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Estudantes protestam contra cotas na UFES March 29, 2006

Posted by Ezequiel Vieira in : ufes , trackback

Amanda Zambelli - [azjornal@yahoo.com.br] 

A possível aprovação de mais de cinqüenta por cento das vagas da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) para afro-descendentes, índios e pessoas de baixa renda, começou a preocupar os alunos das escolas particulares do Estado.

No último dia 23, houveram protestos em frente à Reitoria, local onde estavam sendo feitas as negociações. À princípio, o projeto já foi aprovado em primeira instância, o que causou novas discussões e mais alunos nas ruas.

A principal causa da segunda manifestação, ocorrida na última segunda-feira (28), foi a falta de estudantes para representar o Conselho que aprovará ou não a reserva de vagas na Universidade.

Entretanto, o Reitor da UFES Rubens Sérgio Rasseli afirmou que cinco estudantes poderão participar da próxima reunião, que ocorrerá no dia 5 de abril.

A reserva de vagas, se não equívoca, é, no mínimo, apressada. Afinal, este é um assunto muito sério para ser aprovado sem um debate mais aprofundado com a participação da sociedade, já que as cotas serão implantadas numa instituição federal, sustentada, em parte, pelos impostos pagos por pessoas comuns.

A UFES possui programas excelentes que atendem à população. Existe o Projeto “Universidade Para Todos”, um pré-vestibular destinado a estudantes que fizeram o Ensino Fundamental em escolas públicas. Este é um dos projetos em que o Reitor deveria se espelhar.

Índios, negros e estudantes devem e merecem essas vagas, mas apenas os que realmente precisam. Inclusão social desta forma não funciona.

Acesse também

24/04/06 - Sobre o mito da democracia racial e o racismo à brasileira

08/02/07 - Do Leonardo da Vinci ao Córrego de Santa Maria

18/06/07 - Estudantes de Pré-Vestibulares visitam Feira de Cursos na Ufes

Comments»

1. Fabio Malini - March 30, 2006
Amanda,

muito legal o post. Discordo bastante dele. Vamos lá:

Discordo da medida ter sido apressada. Ela é fruto de um movimento que já debate a questão há três anos na Ufes. Na verdade, o debate é atrasado (rs)…

Sou favorável a política de ação afirmativa. Ela repara em torno de 20 anos. Nos Eua foi assim, aqui não seria tão diferente. As cotas são um dos instrumentos da política, que possui tb bolsas, auxílios etc. (Ver a experiência da UERJ: lá os cotados tem desempenho escolar maior do que os não-cotados em todas as áreas. Em todas).

Há já estudos seríssimos (recomendo o site do ipea - ipea.gov.br), que mostra a calamidade racial neste país. 70% dos pobres são negros. A pobreza tem cor no país.

Menos de 1% conseguem finalizar a graduação. Já há cotas nesse país racista: 100% para classe média e rica branca.Quantos jornalistas negros há por aí?

No final do século XIX, os senhores de escravo - contrários à abolição - diziam que era necessário investir na base social do escravo antes de libertá-lo. O resultado: fomos o último país a fazer a abolição.

Me surpreende como esse tema, entre os estudantes e professores - é tão povoado por sensos comuns e afirmações que vão do etnocentrismo de classe ao racismo. Neste sentido, concordo em parte com vc, quando falas que hpa pouco debate. Mas, por um outro lado, vejo que a sociedade não quer (por racismo) discutir esse tema. Ela aceita cotas para deficiente mas não para a população pobre.

Agora é necessário estudar um pouco mais a questão. Há um estudo tb do IPEA que demarca as desigualdades intrageracionais na população negra. O desespero: o bisneto tem uma média de estudos baixa tal como o bisavô. Varia entre 2 a 4 anos de estudos.

Imagina: esse país a 100 anos produz uma retórica de inclusão abstrata (é preciso investir na base) e uma ação de exclusão concreta (os cursos universitária só tem branco).

Quanto ao “inclusão social desta forma não funciona”, há mais dados que lhe contesta do que lhe corrobora. A composição da força de trabalho norte-americana modificou completamente após a política de ação afirmativa. Hoje há uma classe média forte negra, que, inclusive, agora, gera um debate profundo sobre o que é o negro na cultura americana. Bahia, RJ e DF tb já possuem uma alteração substancial na composição técnica do trabalho dessas populações.

Quanto ao curso da Ufes, quanto à esmola que é dado aos pobres, eu às vezes sinto vontade de rir. É um projeto que dá uma boa grana pra quem o organiza. Quanto vale ou é por quilo?

Aquilo não é uma ação política, é um empreendimento econômico, na nossa cara, utilizando espaço público para produzir grana privada.

Parabéns pela matéria.

Espero cordiais respostas.

2. Luciana - Em breve com o blog "pimentanabatata". - March 30, 2006
Bem, eu estava entrando nos comentários para discordar do texto também, mas já li a crítica do Malini, muito mais argumentada do que a que eu teria…

Confesso que quando soube que 52% das vagas seriam destinadas às Cotas, achei o número um absurdo. Mas depois vi que a divisão seria a seguinte: 26% para negros, 25% para alunos de rede pública e 1% para indígenas, ou seja, não será tão dísparo assim, já que, acredito eu, os alunos da Cefet na condição de estudantes de escola pública tomarão a maioria dessas vagas (os 25%).

A respeito do manifesto, segundo uma das líderes do movimento, a passeata nem era contra as cotas.
“Maira Azeredo, estudante de terceiro ano que vai tentar uma vaga no curso de Medicina, é uma das líderes da comissão formada pelos alunos de escolas particulares. Ela declarou que eles não são contra as cotas, mas que toda a sociedade precisa estar a par da real situação e ter o direito de participar da discussão. “Sabemos que os alunos da rede pública não têm como competir com os que estudam em escolas particulares. Mas somos contra o modo como o sistema está sendo imposto, sem termos a chance de discutir e colocar também as nossas idéias”, explica a estudante.” (matéria publicada na http://www.revistaparadoxo.com)

Mas como o Malini comentou, essa discussão exite há tempos…

Luciana Wernersbach, branquela, estudante de jornalismo na Ufes, a favor das cotas, nem que seja por período experimental.

3. Amanda Zambelli - March 30, 2006
Caras pessoas acima, Professor Fabio e Luciana,

bom, dificilmente responderei à altura de tais afirmações e nem quero, pois melhor do que ser criticada (isso quer dizer que meu post foi polêmico e chamou atenção), é ser criticada com argumentos muito válidos.

Realmente a pobreza tem cor e origem histórica no Brasil e realmente a divisão feita pela Ufes pode não ser tão absurda assim. O que eu questiono, mesmo com todos esses exemplos, é a eficiência de tal proposta, pois devemos considerar que o Cefet-es é uma escola pública de muita qualidade e com certeza poderá se enquadrar nas vagas destinadas às escolas públicas.

Questiono como será feita essa avaliação de quem é negro ou índio, neste país marcado pela miscigenação. Posso estar falando a maior asneira de todos os tempos, mas acho que muitos tentarão vagas que não são destinadas a eles.

Como será então a análise feita pela Universidade? Em que eles se basearão? Eles farão uma pesquisa sobre a pessoa? Analisarão históricos escolares? Eles têm tempo, vontade e predisposição para isso?

Quanto a um dos posts que fala sobre o que a líder dos estudantes de escolas particulares quer, conheço o Marcus, editor da paradoxo, já escrevi para ele e atualmente trabalho na redação do gazeta on line, então posso dizer talvez ainda não com certeza, mas com uma pequena margem de erros, aonde essas matérias querem chegar e que os discursos dessem “supostos” líderes, infelizmente são todos iguais.

Me desculpe minha cara Luciana, mas eu não caio mais nesse discurso utópico de “eu quero que todos participem e debatam essas questões”.

E Professor Fabio, concordo que existe uma grande indiferença por parte da sociedade, visto que os que possuem senso crítico mais elevado não fazem questão e os que não possuem não tem acesso a tais discussões.

Agradeço muito pelos comentários, pois sei que foram críticas muito construtivas. Espero que tenha mostrado a vocês em que eu me baseei para escrever tal artigo.

Atenciosamente e muito grata pelas explanações,

Amanda Zambelli - 5ºp de jornalismo na UFES, estudante de escola particular a vida toda, ex-estudante do Cefet-es e uma pessoa que teria chance de tentar uma vaga destinada aos alunos de escolas públicas, mesmo não sendo uma pessoa de baixa renda.

4. Fabio Malini - March 30, 2006
amanda,

Gosto da sua ponderação. Mas aqui não sou seu professor, sou seu leitor. Como leitor, vejo que tens toda razão em relação à escola técnica.

É por isso que sou favorável às cotas somente para negros e pobres. Esse negócio de escola pública é muita hipocrisia.

Quanto ao processo de declaração da negritude, hoje, no país, já se rabalha com a auto-declaração. Se vc se auto-declara negra. Então está tudo certo. Ninguém vai fazer como os nazistas, mostrando: “ah! aquele é um negro puro, porque ele é negro angolano”. É ridículo.

Se auto-declarar negro não é nada fácil, vide o resultado dos censos em que a população “aparentemente” negra se declara como parda: por preconceito, por medo etc.

Na UERJ, onde já se implantou o sistema, há mais negros que não se declaram negro, do que branco que se declara negro. Infelizmente.

Talvez o objetivo seria conscientizar a população negro para assumir a sua negritude.

Quanto a visão cultural que tens sobre o fato do país ser um país mestiço, eu vejo isto como uma metirada do caramba.

A demcoracia racial neste país é um mito. A idéia de “mestiço” foi uma boa construção intelectual para dizermos que não temos diferenças. Somos da mesma raiz étnica. Assim, diminuíram o conflito social entre privilegiados e excluídos. No fundo, mestiço é favelado. Se fóssemos tão mestiços, iríamos preferia o sobrenome mestiço ao invés do europeu branco.

Bom pelo menos, eu, prefiro o meu europeu. Minha mestiçagem ganha contornos globais… rs

Seria legal, sermos mais jornalistas, e ouvirmos o movimento negro.

O que eles têm a dizer sobre isto?

Hoje a pluralidade na imprensa virou algo que os barões não gostam muito. Mas a web é plural.

Uma pesquisa em blogs sobre o tema seria uma boa.

Parabenizo pela discussão, principalmente, por ver no tema um assunto político.

Fábio

5. Vitor Taveira - March 30, 2006
Sou totalmente a favor da cotas e achei essa manifestação importante pra acender a chama da discussão, envolver a sociedade!
6. leticia goncalves - March 30, 2006
“Começar pela base”… Maline lembrou bem do maior “argumento” politicamente correto contra as cotas (porque há mts outros que são ditos só à boca pequena.

E é realmente um argumento válido, mas se desde a existência social(ocidental)do Brasil a tal “base” não foi reformada adequadamente para q a educação pública, dentre outros cenários de mazela social, seja o portão de entrada único, digno e igualitário para o acesso ao ensino superior, qdo é q isso vai acontecer?

Seria mto bom se pudéssemos tds esperar… ms infelizmente as pessoas morrem…

De forma q as cotas são uma ação paliativa, ms nessessária, se não para resolver a questão de uma vez por todas, e promover a democratização do ensino, que ao menos ajude o tal objetivo.

É só um passo, ms é preciso pelo menos um pra sair do lugar…(tá bom, esse “argumento” tb é velho…)

Sinceramente, não consigo ler sobre os protestos de estudates de escolas particulares sem fazer careta… beira quase ao ridículo, se eles gritam por isso, os outros (beneficiados pelas cotas)deveriam fazer o q por td o que já passaram?

Letícia Gonçalves. Estudante de jornalismo do 5° período, ex-aluna de escola pública estadual e do projeto universidade para todos, que entraria pelas cotas se quisesse, mas q fica feliz em ter passado antes delas existirem… e por viver para ver.

7. Anonymous - March 30, 2006
fiquei feliz em encontrar lugar para escrever umas coisas…

estudo na ufes e hj me perguntaram: “vc é à favor das cotas? só vc é a favor, aki na sala td mundo é contra” ouvi tb coisas d tipo : se eu estivesse no ensino médio ainda, tb iria na passeata contra as cotas.

engraçado, na passeata pela redução da passagem ela não queria ir…

sinto-me triste.Talvez as cotas resolvam uma parte do problema, auxiliando algumas pessoas vítimas da exclusão social,mas qdo ouço as pessoas aki não sei não…

parece q as coisas não vão melhorar, nem de um jeito, nem de outro…

é um sentimento estranho…

acho q é um grade desconforto por estar entre essas pessoas, conviver com elas… ouvi-las é desgastante…

niinilizante…

se a sociedade é capaz de produzir gente assim, e eu sei q produz até pior…como pode ela mesma salvar-se?

estudante da ufes, ex-aluno de escola pública e do projeto universidade para todos

8. Anonymous - March 31, 2006
independente do q for aprovado aí na Ufes, é bom q seja muito bem discutido. O mesmo exemplo mencionado como um caso bem sucedido (UERJ) apresenta falhas graves. Se joga alguém em uma universidade - como se isso por si mesmo já fosse algo suficiente - mas não há condições para que haja permanência no curso superior:

A Caros Amigos pode ser cheia de problemas em suas análises tendenciosas, mas - sem uma visão maniqueísta - acredito q este texto seja válido:

“Mas falar em cotas é também falar no problema da permanência. A maioria dos alunos que ingressaram na UERJ em 2003 ainda aguarda assistência. “Está difícil de manter os estudos. Moro distante da faculdade e tenho que pegar trem e ônibus, além de arcar com despesas de alimentação”, diz Cristiane Castro, estudante de ciências sociais. O mesmo problema acontece na UNEB. Antônio Sidnei, que há um ano saiu do interior do Estado para estudar administração em Salvador, conta que está desempregado e pensa em trancar matrícula: “Não recebi nada do que me prometeram”. Este ano, adotaram as cotas a Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul e a Universidade de Brasília. A UnB não exige qualquer comprovação de renda e promete apoio para a permanência dos alunos. Mas os candidatos têm de tirar, no ato da inscrição, uma foto para “verificação de raça por traços fenotípicos” – o que gerou protestos. Mesmo com tanta polêmica, deve sair em breve uma medida provisória instituindo em todo o país as cotas.”

9. Juliana de Farias - April 1, 2006
Eu tenho dúvidas se as cotas são só uma medida paliativa ou tem por objetivo desviar o foco da discussão: a qualidade do ensino fundamental e médio nas escolas públicas.
Bem, eu estudei mais tempo em escola pública que em escola particular. No RJ, o ensino público fundamental ainda tem uns lapsos de qualidade. Em São Paulo, a problemática é muito pior. Além do preconceito e da discriminação daqueles que querem estudar independentes de “raça”. O governo paulista pouco investe, lembra muitas vezes as escolas do subúrbio dos EUA.
Eu penso que a educação é fundamental para tornar um país viável.
Assim como Amanda, concordo que esse papo de todo mundo participar e lutar por um bem comum é utopia. Na prática, os movimentos sociais têm um início forte, mas não conseguem, na maioria das vezes, dar continuidade pois não existe uma consciente política e nem um planejamento. Tudo se torna “roque” e motivo de “matar” aula. Isso é muito preocupante.
Cotas, eu acho que gera muita discriminação e muitas construções de preconceito.
Outra reflexão, Como se vai fazer distinção e definir que tal pessoa tem pré-requisitos para entrar no sistema de cotas? Apesar da universidade ser pública, os estudantes têm muitos gastos: transporte, xerox(muitas), alimentação, material de complemento de estudos. Acredito que algo tem que ser feito, afinal essa crise no sistema de educação não pode continuar.
No entanto, Não acredito que essa mudança tenha que ser de cima pra baixo. Na universidade, as pessoas aprofundam reflexões, ou pelo menos deveriam.Mas antes de aprofundar, as pessoas têm que aprender na escola, com a tia do primário que pensar é saudável e discutir as regras é importante. Enquanto se manter essas políticas alienantes nas escolas, a tendência é a universidade se tornar reprodutora do sistema vigente e não espaço de contrução e discussão de novas idéias.Espaço de criação e inovação.
10. Fabio Malini - April 1, 2006
No fundo,

Acho que os estudantes tinham de pedir o fim do vestibular. O problema é ele. Não prova porcaria nenhuma. Pergunto para os alunos, me diga aí o que é ciclo de Krebs, e ficam olhando pra mim igual um esquizo.

“Isto é uma nova teoria econômica”. Até isto já ouvi de um aluno.

Não há geniozinho na Ufes e em nenhuma universidade federal desse país.

Há só gente que pode se condicionar melhor para passar no vestibular.

Para poder se condicionar é preciso grana.

Quem não tem grana e passa na Ufes, tem uma história épica. O cara quase chora contando o que passou. Geralmente estudou em escola pública e é negro.

Noves fora a vitimização, não vejo no argumento do contra nenhuma argumentação séria, plausível e estruturada. É tudo chavão, clichê e senso comum.

Olha o dado que eu vi desse país: o índice de Gini (que mede as desigualdades sociais) permanece inalterado desde a década de 50. Sabem o que é isto? Se o Brasil crescer 20% ao ano não vai mudar nada. Nada.

Não enfrentamos ainda as desigualdades neste país. A atitude da Ufes é corajosa. Sabemos que o ensino superior público é um dos princiapis instrumentos de ascensão social no país. Isto vai potencializar os excluídos. Vai trazer mais real e não só simulacro para sala de aula. Há muito tempo muitas profissões (a nossa, inclusive) ver o pobre como um animal de zoológico.

Falta ao estudantes e aos jornalistas pisarem mais na periferia. Essa lógica hipócrita da classe média (defendo os coitadinhos, mas vivo da miséria deles) produz a cada dia que passa uma visão média da vida social.

Lógico que há companheiros e colegas da classe média geniais. Mas a maioria não tem experiência com o real nenhum.

É muito difícil debater, às vezes, com grupos que “cheiram a perfume francês”. O mundo por esses sujeitos é visto de carro ou do avião.

Falta vê-lo à pé.

E à pé, “o mundo é negro”. Ips litteres.

11. Juliana de Farias - April 2, 2006
Só para colocar mais um assunto em discussão. Pós-graduação também vai entrar no sistema de cotas?
12. Gabriely - April 4, 2006
quem não tem grana e passa na ufes, quase chora enquanto conta o que passou… concordo com vc, Malini. Concordo pq eu passei por isso. Sou ex-estudante de escola pública, filha de funcionários públicos, residente de outro município, primeira da família numa faculdade federal. Moro no subúrbio, aprendi a viver com o cinto apertado e dou mto valor ao q conquistei. ñ precisei de cotas para passar, assim como a Leticinha, que por sinal foi a primeira colocada do curso.
eu ñ precisei, mas nem por isso digo q o ensino publico é uma maravilha e q eu venci o sonho burguês de subir na vida… pq jornalismo ñ é garantia de fortuna, aliás, se quisesse fortuna, me candidatava nessas proximas eleições.
Um intelectual branco e de classe média alta desde seu nascimento deve saber a fundo todas as teorias e ler tudo o q se produz a repeito. Mas, vc já viveu isso? já foi a uma escola publica do interior do estado e viu como realmente funciona? já conversou com pessoas da periferia sobre seus planos de vida, não me refiro a “passeios ao zoologico”, mas a conversa msm, do jto q vc fala sobre novas tecnologias c/ a gte… Se suas respostas são sim, parabéns, vejo q vc conhece a realidade e procura meios de interferir com um debate racional; mas se não, sinto mto, mas ainda há mto para vc aprender. Largue seu laptop e veja as pessoas.

Gabriely, branca, classe média baixa (axo q é isso) estudante do 5ºp, cansada de demagogias e feliz por ter se incluído neste debate.

13. Fabio Malini - April 4, 2006
Juliana,

Pós graduação: deve, como deve. Quanto professores negros tu tens?

Malini

14. leticia goncalves - April 5, 2006
Hj vi protestos contra as cotas na Ufes. Muitas pessoas em vermelho, outras em azul, se é que vcs me entendem…
Lembrei-me dos meus tempos de Projeto (Universidade para Todos), quando ao sair das aulas nos deparávamos com eles, esses mesmos coloridos, que nos destinavam uns olhares banhados numa estranha “aura” de menosprezo…

Só pensávamos em uma coisa: vou pegar a sua vaga! Era tudo o que podíamos fazer…e muitos de nós fizemos. Hj vi mais um festival destes olhares, enquanto o pessoal pró-cotas “cantava”: “é som de preto, de favelado, mas qdo toca ninguém fica parado…”.

Entrei na Universidade sem precisar de cotas, Gabriely, como você. E se tivesse cotas na nossa época eu ia fazer questão de concorrer pelas vagas normais, só para pegar as vagas deles. (Por favor, não entendam isso como ódio de classe, é q às vezes temos que provar para nós mesmos que somos capazes de algo, antes que nos convençam do contrário).
Mas isso seria escolha minha. Escolha. Mas quantos de nós podem escolher?

Não vou tecer argumentos a favor das cotas porque Malini já disse tudo que eu gostaria de dizer e assino em baixo. Se essa medida vai servir para alguma coisa, não sei, quanto de alguma coisa vai ser isso, não sei. Mas advinha só, daqui a alguns anos, quando os cotados se formarem vamos saber. E eu também já disse que não quero mais esperar por algo que nunca vem. A justiça social no Brasil vai demorar, se é que um dia vai chegar, mas até lá, o que podemos fazer? Ver a classe média “militar” por seu quinhão na Ufes e achar bonito?

Isso não é uma disputa por vagas, como no vestibular, tem que ser pensado levando em conta as implicações sociais do que está em jogo. É muito simplista dizer que o Governo está mascarando os verdadeiros problemas da educação pública aplicando o sistema de cotas (e não duvido que muitos que estão no “poder” pensem assim).

Mas antes de se falar em cotas, a educação pública no Brasil já era precária. Pq só agora a classe média foi às ruas e pq só agora lembra que a educação pública está falida e precisa de muito mais que medidas paliativas?

Letícia, parda. Classe média baixa (como é difícil esse negócio de se auto-intitular alguma coisa, né Gabriely? “Classe média baixa”, é um negócio estranho, se é médio tá na metade, como pode ainda assim estar a baixo? rs)

15. Juliana de Farias - April 5, 2006
Muito interessante. O protesto hoje foi muito fraco! Não vi muitos argumentos políticos. a impressão que dava é que ninguém tinha nada melhor para fazer e decidiram aparecer na Ufes como se fosse um roque. É muito triste saber que as pessoas estão cada vez menos politizadas e se unem a uma multidão sem causa e sem planejamento político.
Realmente, estava um clima de disputa.Olhares confrantando - se. Luta de classes declarada.Inclusive a reitoria, inicialmente, se tornou o palco de divisão dos grupos “a favor” e “contra”. Até que ponto vamos chegar para conseguir um debate de fato sobre educação no país e não disputas de politicagem ou de “particulares” X “públicos”.
16. Elaine Dal Gobbo - April 5, 2006
Quando cheguei à universidade, me deparei com situações lastimáveis. O curso de Comunicação Social é extremamente elitizado, assim como muitos outros cursos. Em sua maioria, é composto por pessoas que estudaram em escolas super caras, entraram na universidade sabendo falar mais de uma língua estrangeira, pois tiveram oportunidade de estudá - las desde cedo. Podem gastar dinheiro investindo em lazer e não possuem nenhuma necessidade de trabalhar. Quando eu falo em necessidade falo em precisar trabalhar para manter a casa, pagar água, luz, telefone, comprar remédio,dentre outros, e não para comprar abadá do Nana Banana. Isso tem que acabar, além de ser uma grande injustiça social faz com que a universidade não progrida. A universidade pública é um local de produção de conhecimento, e não é para produzir conhecimento para si próprio, e sim, para colocá - lo a serviço da sociedade. Contudo, o que vejo é um monte de estudante (não são todos, é claro, mas uma grande maioria)que quer somente assistir aula e ir embora. Muitos pensam da seguinte forma:”Ingressar num projeto de extensão para auxiliar algum movimento social? Eu não, sou branco, nada tenho a ver com o movimento negro, tenho moradia, por isso não tô nem aí para discutir a refoma agrária. Discutir democratização da comunicação? Pra quê, se eu quero trabalhar na Globo”.Sem contar que a maioria deles acha muito estressante ter que pegar um ônibus e ir para a universidade participar de alguma discussão de cunho social ou da reunião de algum projeto (a não ser os projetos de iniciação científica, até porque por meio deles a chance de ganhar uma bolsa de trezentos reais até que é grande. Nada contra esses projetos, quero deixar isso bastante claro). É notório que muitos alunos não conhecem a realidade, até porque, não querem conhecer. Muitos fizeram vestibular para jornalismo com o sonho de tomar o lugar da Fátima Bernardes e do William Bonner, para distribuir autógrafos nas ruas e passar um final de semana na ilha de Caras.Buscam sempre conhecer a realidade que é melhor do que a deles, mas nunca, conhecer a realidade triste de quem é excluído. Fico muito chateada ao chegar num cursinho comunitário e ver que muita gente desiste do curso porque não tem dinheiro para pagar passagem. No início até que dá para ir e voltar a pé, mas depois isso começa a “pesar muito”, afinal, eles trabalham o dia inteiro e saem do serviço mais do que cansados. E ainda tem gente que diz que está na escola particular porque os pais trabalharam muito para pagá - la. Como assim? quem estuda em escola pública não paga escola porque não trabalha? Faça - me um favor! Eu nunca vi estudante de escola particular ir para as ruas reivindicar melhorias para o ensino público, como fizeram há alguns dias para se manifestar contra as cotas.

Elaine Dal Gobbo. Estudante do sexto período de jornalismo.

17. Fabio Malini - April 7, 2006
Até que enfim alguém manifestou uma argumentação estruturada, sem etnocentrismo de classe.

Não só gostei porque concordo com a causa, mas porque vc saiu dos clichês dos seus colegas que comentaram a questão aqui.

A verdade, na melhor que a verdade, para esfregar na cara de todos.

Malini

18. Vitor Taveira - September 10, 2006
Acho que o comentário da Elaine resume muito bem o que eu penso.
E olha que eu sou um desses jovens de classe média que não precisa trabalhar pra se sustentar…

me incomoda profundamente perceber que a UNIVERSIDADE - atenção para essa palavra- seja restrita a uma classe, a pessoas tao parecidas sendo que há uma diversidade imensa além dos muros da ufes.

Escolhi a universidade publica exatamente pra sair da mesmice dos colégios de classe média. E entrando na Ufes percebo que pouca coisa muda. Triste. Odeio estudar com gente igual a mim. O estimulante é a diversidade, a dúvida, a contradição… a universidade será tão mais grandiosa quanto maiores forem essas

19. Catarina - March 19, 2007
Amanda,tenho 17 anos , estudei até agora em escola particular,dia desses quando “estourou” a discussão sobre cotas, um professor pediu que fóssemos (a turma) numa escola pública, (ele propositalmente queria nos mostrar uma realidade que não conhecemos,e deixar uma idéia, mesmo que subentendida de que ele era A FAVOR do sistema de cotas)
Muitos (a maioria) não quis ir, simplesmente, outros, foram pelos pontos(tão necessários à aprovação no ano letivo), talvez vc não vá compreender o vi lá, já que, provalvemente tenha estudado em escola particular também (percebe-se pela sua posição CONTRA as cotas).
Eu quis abrir a porta ( mas não tinha), o que havia era um mestre.Mestre? (um desses que fizeram o ANTIGO magistério, vc sabe o que é isso? Talvez também não, os seus professores eram gabaritados, POR ISSO vc faz um curso numa Universidade Federal), fazia um calor desgraçado (perdão).
Eu fiquei pensando se é possível usar do discurso HIPÓCRITA de que o governo tem que fazer sua parte (Como a gente é medilcre!). Quem tá cobrando do governo, quem pode cobrar dele?Você?Quantas pessoas chegam ao ensino superior?Não foi, não é, nem nunca vai ser prioridade da POLITICAGEM dar educação de qualidade, pq isso tira o povo da ALIENAÇÃO, aí não tem como COMPRAR votos.
Fazer uma política de Cotas, unicamente para alunos que estudaram todo o ensino fundamental e médio em escola publica, independente de cor (já que a maior parte dos negros estam em escolas públicas, eles seriam então contemplados sim!)também para indígenas.
Se é imoral, feio, usar da medida PALEATIVA, que se use dela, já dizia um cara gente boa : “Se você é capaz de tremer de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no mundo, então somos companheiros” Che Guevara

Catarina.

20. lianecafarate - July 29, 2007
Olá Fábio… não pude me conter ao ouvir esse comentário

Juliana,

Pós graduação: deve, como deve. Quanto professores negros tu tens?

Malini

É verdade, não tenho professores negros, mas uma coisa não faz sentido: se os alunos negros entraram para a universidade sobre um sistema de cotas para ter a mesma oportunidade que os outros, fizeram a mesma faculdade, a mesma preparação, por que eles deveriam passar pelas cotas novamente. Desculpe me, mas para mim isso não faz nenhum sentido.

21. nayara alvarintho - August 21, 2007
bom eu estudei em escola publica a minha vida toda ,como esudo ainda, não estou a favor e nem contra o sistema de cotas, porque acho que as pessoas que não tem condições estão pagando faculdade e se for competir para uma vaga de trabalho quem tem diploma ufes e quem tem particular com certeza vai ser ufes. e também e muito dificil mas muito mesmo alguma pessoa que tenha feito direito, medicina que estudou em escola publica passa na faculdade…
22. SUELEN - September 12, 2007
bom eu não concordo tinha q ser 100% para todos e não 100% para as escolas publicas e enqanto 60% para as escolas particular isso tinha q mudar porque todos os alunos estudaram para passar de ano na universidades tinha que ser 100% para todos ai seria justo com os pais que pagaram as escula particular para o seu filho …
23. 2 anos « Polimidia - October 3, 2007
[...] Estudantes protestam contra cotas na Ufes - 22, longos, comentários [...]
24. Ufes ainda estuda Programa de Permanência para cotistas « Polimidia - November 1, 2007
[...] 26/03/06 - Estudantes protestam contra cotas na Ufes [...]

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