115817119805667798 September 13, 2006
Posted by Ezequiel Vieira in : eventos/debates, política, ufes , trackback1. A semelhança entre o PT e o PSDB. Em essência eles seriam a mesma coisa. Fabiano destacou que a análise das eleições realizadas a partir de 1986 permite afirmar que a característica do processo eleitoral brasileiro tende para a estabilidade. A única novidade, verificada ao longo desse período, seria a da transformação do PT em um partido forte.
A disputa partidária se daria hoje fundamentalmente em torno de quatro legendas: PT, PSDB, PFL e PMDB - com a clara polarização entre PT e PSDB desde 1994. Esse quadro permitiria aproximar o sistema político brasileiro ao de democracias mais maduras - em que o cenário partidário se estabiliza em torno de algumas forças políticas e as eleições para o executivo girariam em torno de dois pólos. Um ligado às questões do trabalho (centro-esquerda) e o outro ligado a forças empresariais (centro-direita).
Esse quadro levaria os partidos a montar um discurso mais moderado na tentativa de conquistar a confiança “do eleitor que não é nem de direita nem de esquerda. Está no centro.” O professor citou o exemplo das eleições majoritárias em que se disputa 50% mais um das intenções de voto. Para um partido obter essa maioria, além de ter que conquistar o voto do eleitorado de esquerda e de direita, seria inevitável a moderação do discurso para também alcançar o eleitorado de centro. “Quem conquistar a confiança do eleitorado de centro, ganha a eleição”.
Por essa esquematização, PT e PSDB seriam sim partidos de esquerda e de direita, mas que precisam atender a uma agenda de questões nacional da qual é impossível fugir. A conseqüência mais evidente é a da semelhança entre os programas de governo tucano e petista. “A diferença vai ficar então na trajetória histórica de cada partido e na ênfase dada a cada questão. Mas isso não significa que os partidos sejam os mesmos”.
Fabiano afirma que o PSDB no governo se caracterizou por uma ação de capitalismo. “As reformas foram orientadas para o mercado. A coisa mais importante era estabelecer condições e gerar confiança para que se tivesse investimento do setor privado. A ênfase do PT não foi essa. E esse é um fator determinante para o favoritismo de Lula - a política social.
O professor, num inseparável didatismo, continua dizendo que existem restrições objetivas para aquilo que é possível fazer no Brasil. E essas retrições “estão colocadas para qualquer governo - vindo da direita ou da esquerda. Essa realidade não aparece no processo eleitoral e faz com que candidatos realmente competitivos adotem praticamente o mesmo discurso.”
Ps 1: as outras hipóteses vão ser postadas na sexta. São elas:
2. A viabilidade de uma 3a via no processo eleitoral
3. O caráter decisivo da corrupção no processo elitoral de 2006
Ps 2:as análises foram propostas em fevereiro deste ano.

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