A multidão e a proposta de pensar formas novas de contrapoder October 27, 2006
Posted by Ezequiel Vieira in : eventos/debates, política , trackbackDeve ser Salomão quem já dizia que não há nada de novo debaixo do sol. As coisas mudam sua forma de apresentação mas a essência que as constituem continua sendo a mesma. Logo lembrei do nobre sábio de 1000 mulheres quando ouvi a designer Bárbara Szaniecki argumentar, no Foco de ontem à noite, que desde os tempos da monarquia - absolutismo coisa e tal - as formas de representação do poder se perpetuam através de uma fórmula estética bem peculiar.
Ela não quis mapear padrões de apresentação, mas frisou que a forma mais recorrente de figuração do poder costuma ser a da figura única vislumbrando algo a frente de todos os demais. Além disso, Bárbara destacou também que sempre há uma incidência de luz muito particular que tem a intenção de passar uma imagem de transcedência.
Isso porque é o conceito de transcedência, na visão proposta na palestra, quem vai sempre constituir e legitimar o poder. E ele age exatamente assim: se exerce de fora e de cima pra baixo e não pretende se colocar em questão.
Antes o poder sempre buscava nos deuses a legitimação de sua autoridade e as formas de resistência fazia sua subversão através de simbologias de monstros e demônios ou mesmo fazendo paródias com elementos de identificação do poder constituído - a chamada estética mostruosa ou carnavalesca identificada por estudiodos como Negri, o pensador do conceito de multidão.
A intenção da palestra, que pode ser lida com mais detalhes no blog do evento, foi tentar pensar poder e potência (resistência) no mundo contemporâneo buscando propor um estilo de potência que possa ir para além da representação ou subversão das formas de poder constituídas.










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