2006: a política em dias de mercado financeiro March 15, 2006
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Aos poucos tô aprendendo a trabalhar mais com possibilidades do que com certezas e percebendo também que a política tem um marcante lado de mercado financeiro: muita especulação e poucos fatos concretos - factóides, se preferir. Desde novembro comprei a idéia de que Serra seria o candidato natural do PSDB à presidência, mas veio Alckmin e contrariou às mais sensatas análises.
Visitando outros blogs e comunidades do orkut, há uma forte tendência em se afirmar que com a decisão tucana a reeleição de Lula já está garantida, a maioria dos que pensam diferente disso é formada por cabo-eleitoral de Alckmin.
Mas como todo mercado financeiro que se preze, ainda é muito cedo pra se ter certeza de alguma coisa. Mesmo que o contexto de agora seja outro é bom lembrar que Roseana Sarney apareceu como grande favorita em 2002 e naufragou no meio do caminho. Sem falar no próprio Lula que, apesar de sempre ter sido um nome de peso nas eleições - 89, 94, 98 - somente em 2002 o Lulalá se concretizou.
Dirceu em ritmo de “também quero” March 13, 2006
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Parece que a única prestação de contas que a câmara fez com a opinião pública em breve poderá ir pro lixo. Animado com a absolvição de Brant e Luizinho na semana passada - veja a matéria da Folha - Dirceu antecipou para hoje a entrada com um novo recurso junto ao Supremo Tribunal Federal pra tentar reaver o mandato cassado no fim de 2005.Pelo visto, só agora ele teve certeza de que sua cassação foi por motivos políticos e não por que os deputados estivessem motivados a fazer uma moralização no congresso.A decisão de recorrer ganhou força agora, mas já vem sendo trabalhada desde fevereiro quando o Conselho de Ética considerou insuficientes as provas para aprovar o pedido de cassação de Pedro Henry (PP-MT), sendo que contra Dirceu as declarações de Roberto Jefferson já foram o bastante… Em ritmo de missão impossível: pra conseguir o mandato de volta Dirceu vai precisar de pelo menos 257 votos a seu favor, sendo que 293 deputados votaram pela sua cassação no ano passado.
Foto:Uol Últimas Notícias
dias da mulher March 10, 2006
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Semana que vem as aulas recomeçam aqui na Ufes. Continuo com as postagens no blog mas o ritmo vai diminuir - pelo menos vou tentar diminuir, viciei. Sempre é bom lembrar que você pode participar com seu comentário, seja nas postagens ou no mural de recados, como também escrever para o meu email: zaquevieira@hotmail.com .
Gostaria também de registrar, com uma semana de atraso mas é sempre válido, a visita de Cláudia Quadros - uma das autoras do artigo Blogs e as transformações do jornalismo - cujo comentário do blog pode ser lido no mural de recados.
Também não poderia deixar de fazer menção ao dia internacional da mulher, mesmo com dois dias de atraso. Achei muito interessante o post de Márcio Coutinho, jornalista e estudante de direito, que escreveu o seguinte: Dia Internacional da Mulher: de Atenas à fábrica
Hoje, Dia Internacional da Mulher, publico este post inteiramente dedicado a elas. É uma pena que ainda tenhamos que eleger determinados dias durante o ano para homenagear minorias ou maiorias discriminadas. O fato de a sociedade contemporânea ainda precisar estabelecer marcos temporais para refletir sobre as distorções e os males que a afligem é, no fundo, sinal de que os costumes não avançam na mesma medida que a tecnologia. Ainda há, pois, muito o que construir nesse sentido.
Aliás, à exceção de alguns “dias” ou “feriados” que têm motivação mais comerciais, muitas dessas datas comemorativas guardam um histórico nada festivo.
Exemplo disso é o próprio Dia Internacional da Mulher, que nasceu para rememorar um trágico fato ocorrido nos Estados Unidos, em 1857.
Brant e Luizinho absolvidos, também quero… March 9, 2006
Posted by Ezequiel Vieira in : política , 1 comment so farA Câmara ignorou a possibilidade de desgaste e absolveu ontem os deputados Roberto Brant (PFL-MG) e Professor Luizinho (PT-SP) . Noblat comenta em seu blog que isso só faz abrir caminho para que todos os envolvidos no escândalo do mensalão requeiram o mesmo tratamento - de 18 nomes denunciados, apenas 2 foram cassados: Roberto Jefferson e José Dirceu.
Se o “também quero” prevalecer, só confirmará o balanço das CPIs que a Folha de São Paulo fez em janeiro deste ano e que também foi comentado por aqui (03/02). Parece que não precisamos apenas de uma reforma política real. Também precisamos de mais critério na criação de CPIs. É uma verdadeira terra sem lei. Leia o post e tire a sua própria conclusão.
O que é necessário para se criar uma CPI? Por que será que elas, antes mesmo de começarem, têm cheiro de pizza? A resposta para a última pergunta parece ser bem mais fácil do que para a primeira.
Tava pesquisando sobre os resultados práticos da CPI-nossa-de-cada-dia desde quando o blog começou. Até que no final do mês passado a Folha de S. Paulo publicou um balanço do que considerou as cindo mais importantes CPIs dos últimos 15 anos - PC Farias, Orçamento, Títulos Públicos, Narcotráfico e Banestado.
A conclusão básica foi a de que as CPIs causaram - e causam - muito estardalhaço, oba-oba e os resultados judiciais (diga-se, práticos) perdem espaço para fins estritamente políticos.
Um exemplo claro e bem atual desse uso político é o ACM Neto, que de ilustre conhecido das rodas bahianas virou, em nível nacional, um dos “símbolos” de político atuante.
É ACM pra presidente!
Pelo voto nulo? March 6, 2006
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Encontrei hoje no A Charge Online uma caricatura da bandeira brasileira em que o “Ordem e Progresso” foi substituído por “Pelo voto nulo”.
Apesar de atrativa, a idéia pode não ser a melhor forma de protesto.
Pela sempre ambígua lei brasileira se, por exemplo, em uma eleição para presidente a gente tivevesse somente 1000 eleitores e desse total 980 anulassem seus votos, 10 votassem em branco e, apenas 10 pessoas efetivamente votassem em algum candidato ( 7 votos para o candidato A, 2 para o B, e, 1 voto para o candidato C) - mesmo assim, pela Constituição de 1988, mesmo tendo ficado evidente o acachapante protesto popular, seria eleito aquele candidato que recebeu o maior número de votos válidos, não computados os branco ou nulos, sendo que pelo exemplo usado aqui o candidato A é quem seria eleito, o qual recebeu apenas 8 votos.
Então, mesmo soando retórico, é mais eficiente escolher bem em quem votar e não repetir a mesma atitude de quem se condena: deixar pra reclamar somente em épocas de eleição .
Leia mais sobre o voto nulo
Imagem: comunidade do orkut Eu voto nulo!