índios X Aracruz e governo April 28, 2006
Posted by Ezequiel Vieira in : Uncategorized , 1 comment so farUma representação dos índios guaranis e tupiniquins fez um pedido formal ao Estado norueguês para que a empresa Fundo de Petróleo retire da Aracruz Celulose uma participação de quase 10 milhões de reais. Os índios afirmam no documento - segundo o blog Tupiniquim - que a Aracruz invadiu suas terras aqui no estado e na Bahia, expulsando-os para plantar eucalipto.
Em sua página na internet a Aracruz põe em xeque a reivindicação dos índios ao afirmar que “documentos históricos apontam para o fato de que os tupiniquins viviam no norte do Espírito Santo e não na região do município de Aracruz”, área em que a disputa entre os índios e a empresa tem sido mais intensa - o que não deixa de ser um reconhecimento por parte da coexistência do conflito com os índios também na região capixaba de divisa com a Bahia.
Uma dúvida que sempre tive: antes de se abrir uma empresa é necessário ter uma concessão de algum órgão do governo, certo? Se a preocupação com a questão índígena sempre foi tão grande - temos aí a Funai que em 1967 substituiu o Serviço de Proteção ao Índio (1910) - por que se permitiu que a Aracruz ocupasse uma área que agora se afirma que sempre foi indígena?
É bem interessante ver o governo tentar posar de bom moço em um erro do qual ele também deve ser responsabilizado.
Do site CMI Brasil: Para expulsar os índios capixabas, a multinacional contou ainda com a ajuda do governo na década de 60, já que o então presidente do Banco de Desenvolvimento Estadual, Arthur Carlos Gerhardt, em uma manobra política, alegou que não existiam mais índios na região e promoveu a transferência das terras para a empresa por um valor simbólico: 10 décimos de centavos o metro quadrado (a moeda da época era o Cruzeiro). Mais tarde, já ex-governador, Gerhardt assumiu uma das diretorias da empresa.
Leia a matéria completa.
Brasileiro tem memória curta April 27, 2006
Posted by Ezequiel Vieira in : Uncategorized , 2 commentsIndignante e preocupante a conclusão a que o jornalista Gilberto Dimenstein chegou sobre a dificuldade dos brasileiros de relembrar acontecimentos políticos vigentes. Um exemplo é saber que a maioria da população brasileira não se lembra direito do caso mensalão, ocorrido em 2005. Muniz Sodré, em seu artigo “Quando a mídia ajuda a desinformar”, critica a forma como a imprensa disponibiliza esses fatos.
Mais uma vez esses casos não ocorrem isoladamente. Onde está Fernando Collor, por exemplo? De volta à política. Além disso, o documentário sobre ex-presidentes do Brasil, exibido no Fantástico do ano passado quase transformou Collor num pobre coitado, quando ele disse que pensou em se matar no fim de seu mandato, assim como fez Getúlio Vargas. Onde está ACM atualmente? Não só no poder, como carregando seu neto na bagagem.
Na última terça-feira, 27, os deputados capixabas Rudinho de Souza, Fátima Couzi, José Tasso e Cabo Elson foram afastados de seus cargos na Assembléia Legislativa. Os três primeiros devido a desvios de verba e Cabo Elson devido à contratação de funcionários fantasmas. Por enquanto, a mídia capixaba divulga “todos” os fatos relacionados a esse caso.
Me proponho a escrever sobre a situação desses mesmos deputados e sobre a cobertura da mídia sobre o assunto daqui a seis meses. Tomara que eu queime a língua.
ainda sobre a minirrreforma eleitoral April 25, 2006
Posted by Ezequiel Vieira in : Uncategorized , 3 commentsPara quem quiser saber mais sobre a reforma que foi sem nunca ter sido, o Observatório da Imprensa publicou hoje um artigo em que se analisa quais os impactos imediatos que essa tal de minirreforma irá causar nas eleições que já estão às portas.
A inevitável impressão que se tem ao terminar de ler o artigo é a de que o país perdeu mais uma oportunidade de rever sua sempre contornável legislação eleitoral. A outra ocasião mais evidente em que se poderia ter a motivação de mudança no que a lei não contemplava ou era branda demais nas punições previstas foi na época dos escândalos de corrupção no governo Collor.
Se lá trás alguma coisa foi repensada, a história agora se repete. Mexeu-se na superfície mas a estrutura que não inibe a corrupção continua a mesma.
Sobre o mito da democracia racial e o racismo à brasileira April 24, 2006
Posted by Ezequiel Vieira in : cotidiano , 1 comment so farNesse final de semana cumpri uma das promessas de feriado e comecei a ler um livro que me indicaram: Raça como retórica, a construção da diferença - Yvonne Maggie e Claudia Barcellos Rezende.
Logo na primeira página já se faz referência a uma pesquisa que a UNESCO teria feito no Brasil em 1950 para que se pudesse entender como funcionava a democracia racial que outros países pensavam que existisse por aqui.
O estudo teve como pressuposto que as relações raciais no Brasil eram mais harmoniosas do que em outros lugares do mundo. Imaginava que uma pesquisa da situação racial brasileira poderia indicar políticas a serem adotadas em sociedades onde imperou o racismo do Terceiro Reich.
No entanto, segundo as organizadoras do livro, a pesquisa revelou uma realidade bem diferente.
“Os estudos descreveram uma sociedade em que a classe era mais importante que a raça nas relações sociais. Falaram de um preconceito que tinha origem na sociedade escravista e se constituía em uma sobrevivência desse passado (…) Carlos Hasenberg (1979) e Nelson do Valle e Silva foram pioneiros na tentativa de provar que a desigualdade no Brasil não era apenas conseqüência das diferenças de classe, mas que a ‘raça’ determinava de forma muito evidente a posição social dos indivíduos”.
Revolução Francesa à brasileira April 20, 2006
Posted by Ezequiel Vieira in : mundo afora, política , 7 commentsEm menos de um ano pudemos acompanhar pelos meios de comunicação algumas manifestações em território francês. Um tumultuadíssimo movimento dos jovens descendentes de imigrantes, que para fazer suas vozes serem ouvidas iniciaram uma sequencia de incendios em carros por todo o país e despertaram a atenção do resto do globo. Houve até quem relacionasse com o Maio de 68, mas não era bem esse o exemplo mais parecido. Talvez fosse um acontecimento singular, fruto da intensa imigração, dantes bem-quista pelos franceses, mas agora abominda pela neo-xenofobia criada a partir da falência do emprego, não só lá na Europa como em todo o resto do mundo.Contudo, não era (só) sobre isso que eu gostaria de falar. O que me motivou neste post foi a revolução provocada pelos jovens devido à “inteligentíssima” Lei do Primeiro Emprego. Esta lei causou um rebuliço, que agora sim pode parecer com o Maio de 68. E tanto foi feito que houve resultados: A lei foi revogada. Vitória do povo francês, vitória da tradição francesa revolucionária.
Segundo um artigo de Alberto Dines, nós brasileiros apesar de nossa aparência americanizada quanto ao consumo, somos metidos a franceses quando se fala de “cultura”. A nossa tradição de pensamento é francesa e tentamos imitá-los em assuntos políticos, vide os exilados durante a Ditadura Militar. Mas, será que nós seguimos esse exemplo à risca? Nós tivemos revoluções de fato?
Dois “movimentos revolucionários” que me lembro neste momento são a Independência (que não passou de um joguete, afinal ser independente para continuar monarquia? E com o mesmo que seria Rei se tudo continuasse como estivesse?) e o Impeachment (outra jogada mediada pela TV Globo, que não viu muitas “vantagens no candidatop que tinha escolhido e elegido, o Collor).
Creio que apesar de arrotarmos a Revolução francesa, comemos o arroz com feijão do Coronelismo eleitoreiro. Até quando?
Dizem que não há revolução sem violência… Vamos continuar apanhado sem revidar?



