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campanha: quem paga? October 18, 2005

Posted by Ezequiel Vieira in : do bastidor ao palco, política , add a comment

Essa postagem é uma junção de uma reportagem da revista Veja (edição 1860) e da matéria que o jornal A Gazeta veiculou no último domingo (16/10/2005).

A edição da revista Veja de 30 de junho do ano passado trouxe uma matéria sobre o financiamento de campanha eleitoral. Acho que esse assunto está mais atual agora do que quando foi veiculado a quatro meses das eleições municipais de 2004. A revista ouviu 20 especialistas em campanhas, entre cientistas políticos, publicitários, tesoureiros, candidatos e doadores. Na reportagem, eles estimaram que, por baixo, mais da metade do dinheiro envolvido em campanhas não aparece na prestação de contas. Ou seja, é dinheiro de caixa dois, que entra e sai dos comitês eleitorais sem registro oficial. A revista diz que é consenso entre eles que, na maior parte das campanhas, o caixa dois responde por algo entre 70% e 80% das despesas do candidato.

E para evitar que casos como esse voltem a se repetir no partido (não que antes não tenham acontecido, mas agora é que foi divulgado) e escaldado pelo maior escândalo em 25 anos de existência, o PT adotará medidas para proteger o partido em relação a possíveis irregularidades envolvendo financiamento de campanhas nas eleições de 2006. Segundo o presidente eleito do PT, Ricardo Bezoini, a campanha eleitoral terá uma tesouraria desvinculada do partido. Em 2002 o então secretário de finanças do PT, Delúbio Soares, acumulou a tesouraria da campanha de Lula.

O objetivo é evitar a contaminação das finanças do partido, como aconteceu em 2004, uma vez que, segundo o presidente eleito do PT, é impossível fiscalizar todos os candidatos para evitar o caixa dois.

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De onde vem o financiamento de campanha? (uma mão lava a outra)
Dando prosseguimento aos recortes da reportagem de Veja: o professor David Samuels (Universidade de Minnesota) fez uma pesquisa nos arquivos do Tribunal Superior Eleitoral brasileiro e “garimpou” 200 mil registros de doações nos pleitos de 1994 e 1998. Nesse trabalho, Samuels analisou o perfil dos doadores oficiais e estabeleceu relações que ajudam a entender o que leva alguém a contribuir financeiramente com um determinado candidato.

1. os que mais ajudam candidatos a presidente da República são o setor financeiro e a indústria pesada, como a de aço e petroquímica. Isso porque cabe ao presidente lidar com marco regulatório, concessão de subsídios, além das questões macroeconômicas, como juros, tarifas e câmbio, que afetam a vida das empresas exportadoras.

2. as empresas que mais ajudam os candidatos a governador são as empreiteiras. Isso porque, hoje em dia, as decisões sobre grandes obras estão mais nas mãos dos governadores de Estado que nas do presidente.

3. os bancos costumam dar mais dinheiro aos candidatos a senador que aos candidatos a governador ou deputado federal. Talvez seja em decorrência do fato de que cabe ao senado supervisionar o Banco Central e autorizar empréstimos para entidades do setor público.

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As setes razões para se apostar em candidatoseu acredito
são contribuições do eleitor ideológico, que acredita nas idéias do candidato e trabalha como pode para fazê-lo prosperar. A ajuda financeira, nessa categoria é pequena, coisa de 50, 100, 200 reais. É um tipo de contribuição raro no Brasil.

é meu colega
são contribuições de caráter corporativo, quando o eleitor dá dinheiro ao candidato que representa sua categoria profissional na esperança de que apresente projetos que o favoreçam. A doação corporativa existe em todas as categorias, mas é particularmente visível entre servidores públicos.

estou por aí
são as doações preventivas formadas por empresas que doam dinheiro a candidatos que, uma hora, lhes possam ser úteis. Exemplo: as empresas da Zona Franca de Manaus dependem de incentivos federais, mas ajudaram a eleger o prefeito da cidade, Alfredo Nascimento, hoje Ministro dos Transportes. Afinal, o prefeito pode asfaltar uma rua ali perto ou construir uma escola para os filhos dos trabalhadores da Zona Franca.

me ajuda, vai
é a contribuição defensiva. São empresas ou entidades enroladas, ou alvos potenciais de uma investigação. Exemplo: a Confederação Brasileira de Futebol doou mais de 1 milhão para formar a “bancada da bola” - que, por sua vez, sempre defende a CBF das suspeitas de evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

eu acho assim
são contribuições que empresas que querem influir na definição de políticas publicas e , para isso,financiam verdadeiras bancadas. exemplo: a Mosanto, multinacional americana, interessou-se em finaciar deputados que pudessem influir na política de trangênicos no país.

o lucro é meu
trata-se da ajuda financeira de empresas que querem aumentar seus negócios. É o caso das empreiteiras. Financiam todos os tipos de candidato, mas preferem os governadores - que, afinal, decidem se uma obra vai ou não ser tocada. Em 2002, as cinco maiores empreiteiras doaram quase 10milhões de reais à campanha. Na lista dos beneficiários, há 11 governadores eleitos.

eu quero, eu faço
são as contribuições, geralmente na casa do milhão, em que candidatos ricos financiam as próprias campanhas. Exemplo: Blairo Maggi, governador de Mato Grosso, o maior produtor individual de soja no mundo, fez doações, ele próprio de quase 7 milhões de reais a sua campanha. Com isso financiou 65% de seus gastos. No governo, Maggi, naturalmente, não faz nada que prejudique a produção de soja no Mato Grosso.

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a quase um ano das eleições, aguarde as próximas postagens sobre financiamento de campanha. Diante do que foi selecionado aqui, muito do que os candidatos propõem em suas campanhas tem sua raiz em quem os financinaciaram. É acompanhar pra ver…

qualquer contribuição e sugestão de abordagem que você queira fazer, para esse e outros assuntos é só deixar seu comentário ou escrever para polimidia@gmail.com

a incoerência nossa de cada dia… October 17, 2005

Posted by Ezequiel Vieira in : catarse, do bastidor ao palco, jornalismo, política, política/ES , add a comment

Uma jornalista de política com quem conversei há dois meses disse que como a área não têm fatos noticiáveis todos os dias (como a editoria de Cidades, por exemplo) a trabalho que ela faz é mais de analisar a coerência, os projetos e o dia-a-dia de vereadores, prefeitos, senadores e deputados. Nesse sentido, se o jornalista deve estar em constante apuração e buscar a contradição dos fatos, quem fica na editoria de política deve ter essa percepção ainda mais apurada.

Resolvi seguir o conselho e revisitei os meus arquivos - amarelados e pedindo para serem “deletados” - e fiquei feliz ao constatar que a “coisa” realmente pode funcionar. Há algumas semanas o ex-prefeito da Serra, Sérgio Vidigal (PDT), apareceu na televisão e criticou duramente a administração do governador Paulo Hartung, que depois de muita indecisão hoje está no PMDB.

Porém, no jornal A Tribuna de um ano atrás (23/10/2004), esse mesmo Vidigal, ainda prefeito do município serrano, aparece dando todo o incentivo a uma possível reeleição de Hartung e durante uma solenidade teria dito: “queremos o senhor por mais quatro anos e pode contar com nosso apoio.”

É… um ano é pouco tempo mas foi o suficiente para fazer o nosso nobre colega mudar de idéia. Esse caso me fez lembrar um artigo que li no sábado: “não somos, mas estamos algo, a identidade se fixa apenas no momento preciso da ação no mundo, no presente fugitivo que se torna passado, no instante mesmo de sua manifestação.”

É… pra quê criticar a contradição de alguém se esse alguém é uma pessoa humana? E é melhor eu terminar essa postagem, como eu me tornei advogado de Vidigal, não fica bem eu ficar expondo suas “possíveis” incoerências.

Quando a política e a mídia não “se acertam” October 16, 2005

Posted by Ezequiel Vieira in : comunicação, crítica de mídia, do bastidor ao palco, política, política/ES , 1 comment so far

Na cidade de Guarapari, litoral do ES, acontece um fato muito curioso envolvendo a Prefeitura Municipal e a mídia local, representada pela sua única emissora de televisão, a TV Guarapari: um jogo de interesses que revela a cada pauta selecionada o que deve se pensar a respeito do representante do Poder Executivo da cidade.

Essa história é longa, data do primeiro mandato do prefeito Antônio Gottardo, um senhor humilde e desconhecido que resolvera se candidatar para tentar mudar a situação caótica do município e enfrentar o coronelismo eleitoral existente figurado pelo clã dos Borges (cujo patriarca, coincidentemente, é o proprietário da concessão da TV local). Milagrosamente, “deu zebra” e Gottardo venceu, realizando um mandato que agradou a maioria da população, mas a elite não via a hora de expulsá-lo de lá, pois a principal responsabilidade daquele mandato era sanar as dívidas, que não eram poucas, e deixar de lado a boa e velha política do pão e circo, que trazia shows e mais shows para agradar os turistas que vinham esvaziar seus bolsos nos quiosques espalhados pelas sua belas praias. Este foi o grande erro de Gottardo, esquecer da maior fonte de renda da cidade. Mas isto não impediu a sua reeleição.

E foi neste segundo mandato que a mídia começou a destilar o seu veneno. Como já se sabe, o dono da TV é um importante político da cidade, mas também pai daquele que tinha sido o maior rival de Gottardo nas últimas eleições e que tinha sido prefeito antes dele. Existe também um outro dono da TV, que antes fora candidato a vice-prefeito na chapa do “Borges filho” e agora se elegeu como vereador… Isso lembra outra história: depois da derrota como vice, o senhor Ricardo Conde começou um quadro no telejornal de Guarapari intitulado De olho na cidade, no qual enumerava os problemas que a cidade enfrentava e o prefeito novato não tinha condições de solucionar. Parecia até dor de cotovelo. E há enormes chances de ter sido por causa deste quadro que Conde se elegeu, afinal tinha conseguido a simpatia da população mais humilde, carente de medidas mais populistas e de ouvir alguns desaforos ao representante maior do município. a grande questão é: será que este programa existiria com o mesmo formato e discurso se os dois tivessem se elegido?

Voltando à primeira história, há alguns meses que a TV vem fazendo algumas reportagens na feira livre, que tinha virado abrigo para um grupo de andarilhos. Toda noite, eles chegavam e dormiam em cima dos balcões da feira e deixavam um rastro nem um pouco agradável para os feirantes e compradores que iam para lá no dia seguinte (ressalva que a feira só funciona as quartas e sábados). E toda semana o quadro De olho… vai até a feira conversar com seus “moradores” e saber o que o Prefeito está fazendo. Até aí, tudo bem, pois é mesmo uma situação que precisa ser resolvida com mais urgência possível. Só que o apresentador é vereador, que está nitidamente na oposição e utiliza-se de artimanhas, joguinhos e perguntas capciosas e não fala das tentativas de Gottardo fez para tirar as pessoas do lugar, dando uma casa para o grupo e escola para as crianças, que foram rejeitadas, pois viver de esmola e não ter responsabilidade sobre uma casa é muito melhor do que ficar cuidando das coisas chatas do lar. Secamente falando, eles estão lá porque querem ficar se embriagando e causando pena nas outras pessoas. E ultimamente porque viraram um furo de reportagem.

Não esquecendo de dizer que o prefeito nunca se preocupou em dar entrevistas ou maiores esclarecimentos à mídia, talvez porque soubesse que iria ter sua imagem friamente manipulada.

Isto nos faz pensar em algumas questões: até onde os meios de comunicação estão a serviço da população e não dos interesses políticos? Será que Gottardo precisa de um bom media training? E, nós como poderemos perceber se estamos sendo ouvidos ou apenas manipulados num jogo midiático?

A TV Guarapari é como a revista Veja, que a cada dia nos ensina o que nunca devemos fazer no jornalismo. Isso se quisermos fazer um mundo melhor, utopias à parte.

Gabriely

Roberto Jefferson: será que ele vai patentear? October 15, 2005

Posted by Ezequiel Vieira in : do bastidor ao palco, política , add a comment

A aposentadoria de nove mil reais não é mais suficiente para as ambições desse neologista, cantor lírico e, é claro, ator profissional.

MENSALÃO: palavrinha que colou nos ouvidos brasileiros nos últimos meses e já faz parte do imaginário nacional. Antes não existia como nomenclatura, ia direto para as contas bancárias de nossos parlamentares e logo após o batismo virou febre: todo mundo pedia o seu mensalão. Comunidades orkutescas faziam apologias e reivindicações. Colocaram Jefferson como herói brasileiro: ele era o cara.
É verdade, não dá para negar o grande poder de persuasão e manipulação desta figura. Quando era mais novo, deve ter enganado muita menininha por aí com essa lábia… mas quando disse, em cadeia nacional, que Zé Dirceu “despertava seus instintos mais primitivos” pegou mal. Agora, finalmente foi cassado, contudo a aposentadoria também já foi assinada. Absurdo? Comparando com os 30 mil, isso é troco. Melhor cobrar direitos autorais pela palavrinha mágica.

uma prova…II October 14, 2005

Posted by Ezequiel Vieira in : artigos, comunicação, jornalismo, ufes , add a comment

Há três semanas a gente fez uma prova que abordou o tema a comunicação e a configuração da sociedade contemporânea para a matéria de Comunicação Organizacional. Na hora em que fiz a prova, “fui levado” a escrever sobre jornalismo sob um ponto de vista mais político; e como a temática “de partida” do blog é política e mídia… eis a prova. Você também pode emitir a sua opinião deixando o seu comentário. Para ver o texto da Gabriely clique aqui.

Há um pensamento que diz que tudo carrega dentro de si sua própria contradição. De forma um pouco superficial de dizer, isso parece se tornar mais verdade ainda quanto mais relações se adquire e se começa a perceber que as pessoas são “humanas, demasiadas humanas”.
E se há esse caráter humano nos indivíduos, por que seria que essa característica não estaria também nas formas como uma coletividade se organiza e nas maneiras pelas quais ela se manifesta e se identifica (ou não)?

Sou estudante de jornalismo, mas isso não impede que eu tenha uma visão crítica da área em que pretendo atuar e muito menos que eu passe a endeusar minha profissão. Não compartilho da idéia de que se a imprensa não existisse seria preciso não inventá-la e muito menos ainda que ela tenha como único objetivo o interesse público.

Mas veja bem, antes as pessoas não sabiam quem as governava, e quem exercia esse governo pouco ou nenhum interesse tinha na população*. Ela existia para que houvesse um governante, mas ele não tinha nenhuma necessidade de agir segundo o interesse coletivo. Que se danasse o povo se a ação era escrupulosa ou não.

Com as devidas restrições que haja nesse sentido, a imprensa mostrou a nós que nós existimos e ela se apresenta como uma possibilidade de espaço em que o processo de cidadania pode ser discutido e exercido.

É evidente que há um grande público que não se vê no jornalismo. Contudo, dificilmente houve tanto cuidado na hora de agir como agora (o medo do escândalo nos policia…) e a sociedade nunca foi tão vigilante como hoje é.

É evidente também que o chamado interesse público nem sempre é lembrado. Porém, se uma das punições da imprensa para quem elegemos é o escândalo, um dos “castigos” para os jornalistas é perder sua audiência e, sem isso, não há comunicação que permaneça.

* vide o caso de Luís XIV; BURKE, Pete - A Fabricação do Rei:A Construção da Imagem pública de Luís XIV. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1994. Para ver a resenha do livro clique aqui; uma outra opção é essa daqui