dos pregadores da morte October 31, 2006
Posted by Ezequiel Vieira in : catarse , trackbackMeu nome denuncia que minha família já teve os dois pés na igreja. O que ainda conserva hoje é o dedinho mindinho de uma fé não praticante. Lá se vão dois anos desde que uma colega da psicologia quis me provocar dizendo que era para eu ler o famoso, não para mim, Nietzsche. Só agora me interessei com mais cuidado pelo cara e, pelo jeito, ela se deu mal, porque eu acabei gostando do que li.
Depois do blog ficar com cara de conteúdo com as postagens sobre o Foco, a única coisa que pensei pra hoje na intenção de manter um certo nível, foi trazer um dos trechos de que mais gostei quando li Assim Falava Zaratustra.
“Há pregadores da morte e a terra está cheia de indivíduos a quem é preciso pregar a vida.
A terra está cheia de supérfluos e os que estão aí em demasia estragam a vida. Tirem-nos desta com o engodo da ‘eterna’!
‘Amarelos se costuma chamar os pregadores da morte, ou então ‘pretos’. Eu porém, quero apresentá-los sobre outras cores.
Terríveis são os que têm dentro de si a fera e que só podem escolher entre as concupiscências e as mortificações. E até mesmo seus prazeres são mortificação.
Esses temíveis que se quer tornaram homens ainda. Que preguem, pois, a renúncia à vida e que eles também desapareçam!
Aí estão os tísicos da alma. Mal nasceram e já começaram a morrer e sonham com doutrinas de cansaço e de renúncia.
Quereriam está mortos e nós devemos aceitar seus desejos. Livremo-nos de acordar esses mortos e de tocar em suas sepulturas.
Encontram um doente, um velho ou cadáver e de imediato dizem: ‘A vida está reprovada!’
Os reprovados, contudo, são eles unicamente, eles e seus olhos que só vêem um aspecto de sua existência. Confinados em densa melancolia e ávidos dos leves acidentes que matam, ficam esperando, com dentes cerrados.
Ou então estendem as mãos para doces e zombam de suas próprias criancices. Estão encostados à de sua vida como palha e escarnecem de se apoiarem ainda a uma palha.
Sua sabedoria diz: ‘Louco é aquele que se agarra à vida, mas neste ponto nós somos loucos! E esta é a amior loucura da vida!’
‘A vida não é só sofrimento’, dizem outros, e não mentem. Tratai pois de abrir a vossa. Fazei cessar a vida que é só sofrimento! (…)”














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