Sarney censura blogs no Amapá August 28, 2006
Posted by Ezequiel Vieira in : blogs, política , trackbackA situação para os blogueiros do Amapá não anda nada fácil. Via blog da Alcinéa Calvacante leio que Sarney quer processá-la devido a um comentário que um leitor postou em seu blog. Sarney teria ficado mordido porque o comentário fez referência a uma piada de que no Amapá o ilustre senador tem uma fazenda de burros. Ele exige que o TRE dê o direito de resposta, retire o blog do ar e ainda obrigue a jornalista a pagar uma multa de R$ 100 mil.
A caricatura acima, publicada no blog da Alcinéa e no de sua irmã, também foi um dos fatores do piti de Sarney. O muro pintado em Macapá é um protesto contra o senador que tenta a reeleição no estado onde só apareceu três vezes em 16 anos. Ah tá! Se a charge não for retirada, Alcinéa também vai ter que pagar uma multa diária de 2 mil reais!
“Obrigada pelo apoio. É muito importante para nós. Mas gostaria de esclarecer que Sarney entrou na Justiça contra dois blogs: o meu (alcinea.zip.net) e o da minha irmã (alcilene.zip.net). Na ação movida, quarta-feira contra o meu blog, Sarney pedia a retirada do ar do post e comentários “O adesivo perfeito” (publicado na terça-feira), direito de resposta e aplicação de uma multa no valor de R$ 106 mil. Na sexta-feira, o Tribunal Eleitoral julgou a ação, o juiz Luiz Carlos Gomes dos Santos, relator do processo, negou o pedido de Sarney. Quanto ao blog da minha irmã (alcilene.zip.net), Sarney pediu que fosse retirada a foto do muro “Xô Sarney” (que também está publicada no meu), direito de resposta e multa também de R$ 106 mil. A Justiça concedeu liminar na sexta-feira determinando a retirada da foto. Coincidentemente (ou não) o blog da Alcilene - que é ancorado no uol - está fora do ar desde sexta-feira. Alcilene pediu explicações ao UOL, mas até agora não obteve resposta.Além da persguição aos blogs, a coligação de Sarney vem perseguindo jornais e emissoras de rádio no Amapá.” Alcinéa Calvacante














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É isso que diz o censor, e muitos mais elogios faz à imprensa no endereço:
http://www.anj.org.br/jornalanj/index.php?q=node/555.
E viva a hipocrisia, quer dizer, a democracia!
“A TESOURA, O BANDO E A QUADRILHA
Nunca vi ninguém com mais apego à tesoura da censura do que o senador José Sarney (PMDB-AP), candidato à reeleição.
De quinta-feira até ontem, a coligação de Sarney deu entrada no TRE-AP com sete representações contra este blog, chegando ao absurdo de pedir até a retirada de comentários dos leitores.
Nas representações, a coligação reclama da relação de links publicadas aqui, condena a troca de informações entre os blogs e chama os blogueiros de criminosos ao afirmar que “é inaceitável que indivíduos que se dizem jornalistas armem uma longa teia de comunicação na Internet para a prática de crimes.”
A coligação de Sarney diz que os jornalistas e internautas que dão opinião desfavorável ao senador fazem parte de “um bando”, que vive a convocar “eleitores e mais jornalistas e internautas a comporem esse bando, inclusive de outros países”.
Chamar de criminosos para os cidadãos que não apóiam sua reeleição é o retrato do desespero e da insensatez de um homem que aparece na televisão, todo orgulhoso, metido no fardão de imortal da Academia Brasileira de Letras.
Senador, cada vez que o senhor aponta sua tesoura na minha direção eu me sinto feliz por fazer parte desse bando que tem dignidade, que não abaixa a cabeça, que luta pela democracia e pela liberdade de expressão – coisas que lhe causam profunda irritação.
E tenha certeza que jamais trocarei meu bando por qualquer quadrilha a qual o senhor pertença ou venha a pertencer, mesmo que seja uma quadrilha de São João”
“José Sarney, a censura e o coronelismo eletrônico - Beatriz Marocco
Um texto sintético e asséptico da Folha de São Paulo (19/08/2006, A5) pode ser o primeiro de uma série de quatro documentos jornalísticos de circulação lenta e restrita e que, em seu conjunto, nos dão possibilidade de conhecer melhor um traço pouco conhecido do ex-presidente, senador e membro da Academia Brasileira de Letras, José Sarney.
1. “Sarney consegue tirar reportagens do ar no AP”, revela a reportagem publicada no sábado, 19/08/2006 pela Folha a menos de 50 dias após o início da campanha eleitoral. Segundo o texto, Sarney, ou, em seu lugar, a coligação União pelo Amapá que encabeça, mostrou que às vezes é preferível as trevas à luz: conseguiu que quatro meios de comunicação desse estado sofressem ações de censura e que outros dois fossem notificados pelo Tribunal Regional Eleitoral por publicar materiais com referências à sua pessoa.
2. O blog político do jornalista Chico Bruno está na origem de um dos episódios. Atento aos discursos do maranhense, que fez do Amapá o seu “território” eleitoral, Chico sinalizou dois deslizes do seu cotidiano na nota ‘Depois de 16 anos de mandato, Sarney não conhece o Amapá’, publicada no dia 14/07/2006. No primeiro deles, Sarney teria exagerado quando disse na tribuna do Senado que o Amapá é o estado mais miserável do país e que ali os gêneros alimentícios custam o dobro do que em qualquer outra parte do país. ‘Asneiras’, respondeu o jornalista, até porque segundo dados ‘objetivos’ do IBGE o estado mais miserável do país é o Maranhão, onde nasceu o senador”.
continua
na url
http://www.midiaepolitica.unb.br/visualizar.php?id=165&autor=Beatriz%20Marocco