by Ezequiel Vieira in : iniciação científica , trackback

A possibilidade do projeto de pesquisa receber comentários foi mais tentadora e resolvi disponibilizar pelo blog mesmo - o único senão era quanto às imagens das capas analisadas que acabaram ficando muito pesadas.

O projeto ficou dividido em introdução, materiais e métodos, resultados e conclusão. Semanalmente vou postando a pesquisa por aqui. Quando chegar a fase das imagens (resultado), vejo o que posso fazer. Por ora, segue a parte I da introdução.

2 – Introdução A questão fundamental proposta visa a compreender de que forma a imagem do Governo Federal foi construída pela mídia a partir das crises do “Mensalão” e dos “Correios”, utilizando como recurso teórico-metodológico a Semiótica Discursiva. Interessa-nos, sobretudo, a análise das relações entre enunciador[1] e enunciatário[2], pressupostas pela existência dos enunciados jornalísticos. Para a Semiótica, os sentidos dos textos são recuperáveis pela análise do que ele diz e dos modos como diz. Assim, não vamos buscar a intencionalidade do enunciador, mas as marcas deixadas no texto jornalístico, identificando, a partir de suas escolhas, sua visão de mundo e o simulacro que faz de seu enunciatário-leitor.  

A presente pesquisa tem como objeto os procedimentos enunciativos no jornalismo diário, buscando identificar, especificamente, neste percurso de Iniciação Científica, a maneira pela qual cada jornal da Capital - A Gazeta e A Tribuna -, individual e comparativamente, noticiou a crise política no governo Lula desde a primeira matéria relacionada às denúncias de corrupção nos Correios e de pagamento de um “Mensalão” à bancada federal aliada ao governo Lula.  Selecionamos as capas como objeto de estudo porque é por meio delas que um veículo de comunicação impresso atrai a atenção sobre o conteúdo oferecido nas páginas internas. O significado desta ação pode ser metaforizado como discurso vitrina, forma final de concretização de um texto com elementos verbais e não-verbais (Demetresco, 2001). Para o autor, é de responsabilidade de uma capa ser sedutora e capaz de persuadir o público, o que muitas vezes a torna sensacionalista, ao intensificar o apelo emocional e estético e minimizar o caráter informativo daquilo que é noticiado. Acreditamos que os elementos textuais e as estratégias discursivas desse discurso vitrina estariam bem mais evidentes em um momento em que o desdobramento das denúncias de corrupção no governo Lula passou a fazer parte da agenda midiática. 

O nosso direcionamento fundamental se pauta no pressuposto de que a criação do “fato jornalístico” é sustentada por mecanismos de fabricação de identidades individuais e coletivas e de que não existe uma relação direta entre atribuições de identidade e o mundo dito como real. Entre um e outro há uma mediação constituída pelos processos de assimilação e composição simbólica, o que inclui, principalmente, as estratégias de mediação lingüístico-discursivas. Tais identidades, construídas no discurso, servem de referentes para a sociedade, criando ou reforçando estereótipos.  Gomes (2004) reforça esse pressuposto aqui adotado quando lembra que “a imagem pública nos chega como nos chega o mundo: mediado pelo sistema institucional e expressivo da comunicação, instrumento predominante onde e por onde se realiza a visibilidade social” (p.264). O autor afirma também que “não há neutralidade, mas interferência – e esta não pode deixar de modificar estruturalmente o modo de existir deste que é o objeto da imagem pública. Essa imagem pública não pode ser idêntica à imagem pública circulante numa experiência comunitária”, pois “mesmo quando a intenção é a neutralidade, é possível captar as marcas da enunciação, que permitem observar a presença do enunciador filtrando valores e tudo o que é dito no discurso“ (Barros citado por Ralmades, 1997, p.13).

  • Acesse o projeto na íntegra (.doc)

[1] Enunciador: desdobramento do sujeito da enunciação, cumpre os papéis de destinador do discurso e será sempre implícito no texto, nunca nele manifestado. Obs.: As definições técnicas da Semiótica Discursiva foram retiradas do Vocabulário Crítico do livroTeoria Semiótica do Texto (p. 85-90) da autora Diana Luz Passos 

[2] Enunciatário: cumpre os papéis de destinador do discurso

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