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O jornalismo não vive uma crise e sim uma mutação October 27, 2006

Posted by Ezequiel Vieira in : jornalismo , add a comment

26/10/06 - Na palestra do Foco de ontem pela manhã foi a vez de Elias Machado discutir o tema Crise ou mutação? Os efeitos na produção jornalística.

Machado começou com um fato e terminou com uma possibilidade. O fato se deve à afirmação de que “todas as formas de tecnologia são interativas“. Ele foi a 1690 para citar o exemplo do primeiro jornal que surgiu nos EUA.

O Ocorrências Públicas seria um jornal de quatro páginas e a última delas viria em branco para aquele que lêsse as folhas anteriores pudesse adicionar comentários às informações que tinha acabado de ler.

A possibilidade apresentada se deve à afirmação de que as tecnologias de alguma maneira sempre são interativas - acredito que faltou definir o que no momento era entendido como interação.

Mas enfim. O importante é que Machado não acredita que o jornalismo vivencie uma crise e sim uma mutação - o que vai ao encontro do que foi publicado por aqui na tag Jornalismo Digital via blog Atina Chile.

As características do webjornalismo seriam marcadas por: hipertextualidade, possibilidade de atualização constante, interatividade, produção descentralizada multimidialidade e memória. Outras opções são as tags Jornalismo e blogs no Blog do Malini.

Elogio a nós, jornalistas? (aspirante no meu caso) isso é impensável! October 26, 2006

Posted by Ezequiel Vieira in : do bastidor ao palco , add a comment

Outro dia a Folha publicou uma pesquisa em que se procurava demonstrar o seu grau de imparcialidade na cobertura das eleições. O jornal se deu por satisfeito quando descobriu que a maior parte dos que apontavam parcialidades no seu conteúdo editorial era de uma tendência oposta a corrente ideológica a que se julgava favorecimento.

O site Política para Políticos nessa semana procurou demonstrar que a mesma coisa acontece com os políticos. “Candidatos são inevitavelmnte ‘paranóicos’ em relação à mídia, ‘ciumentos’ em relação a seus adversários e nunca estão satisfeitos com o que recebem.”

A constatação faz parte de uma série de artigos (Como conseguir uma mídia hostil a sua candidatura) em que se argumenta que é um erro crucial político elogiar jornalista por alguma matéria, ainda mais se esse ato impensável for feito em público. Se defende a tese de que o camarada vai entender que foi parcial com o nobre notável e da próxima vez vai descer a lenha só pra provar que é independente e objetivo sim, e não aluga sua pauta pra ninguém!

Os quadrinhos e sua expressão política October 25, 2006

Posted by Ezequiel Vieira in : cibercultura, comunidade virtual, política , add a comment

Se eu tinha alguma dúvida de que quadrinhos expressam muito mais do que inicialmente possa parecer, essa dúvida cruel foi embora essa semana. Revisitei algumas comunidades do orkut de que faço parte mas que não acesso há muito tempo. E eis que encontro na comunidade Mafalda um tópico pra discutir se a personagem é ou não comunista!

qdo mafalda embala o globo terrestre dizendo que ele está doente, seu pai pergunta o que ele tem, ao q ela responde: comunismo galopante. se o comunismo é galopante e adoece o mundo, ela reafirma os ideais ianques, os quais ela tb xinga. e tb diz: se o cretino do fidel castro disser que sopa faz bem, logo dirão que faz mal. vejam: cretino do fidel castro. o que vcs acham? “.

Tem uma tira em que ela mede a cintura do globo terrestre e diz: ‘Nenhum regime dá certo em você’. Ou alguma coisa do tipo. Acho que ela não apóia nenhum regime, só que faz critisca ao capitalismo com mais freqüencia(até por que é mais fácil, já que a gente mora no quintal dele). “” Querer rotulá-la de comunista, socialista ou capitalista é algo impensável, inimaginável, é algo que não se faz. Mafalda antes de tudo é uma contestadora, ela não aceita que as coisas sejam como são, ela não concorda com o capitalismo e nem com o comunismo, ela quer uma sociedade em todos tenham direitos respeitados e isso não quer dizer que ela seja socialista. Ela é antes de tudo patriota e deseja que o mundo seja mais justo, sem regimes parciais como ocorria na época em que ela foi escrita. A Mafalda é para ser degustada, eu sempre releio para poder conseguir pegar as entrelinhas que perdi. O mais interessante é que, para quem não sabe, a Mafalda foi criada para fazer propaganda de uma empresa argentina, essa história da criação dela pode ser encontrada no livro ‘Mafalda Inedita’ que não sei se foi traduzido para o português

Nada contra a menina-prodígio. Nem eu sei exatamente o porquê mas eu adoro a Mafalda - sempre quando leio jornal a primeira coisa que abro é a sessão de quadrinhos. A intenção era mesmo destacar um fato para o qual nunca tinha olhado com mais atenção. Agora vou pesquisar nas comunidades Quino, Garfield e cia pra ver se encontro alguma coisa do tipo.

A vontade de potência encontra sua mídia October 24, 2006

Posted by Ezequiel Vieira in : eventos/debates, internet, ufes , 5 comments

Tive que sair antes de terminar a primeira palestra do Foco que começou na Ufes ontem. Mas durante o tempo que fiquei a discussão foi bem produtiva. O primeiro a falar foi Henrique Antoun, o cara tem um raro estilo de expor o que sabe de um jeito que não cansa ou intimida. Se Juliana pretende fazer mestrado na UFRJ por causa de Muniz Sodré, pode ser que eu siga o mesmo caminho por causa desse cara.

Antoun lembrou o caso Lonely Girl Fifteen para comentar a necessidade da mídia para fatos que prometem render uma grande pauta e que acabam por tornar a imprensa presa fácil para quem puder criar fatos minimamente credíveis - o livro Guerrilha Psíquica é outra fonte que traz um curioso caso que teve origem na Itália.

Antoun também propôs uma outra perspectiva para perceber as notícias correntes de casos de pedofilia pela internet. Ora, de cada 10 casos de pedofilia que conseguem entrar nas estatísticas, um teve origem na internet e nove partiram da própria família ou de alguém muito ligado a ela.

Não houve a negação das denúncias feitas, mas se destacou o olhar de que, numa sociedade disciplinar (sim! Foucault foi longamente citado), a internet abre a possibilidade de nos fazer “sair dos escombros de um regime disciplinar” para nos tornarmos produtores num contexto em que acontece “a transformação no modo de relacionamento conosco e com o outro”.

É um olhar apaixonado? Pode ser. Mas também é uma visão bem mais propositiva e afirmativa do que restringir o ambiente digital a uma caixa de Pandora moderna.

Mais: pesquisei o perfil do Antoun no orkut e descobri que ele também fez um blog para escrever sobre o pós-doutorado que ele fez em Toronto.

O segundo a falar foi o representante brasileiro da licença Creative Crommons, Ronaldo Lemos. Em julho eu publiquei por aqui uma entrevista feita com ele. Mais informações no blog Em Foco.

Eleições 2006 em: terrorismo eleitoral October 23, 2006

Posted by Ezequiel Vieira in : Eleições, política , add a comment

Lamúrias e lamentações não ficam bem em políticos. Reclamar de ataques dos adversários tampouco. De volta ao boxe. Os grandes campeões além de bater sabem também apanhar. Há ano e meio a oposição vem dizendo que o PT é um agrupamento comandado por bandidos dedicados a saquear os cofres públicos. Para abastecer o caixa único que financiará a perenização do PT no poder.

Há três semanas o PT vem repetindo que a oposição é um grupo de vendilhões da pátria. Sedentos para entregar de mão beijada o que sobrou de patrimônio público depois das privatizações que fizeram quando estiveram no governo. Eu não concordo nem de longe com essas caracterizações. Mas se você quer acreditar cegamente numa delas fique à vontade. Saia à rua com uma bandeira e engaje-se na sua cruzada para salvar o país.

Por que o assim chamado terrorismo eleitoral contra a oposição está sendo mais eficaz do que o seu antípoda? Por que vinte dias de propaganda negativa contra Geraldo Alckmin tiveram aparentemente mais efeito do que um ano e meio de propaganda negativa contra Luiz Inácio Lula da Silva? continuação